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23 novembro, 2016

Mesa Redonda (9) - Tema: conto escusado, embora bem comentado

Da esquerda para a direita: Eu, o Meu Contrário e a Minha Alma

Eu (virado para o Meu Contrário): Esta Mesa Redonda foi convocada por ti, meu juízo. Diz lá, por por que ajuízas ser o meu conto escusado?
Meu Contrário (muito sério e calmo): Tudo o que serve para pouco, podendo servir para muito, é um desperdício! (após um pequeno silêncio, prosseguiu). A ideia do conto é interessante, mas, mesmo tratando-se de ficção cientifica, não me parece que prenda alguém à leitura…
Eu (pensativo): És capaz de ter razão. Muitos foram os que vieram ler a sinopse e não voltaram. Houve quem voltasse para dizer ser um texto previsível...
Meu Contrário (como que encorajado): Pois! A narrativa das partes iniciais parece ter sido criada  para justificar o final. Usas e abusas dos links obrigando a ir ver a outro lado o que devia ser integrado no que está a ser lido...
Minha Alma (interrompendo nesse preciso momento): De facto, se tivesses caracterizado logo que a classe dos "deprimidos" resulta da evolução da actual precarização do trabalho, tudo seria mais claro... e a passagem escondida é forte, vejam bem: «61,5% dos jovens trabalhadores têm vínculos precários. Este nível de precariedade, instabilidade e insegurança pressiona os salários para baixo.130 mil dos jovens desempregados inscritos nos centros de emprego não têm acesso a nenhuma prestação de desemprego, sendo os mais afectados pelos cortes nestas prestações. 2/3 dos jovens dos 18 aos 34 anos vivem em casa dos pais, consequência visível da perda de direitos, dos contratos a prazo, salários de miséria e desemprego».
Meu Contrário: Falas em "Oficio" sem explicar o que é isso...
Eu: Mas se escrevesse sobre tudo isso, escrevia um livro.
Minha Alma e Meu Contrário (em coro): Então escreve!

21 dezembro, 2020

Mesa Redonda (12) - Tema: A blogosfera, fechar a porta ou mantê-la aberta!

Apresentação, contar da esquerda: Eu, Meu Contrário e Minha Alma

Eu (virado para a assistência, com a sala quase vazia): Esta Mesa Redonda decorre daquela outra, realizada em Novembro. Essa, foi considerada decisiva, pois estava colocada a questão de fechar ou não este espaço. Considerava ser pesada a decisão e lembrava ser há mais de pois há 10 anos que mantenho esta janela aberta. Hoje não vos proponho discutir a revisão dessa decisão, mas se devo ou não manter a porta aberta a comentários, atendendo ao que anda por aí... Quem quer tomar a palavra?

Minha Alma (pensativa): Mas... fechares a porta a comentários, terás de abandonar aquilo que tanto gostas, que é deixar comentários nas portas dos outros...

Meu Contrário (interrompendo): Deixa-te de tretas, no Seara de Versos, a Lídia fechou, por razões semelhantes, o espaço de comentários mas não se inibe de os fazer. Com todo o respeito, ela vai deixando, de quando em quando, a sua visão ou opinião...

Minha Alma (gaguejando): Eh pá, sei lá! Acho que tens razão... Na verdade a blogosfera já não é aquilo que era. Cada vez mais se está tornando num universo "facebooquiano".

Eu e Meu Contrário (em coro): Isso mesmo!

(... e os três fomos juntos fechar a porta e transformá-la numa montra onde tudo se mostra!)


12 fevereiro, 2021

Mesa Redonda (13) - Tema: Um novo projecto para esta página

Apresentação, contar da esquerda: Eu, Meu Contrário e Minha Alma

Eu (virado para a assistência, com a sala quase vazia): Esta Mesa Redonda é para configurar um novo projecto que oriente o desempenho desta página. Ouvir-vos neste importante passo será decisivo. Há quem tenha páginas temáticas, que optaram pela poesia, ou pela intervenção política, ou pelas questões ambientais e outras causas, que faço? Quem quer tomar a palavra?

