12 janeiro, 2011

Mesa Redonda (1)

Da esquerda para a direita: Eu, o Meu Contrário e a Minha Alma

Eu (virado para quem me visita): Esta Mesa Redonda foi sugerida pela Minha Alma. De pronto aceitei e começo por lhe perguntar (virando-me para a Minha Alma): Qual é a ideia, afinal?
Minha Alma: Sabes?, nos dias que vão correndo ninguém questiona a sua alma sobre os seus actos, o seu passado e como pensa que poderá influenciar o futuro. Era bom que o fizessemos nós...
Meu Contrário (interrompendo): … mais do que questionar a alma, poucos se olham nos olhos. Olhar para si próprios é ouvir o seu contrário, a sua consciência… Há gente que pensa que nós só somos do contra…
Eu: Não tens razão de queixa pois oiço-te quase sempre. Julgam que sou lento a reagir, mas no fundo estou-te a ouvir, caro Meu Contrário!
Minha Alma: Dás-lhe demasiada atenção e, assim, acabo por ter mais que fazer. Em vez de me entregar ao poema, à contemplação e ao devaneio tenho que gerir conflitos entre ti e o teu contrário mesmo parecendo desnecessário…
Meu Contrário: Pois, mas és uma alma musculada. Há almas por aí que não moderam nada. Passam a vida a poemar, a contemplar e entregues a um ostensivo devaneio, Quando precisam de decidir sobre coisas importantes, ficam angustiadas e stressadas. Chegam até a ficar deprimidas por ausência de motivos para a depressão. Animam-se com a depressão
Eu: Chega em bater nas almas deste mundo! Qual vai ser o tema destas Mesas Redondas?
Minha Alma: O teu passado!
O Meu Contrário: O nosso futuro!
Eu: Para falar do passado já basta o livro… Que seja então o futuro, tendo em conta o que no passado nos aconteceu. Todas as quartas-feiras, valeu?
Minha Alma e Meu Contrário (em coro): Valeu!