11 outubro, 2026

DESERTIFICANDO O QUE AINDA RESTA...

(reeditado)


DESERTIFICAÇÃO
Fala a pedra com a pedra: Onde a erva?
Fala a terra com a terra: Onde o húmus?
Fala a porta com a janela: Onde a gente?
Fala a parede com o sobrado:
Tens saudade dos passos?,
Onde pára o espanta pardais,
esse espantalho de falsos braços
que afastavam os pássaros?
Onde param as searas? e as eiras?
e os cantos? e o pão?

Flor? Que é uma flor?
Flor era essa coisa de pétalas e cor
que tu trazes na memória
e que segundo o calendário do tempo
devia povoar esses campos?

Árvores? Que é uma árvore?
Árvore era essa coisa de raízes,
folhas, ramos, frutos
Árvore que juras te ter no passado
dado meiga e fresca sombra?

Água? Que é a água?
Água é essa coisa que te molhava o rosto,
a roupa, o corpo
e que as escuras nuvens
teimam levar
para outro lugar?

Ah, meu amor, este abandono
Ah, meu amor, este deserto
Se cada um de nós somos três
porque me falas
como se houvesse apenas Minha Alma?
Porque me falas
como se tudo dependesse da Primavera
e nada dependesse de nós?

Rogério Pereira

10 comentários:

  1. Que poema extraordinário, Rogério‼️
    Uma pérola da literatura ecológica e social, conseguindo retratar o drama da desertificação e do êxodo rural com uma sensibilidade e uma beleza estética ímpares. Através de uma linguagem profundamente lírica e melancólica, tu transformas a destruição ambiental e humana num grito de alerta que ecoa na alma do leitor.

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    1. Quando publiquei isto
      Foi na esperança de ouvir isso
      Ganhando alento
      Para lutar contra o vento
      Para lutar contra as marés
      Para lutar
      Contra tudo
      Que nos está a desertar
      Mesmo tudo
      Da mente à alma

      Agradecido abraço
      de meu ego inchado

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  2. Haa poeta, se tudo fosse só uma degradação ambiental ! além de terras áridas temos também o deserto e as nossas interrogações: como reflorestar 'segundo o calendário do tempo' sem depender do coração batendo lentamente, Um poema para pensar ... obrigada ,Rogério pelo 'apelo a resistência. Meu abraço

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  3. Se a Teresa permitir, assino por baixo o seu comentário.

    Abraço para vós assim como excelente semana.

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    1. Assim sendo
      aqui repito
      que
      Quando publiquei isto
      Foi na esperança de ouvir isso
      Ganhando alento
      Para lutar contra o vento
      Para lutar contra as marés
      Para lutar
      Contra tudo
      Que nos está a desertar
      Mesmo tudo
      Da mente à alma

      Agradecido abraço
      de meu ego inchado

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  4. Olá*
    Cada vez mais é preciso proteger o nosso "ninho"
    Gostei tanto de o ler, caro Rogério.
    Que haja sempre vontade de fazer acontecer.
    Que a alma, nunca seque.
    Abraço e brisas doces.
    (gosto quando se cumprem as promessas )*

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    1. Se secarem as almas,
      dos que ainda ostentam
      sorrisos em suas caras
      o Mundo estará definitivamente
      perdido

      Abraço e um sorriso

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  5. Que poema emotivo!
    Por onde anda a Natureza?!

    Abraço

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