Minha Alma (com voz irada): Mais uma vez foste precipitado a fazer pré-anuncio de um novo projecto sem nos teres escutado. Lembra-te, que mais que tu só, somos um colectivo... E depois mudar, em que sentido? Se o mundo é diverso, como podes tu optar por uma única forma, entre prosa e poesia se cada uma só por si, ao estilo que te conhecemos, te vai criar embaraços do Diabo... 

Meu Contrário (interrompendo): Isso mesmo, prosa, é cão. Poesia é gato. Ele tanto morde, como logo depressa se roça nas pernas de quem comenta...

Minha Alma (interrompendo): Ora aí está uma coisa que ele devia mudar. Entra no espaço dos outros, ladra e mia e nem um cumprimento à entrada e nem uma saudação à saída. Muda isso! Outra coisa, acaba com o desperdício de espaço mal empregado. Tens no blog informação que ninguém usa, links em que ninguém entra. Em vez de disso, faz conteúdos a partir desses espaços anunciados. De resto, a avaliar do que se diz por aí, o que esperam de ti são os eternos e repetidos interregnos para coisas belas, poemas, textos bucólicos bem construídos e  pejados de alegorias ou metáforas. O que esperam de ti são mais manifestos ou actos apelando à cidadania. Te lembro teu lema "O meu acto de cidadania é um constante (e militante) apelo à resistência...". Já antes disse aqui, que mudar por mudar, é como fechar a janela, é desertar de um projecto. É fechar um diário por acabar. É deixar de resistir...
Meu Contrário (com um sorriso): É mesmo isso! Ele precisa de mudar alguma coisa, para que tudo fique na mesma, no respeito pelos seus valores e princípios.

Eu (concluindo): Posso eu então concluir, pelo que acabei de ouvir, que devo arejar a casa, colocar cada coisa em seu lugar e encontrar um lugar para cada coisa, libertar-me de monos, passar a ser mais bem educado e manter o rumo que dei à barca?

Minha Alma e Meu Contrário (em coro): Isso mesmo! 

(... e os três saímos dali cheios de ânimo para arrumar a casa!)

16 novembro, 2020

Mesa Redonda (11) - Tema: A blogosfera, desistir ou continuar nela?

Apresentação, contar da esquerda: Eu, Meu Contrário e Minha Alma

Eu (virado para a assistência, com a sala quase vazia): Esta Mesa Redonda é decisiva. Ou fecho esta janela ou continuo nela. A decisão é pesada, nada fácil, pois há 10 anos que ando nisto e estou com a sensação que o tempo gasto nesta, me impede de abrir mais janelas p´ro Mundo. Por isso vos convoquei para que me ajudem na decisão. Quem quer tomar a palavra?

Minha Alma (pensativa): Julgo que foste precipitado a fazer pré-anuncio de fechares este espaço sem nos teres escutado. Lembra-te, que mais que tu só, somos um colectivo...

Meu Contrário (interrompendo): Deixa-te de tretas, ele tem o nosso mandato. Tudo o que disser, assino por baixo. E lembro que ele referiu que anunciou o fecho deste espaço salvaguardando que tal decisão não tinha carácter definitivo certamente porque nos vinha convocar. Passemos aos argumentos.    Diz tu primeiro.

Minha Alma (gaguejando): Eh pá, sei lá! É verdade que a blogosfera já não é aquilo que era. Que parece que de ti esperam eternos e repetidos interregnos para coisas belas, poemas, textos bucólicos bem construídos e  pejados de alegorias ou metáforas, e nada de actos apelando à cidadania. Mas se teu lema era "O meu acto de cidadania é um constante (e militante) apelo à resistência...", fechar esta janela é desertar de um projecto. É fechar um diário por acabar. É deixar de resistir...
Eu e Meu Contrário (em coro): Isso mesmo!

(... e os três saímos dali cheios de ânimo para continuar!)

03 maio, 2011

Mesa Redonda (3) - A morte de Bin Laden

Da esquerda para a direita: Eu, o Meu Contrário e a Minha Alma

Eu (virado para quem me visita): Esta Mesa Redonda foi sugerida pela Minha Alma, em euforia pela morte matada da besta. De pronto e também contente aceitei e começo por lhe perguntar (virando-me para a Minha Alma): Faz sentido a euforia?, qual é a ideia, afinal?
Minha Alma: Sabes?, nos dias que vão correndo seria bom que todos os terroristas fossem morrendo, que os ditadores batessem a bota ou que a justiça lhes batesse à porta...
Meu Contrário (interrompendo): … pois, a ingenuidade é tua característica mais esquisita. Sabes, por acaso, que a besta que pariu essa desumanidade se passeia por aí, em grande impunidade? Há gente que pensa que sou sempre do contra, por alertar para a origem das coisas em vez de me fixar apenas nelas...
Eu: Não tens razão de queixa pois oiço-te sempre. És a minha consciência!
Minha Alma: Haja paciência. Em vez de dar vivas e urras, ele põe-se com estas ambiguidades, até parece entristecido pelo Bin Laden ter morrido, o Obama ganhar merecido prestigio, a bolsa ter disparado, a segurança ter melhorado e o preço do petróleo ter descido um bom bocado...,
Meu Contrário: O petróleo ter descido efeito de esse gajo ter morrido? A quanto está? Se o preço está acima dos três dígitos e se por aí se mantiver, isso é que vai doer. Isso e o terrorismo de estado, tão pouco falado... O FMI...
Eu: Alto, alto. Alto aí, estávamos a falar do monstro e já vamos no FMI. Estamos contentes ou não?, qual é a conclusão?
Minha Alma: Eu?... Eu estou radiante!
O Meu Contrário: Eu não sou louco, essa morte sabe-me a quase nada ou a muito pouco!
Eu: Só quero saber, se vamos festejar a valer.
Minha Alma: Por mim, sim!
Meu Contrário (contrariado): Por meu lado, não. Enquanto houver guerras por todo o oriente, acho não ser comportamento decente. E depois o FMI...
EU (pensativo): Não há volta a dar, nem consenso possível. A minha consciência está com um comportamento terrível e eu estou contente mas dividido

28 agosto, 2020

Mesa Redonda (10) - Tema: O Ânimo

Apresentação, contar da esquerda: Eu, Meu Contrário e Minha Alma

Eu (virado para a assistência, com a sala meio vazia): Esta Mesa Redonda foi-nos imposta não só pelo momento que estamos vivendo como também pela necessidade de criar entre nós os três a sintonia que nos tem faltado. Dou primeiro a palavra a Minha Alma: 

Minha Alma (apanhada desprevenida): Para a próxima, marca a nossa discussão com agenda do dia, para que possa estar preparada. Quanto à falta de sintonia a culpa é dele (e aponta o Meu Contrário). A mim, não me tem faltado as manifestações de esperança e confiança.
Meu Contrário (olhando Minha Alma fixamente): Bem sabes, que tais sentimentos são passivos. A esperança é um esperar acontecer. A confiança, remete para outros o tudo o que possa ser feito. Precisamos de tudo isso, mas a palavra de ordem deve ser "ânimo". É com ânimo que animamos. Animamo-nos a nós e aos outros... 
Minha Alma (interrompendo): E se estivermos perante uma saída impossível?
Eu e Meu Contrário (em coro): Ânimo! O impossível é tão só e apenas aquilo que ainda não aconteceu...

(... e os três saímos dali cheios de ânimo!)

12 janeiro, 2011

Mesa Redonda (1)

Da esquerda para a direita: Eu, o Meu Contrário e a Minha Alma

Eu (virado para quem me visita): Esta Mesa Redonda foi sugerida pela Minha Alma. De pronto aceitei e começo por lhe perguntar (virando-me para a Minha Alma): Qual é a ideia, afinal?
Minha Alma: Sabes?, nos dias que vão correndo ninguém questiona a sua alma sobre os seus actos, o seu passado e como pensa que poderá influenciar o futuro. Era bom que o fizessemos nós...
Meu Contrário (interrompendo): … mais do que questionar a alma, poucos se olham nos olhos. Olhar para si próprios é ouvir o seu contrário, a sua consciência… Há gente que pensa que nós só somos do contra…
Eu: Não tens razão de queixa pois oiço-te quase sempre. Julgam que sou lento a reagir, mas no fundo estou-te a ouvir, caro Meu Contrário!
Minha Alma: Dás-lhe demasiada atenção e, assim, acabo por ter mais que fazer. Em vez de me entregar ao poema, à contemplação e ao devaneio tenho que gerir conflitos entre ti e o teu contrário mesmo parecendo desnecessário…
Meu Contrário: Pois, mas és uma alma musculada. Há almas por aí que não moderam nada. Passam a vida a poemar, a contemplar e entregues a um ostensivo devaneio, Quando precisam de decidir sobre coisas importantes, ficam angustiadas e stressadas. Chegam até a ficar deprimidas por ausência de motivos para a depressão. Animam-se com a depressão…
Eu: Chega em bater nas almas deste mundo! Qual vai ser o tema destas Mesas Redondas?
Minha Alma: O teu passado!
O Meu Contrário: O nosso futuro!
Eu: Para falar do passado já basta o livro… Que seja então o futuro, tendo em conta o que no passado nos aconteceu. Todas as quartas-feiras, valeu?
Minha Alma e Meu Contrário (em coro): Valeu!

31 outubro, 2017

Seca severa (transcrição de uma mesa redonda já antiga mas onde entra uma visita)

(reedição de uma mesa-redonda publicada em 2012)


Eu, Meu Contrário e Minha Alma, reunidos. Pensativos. 

Eu (dissertando sobre o foto) - Se ninguém faz nada, isto vai ficar... (e falou, falou, sem se calar)
Meu Contrário (com voz horrorizada) - Mas isso é.... a Terra martirizada... nem sei porque procuram Marte... se aqui a desertificação se espalha por toda a parte!
Minha Alma (com um humor deslocado) - Julguei que era a foto de um pormenor da pele de um elefante gigante...  
Eu (irritado) - Um deixa-se abalar, a outra goza. O pessimismo é um pensamento reaccionário. Fazer humor é  pior que olhar para o lado... Baixar os braços é fazer o jogo contrário...
Minha Alma (atrapalhada por ser repreendida) - Tens razão, não nos deixemos abalar. Mas que fazer?, a solução só pode ser... fazer chover. O Homem pode fazer chover?
Meu Contrário (pensativo) - O Homem pode é criar condições para reduzir a seca, mas faz exactamente o contrário.
Minha Alma (pensativa) - Florestando?  Evitando incêndios?... 
Meu Contrário (completando) - ...Controlando o abate criminoso de árvores... utilizando racionalmente a água e fazendo-a chegar onde for necessário regar...
Minha Alma (sem humor, mas com ironia) - O relvado de um campo de golfe bem regado, certamente que não chega... devia ser pecado e punir-se o pecador.

E os três continuaram a falar, sobre o tema, sobre o desaproveitamento do Alqueva, sobre para que serve uma maior consciência ecológica se os povos permanecem amorfos... e sobre a incerteza de a fome os despertar. Estavam eles nessa, quando ela entro em cena.

Manuela Araújo (que tinha acompanhado tudo) - Julgo que ainda não se percebe, de forma generalizada, quanto a água caminha para a escassez. Tanta coisa a fazer, por cada um e por todos, e tanta coisa mal feita (ou não feita) pelos que têm o poder!

Quanto ao Alqueva, estive a semana passada no Baixo Alentejo, na zona de Serpa: fiquei espantada! Julguei que estava no Minho, com tanto milho a ser cultivado, pois é uma cultura que precisa de bastante água. E o número de novos olivais, irrigados, espantou-me igualmente. E vi campos de cebolas! Perguntei... e soube que pagam a água para irrigação (do Alqueva) a 8 cêntimos o m3, mais uma taxa de manutenção de 50 euros por hectare; e que o milho (espiga) se destina a farinha para rações e para outras indústrias transformadoras, e o resto da planta para alimentar gado; e que as cebolas são liofilizadas e vendidas à McDonalds.

Afinal, parece que já alguns agricultores estão a tirar partido do Alqueva, assim como a Syngenta e outras corporações da biotecnologia, não faltavam lá placas junto ao milho e também aos girassóis... serão transgénicos? não sei...

Pelo menos estão a produzir algo.
Se as terras vão ficar menos secas? com este sistema de cultivo (junta-se água, adubos e herbicidas e fabricam-se monoculturas de produtos destinados à indústria alimentar) o que vai acontecer é que o solo cada vez vai ser mais pobre e cada vez mais poluído...; primeiro virão uns anos de fartura... depois... Disseram-me também que a Andaluzia já está a reduzir fortemente a produção agrícola...

Na minha opinião, o Alqueva devia servir em primeiro lugar para uma agricultura biodiversa e que permitisse a auto-suficiência alimentar das comunidades locais e do país, para muitos agricultores e não apenas alguns latifundiários, num modo de cultivo que permita que o solo enriqueça e melhore com os anos, retendo a água e a matéria orgânica.

Uma agricultura ecológia ajudaria a reter a água no solo e a prevenir a desertificação e fome de amanhã.

Deste modo que vi, alguns vão enriquecer mas o solo vai empobrecer... e a água vai acabar por desaparecer... as alterações climáticas ajudam!

Eu, Minha Alma e Meu Contrário (em coro) - Apoiado!

08 outubro, 2015

Mesa Redonda (8) - Tema: a necessidade da escrita

Apresentação, contar da esquerda: Eu, Meu Contrário e Minha Alma

Eu (virado para a assistência, com a sala meio vazia): Esta Mesa Redonda foi-nos imposta por Minha Alma, dada a sua insistência e os termos da convocatória. Aceitámos e cá estamos. Começo por lhe perguntar (virando-me para a Minha Alma): Qual é a ideia, afinal?
Minha Alma: É sobre a necessidade da escrita...
Meu Contrário (olhando Minha Alma fixamente): Bem sabes, como temos andado ocupados... Muitos escrevem, escrevem, mas não se  lhe reconhece a alma no que escrevem. Fazem exercício de estilo...
Minha Alma (interrompendo): Também é necessário!
Meu Contrário: Nestes tempos mais falta faz o juízo que o estilo!
Minha Alma: Os dois! Os dois! Nem que seja uma metáfora!
O Meu Contrário: Como essa "Pequenina Luz"?
Eu: Como "Uma pequena luz / que vacila exacta / que bruxuleia firme / que não ilumina apenas brilha"?
Minha Alma e Meu Contrário (em coro): Isso! Essa é a escrita necessária!

31 julho, 2015

Mesa Redonda (6) - Tema: "... o que não muda..."


Eu (abrindo a sessão) - Hoje o tema é a "mudança". Vamos falar como mudar...
Meu Contrário (contrariado) - Preferia falar sobre o que não muda
Minha Alma (admirada) - E não é a mesma coisa?
Meu Contrário (sentencioso, entre o sério e o gozo) - Não, não é! Se percebermos bem o que não muda, estamos mais habilitados a perceber o que é necessário mudar...
Minha Alma (interessada) - Não percebo!, podes exemplificar?
Meu Contrário (persuasivo) - Se seguiste o alarido em torno do que se passou naquele partido... percebes que agora nada gira em torno do que há a fazer mas sim à volta de quem é melhor para o fazer?...
Minha Alma (completando a ideia) - ... e todos esquecem discutir o que deve ser feito...
Meu Contrário (afirmativo) - Isso mesmo. Tal como tem vindo sempre a acontecer... os militantes são confrontados com pessoas... porque são as pessoas que operam as mudanças, mas não discutem o que é necessário mudar...
Eu (que até aqui tinha ficado calado) - A melhor maneira de não mudar coisa nenhuma é ir mudando... pessoas. O resto vai ficando igual... mudará só o estilo e a intensidade desse fazer ...
Minha Alma (desanimada) - ...não poderemos esperar resultados diferentes... Então, só podemos esperar pessoas diferentes para fazerem coisas... iguais!
Eu e Meu Contrário (em coro) - Nem mais!
reeditado, com pequenos ajustamentos
 - original em 30 jan, 2013

18 outubro, 2021

MESA REDONDA (14) - TEMA: O ORÇAMENTO

Apresentação, a contar da esquerda: Eu, Meu Contrário e Minha Alma

Eu (com ar constrangido) - Não julgando oportuna a convocatória do Meu Contrário, dado o meu estado, ainda assim vamos lá a saber o quem tem ele a dizer. Só espero que ele não acrescente ruído ao ruído que vai por aí.

Minha Alma (antecipando-se) - Eu também tenho uma intervenção preparada. É que...

Eu (impositivo) - Vê se te calas e estás calada. Na altura certa passo-te a palavra. (virando-me para o Meu Contrário) Força, mas não te estendas

Meu Contrário (fazendo aceno de consentimento) - Não pretendo hoje e agora esgotar o tema. Venho tão só e apenas chamar a atenção para coisas que ninguém fala e que poderão ler aqui. Dessa leitura cito Eugénio Rosa: "a proposta apresentada (...) é «dominada pela obsessão em reduzir a dívida pública, já que no ano em que o país procurará sair de uma profunda crise económica e social causada por dois anos de covid, o Governo no lugar de promover e estimular o investimento criador de emprego de riqueza – e fator essencial para a recuperação – quer reduzir a dívida pública em 4,1 pontos percentuais, ou seja, em cerca de 9300 milhões, portanto um valor superior a 26,9% ao investimento público total previsto». 

Eu (com cara de espanto) - 9300 milhões? Porra!, isso dava para relançar este mundo e o outro e ainda dar dignidade a quem vive no limiar da pobreza!... Desculpa, continua!

Meu Contrário (retomando o fio à meada) - É um cenário que, no entender do economista "é agravado tendo em conta o que se tem passado em anos anteriores. «A experiência tem mostrado que quase 30% do investimento previsto nos orçamentos do Estado são sistematicamente não realizados, com o objetivo de reduzir o défice orçamental»." Posso continuar?

Eu (fazendo gesto para parar) - Deixa. É uma boa achega. Vamos ler tudo isso... (virando-se para Minha Alma) Ora diz lá.

Minha Alma (com um sorriso agradecido) - Como não quero dar seca. Trago um vídeo. Posso projectar?

Eu e Meu Contrário (em uníssono) - Força 

Minha Alma, clica no link

09 novembro, 2024

MESA REDONDA (15) - TEMA: A REVERSÃO DE UMA DECISÃO

Apresentação, a contar da esquerda: Eu, Meu Contrário e Minha Alma

Eu (com ar constrangido) - Julgando tardia a convocatória para tratarmos o tema de hoje, começo por vos pedir desculpa por ter tomado a decisão de sair da blogosfera sem vos ouvir e...

Minha Alma (antecipando-se) - Estás desculpado é assunto e oportunidade para ouvires o que temos para dizer, Começo por afirmar que tal decisão é uma traição à genorosidade deste teu espaço. Pois não foi aqui que nasceu a tua inspiração para a escrita?  Não foi aqui que nasceram teus livros? Não foi aqui que teus amigos e seguidores te impulsionaram, animaram e deram confiança para a edição? Ah!, e não venhas de lá com essas tretas de não conseguires imagens ou filmes...

Meu Contrário (fazendo aceno de aprovação) - Sim, é treta! A prova está em que conseguiste a imagem de hoje... eu sei, eu sei! Foste aos arquivos e copiaste do HTML... se fizeres sempre isso... e lembra-te que tens mais de 5000 itens armazenados 

Eu (com cara de espanto) - Mais de 5000 itens armazenados? Porra!, isso dava para relançar este blog e ficar aqui mais dez anos!

Meu Contrário e Minha Alma (em coro) - Então fica! Fica! Fica! Na queda da blogosfera, que já não é aquilo que era, haja quem fique! 

Eu (esticando o polegar direito) - Vamos a isto! 

30 janeiro, 2013

Mesa Redonda (6) - Tema: "... o que não muda..."


Eu (abrindo a sessão) - Hoje o tema é a "mudança". Vamos falar como mudar...
Meu Contrário (contrariado) - Preferia falar sobre o que não muda
Minha Alma (admirada) - E não é a mesma coisa?
Meu Contrário (sentencioso, entre o sério e o gozo) - Não, não é! Se percebermos bem o que não muda, estamos mais habilitados a perceber o que é necessário mudar...
Minha Alma (interessada) - Não percebo!, podes exemplificar?
Meu Contrário (persuasivo) - Se tens seguido o alarido em torno do que se passa naquele partido... percebes que nada gira em torno do que há a fazer mas sim à volta de quem é melhor para o fazer?...
Minha Alma (completando a ideia) - ... e todos esquecem discutir o que deve ser feito...
Meu Contrário (afirmativo) - Isso mesmo. Tal como tem vindo sempre a acontecer... os militantes são confrontados com pessoas... porque são as pessoas que operam as mudanças, mas não discutem o que é necessário mudar... 
Eu (que até aqui tinha ficado calado) - A melhor maneira de não mudar coisa nenhuma é ir mudando... pessoas. O resto vai ficando igual... mudará só o estilo e a intensidade desse fazer ...
Minha Alma (desanimada) - ...não poderemos esperar resultados diferentes... Então, só podemos esperar pessoas diferentes para fazerem coisas... iguais!
Eu e Meu Contrário (em coro) - Nem mais!

29 maio, 2025

E O PAPA FRANCISCO TAMBÉM VAI ESTAR NO MEU TEATRINHO


Sim, estará nas palavras que deixou escritas e serão a deixa para que uma convidada para a mesa-redonda pegue nela. Ora leia:

7. Desafios para a educação*

O desenvolvimento duma tecnologia que respeite e sirva a dignidade humana tem implicações claras para as instituições educativas e para o mundo da cultura. Ao multiplicar as possibilidades de comunicação, as tecnologias digitais permitiram encontrar-se de novas formas. Todavia continua a ser necessária uma reflexão contínua sobre o tipo de relações para onde nos estão encaminhando. Os jovens estão a crescer em ambientes culturais impregnados de tecnologia, o que não pode deixar de pôr em causa os métodos de ensino e formação.

A educação para o uso de formas de inteligência artificial deveria visar sobretudo a promoção do pensamento crítico. É necessário que os utentes das várias idades, mas principalmente os jovens, desenvolvam uma capacidade de discernimento no uso de dados e conteúdos recolhidos na web ou produzidos por sistemas de inteligência artificial. As escolas, as universidades e as sociedades científicas são chamadas a ajudar os estudantes e profissionais a assumir os aspetos sociais e éticos do progresso e da utilização da tecnologia.

A formação no uso dos novos instrumentos de comunicação deveria ter em conta não só a desinformação, as notícias falsas, mas também a recrudescência preocupante de «medos ancestrais (...) que souberam esconder-se e revigorar-se por detrás das novas tecnologias». [13] Infelizmente, encontramo-nos mais uma vez a combater «a tentação de fazer uma cultura dos muros, de erguer os muros (…), para impedir este encontro com outras culturas, com outras pessoas» [14] e o desenvolvimento duma coexistência pacífica e fraterna.

 * Para leitura integral do texto ver https://www.vatican.va/content/francesco/pt/messages/peace/documents/20231208-messaggio-57giornatamondiale-pace2024.html

25 maio, 2023

EM ANGOLA, NA GUERRA, NUM LIVRO DE MEMÓRIAS DE AFECTOS, ANGÚSTIAS E MEDOS...

Porque consta este vídeo aqui? A resposta é dada da seguinte forma: além da biblioteca montada na que foi por mim chamada "Universidade Livre da Real República do Reino da Roça" também dinamizava uma rádio, "A Rádio Livre da Real República do Mesmo Reino".

Ora leiam o que escrevi no livro "Almas Que Não Foram Fardadas":

51 – Chegaram enfim as «Moscas» e as «Mesas Redondas.»

– A cadência de cartas, as que recebia e as que quase diariamente escrevia, mantinha-se. Continuavam a ser cartas ridículas, umas e outras como dizia o poeta. Umas e outras com desenhos. As minhas, com desenhos de elefantes e pacaças e meninos a chorar reclamando cuidados meus. As da Teresa com desenhos das minhas filhas, com rabiscos de todas as cores, ou casinhas ou uma mãe com duas meninas, uma ao colo, outra pela mão. Desenhos que esbatiam a solidão da Minha Alma, fazendo esforço, Eu e o Meu Contrário, para manter elevada e concentrada a diária ocupação. Todas as cartas eu lia duas ou três vezes e os tais desenhos passaram a povoar o meu «altar», ao lado das fotografias delas.

Poucos eram os assuntos ou temas para além dos inspirados pelas palavras «futuro” e «saudade», umas vezes rimando com «felicidade» outras com «liberdade». Ocasionalmente falávamos de dinheiro questionando eu se ela já tinha levantado a parte disponibilizada no continente e ela respondendo a isso. Uma pergunta era insistente querendo confirmar se me tinha enviado os suplementos do Diário de Lisboa e ela me repetia que sim, semana a semana, sem que recebesse eu algumas daquelas folhas de opinião, de ensaio literário, texto cine-clubista ou uma ou outra entrevista.

Antes de partir tinha-lhe pedido para enviar o jornal inteiro mais as revistas Vida Mundial e Seara Nova, dentro. Por conselho de alguém avisado, ficou combinado que ela me enviaria apenas os suplementos do jornal, pois a PIDE ou a segurança militar poderiam não só confiscar todos os exemplares como até vir a colocar-me problemas. Mas nem isso me chegava às mãos. Até que umdia, de uma só vez, chegou no correio a expedição de mais de um mês: cinco números de A Mosca, outros tantos da Mesa Redonda, mas da Seara, nada. Abri e passei avidamente os olhos por tudo aquilo, recuperando notícias e ideias atrasadas. À medida que o fazia ficava mais transtornado, Meu Contrário furioso e Minha Alma desolada."

Queriam ler mais? Não esperam pela demora pois a reedição está na forja! Boa?

19 maio, 2012

Unidade da esquerda (ou das esquerdas) as oportunidades reais e as fracturantes. Algumas reflexões - Parte I


Carvalho da Silva (PCP), Henrique Neto (PS) e J. Ferreira do Amaral (Independente),
discutindo "Perspectivas e Caminhos para o Desenvolvimento", in Seara Nova nº 1714

Um espaço de diálogo, um património de unidade - Foi há poucos meses, descobri que a revista "Seara Nova" não tinha morrido. Vencida a dificuldade de a encontrar à venda, lá a encontrei e comprei para logo de seguida lhe fazer a assinatura. A linha editorial mantinha-se aberta a todas as tendências, o que não foi surpresa. Também não foi novidade perceber que não só esse espaço é aberto como é promotor do diálogo e como é diversificado o leque das personalidades que compõe a comissão de honra que preside ao seu aniversário. O primeiro número adquirido, além de oferecer o texto a que se refere a foto (que bem podiam ser as linhas orientadoras de um programa comum de esquerda) relembrou-me, através de uma "mesa redonda" com António Reis (PS) e Fernando Correia (PCP),  a própria história da revista, desse património de unidade entre as várias tendências e de como a revista desenvolveu um papel para além da mera edição, designadamente nas diversas fases da luta antifascista e nos combates eleitorais. Hoje é relevante o papel da revista e a discussão produzida, mas são difíceis as condições em que se desenvolvem. Num tempo em que a unidade inclusiva (de toda a esquerda) requer um espaço para se aprofundar fora do contexto da luta politico-partidária é expectável que se venha a dar maior dinâmica à "Seara Nova". Que tal se faça no âmbito da comemoração dos seus 90 anos e com o mutuo respeito e consideração pelas diferenças de opinião. Estas só são imutáveis se não nos soubermos escutar.


A homenagem prestada a José Tengarrinha, mostrou que há momentos para o respeito e para a admiração 
mutua entre aqueles que, não tendo as mesmas "ideias", estão disponíveis para se reencontrarem

Um momento de reencontros - Há muito que não aconteciam reencontros entre pessoas que por várias razões seguiram caminhos distintos e/ou filiações partidárias diferentes. Essas diferenças não impediram abraços, cumprimentos de respeito e conversas alongadas por onde certamente deambularam as memórias que ligavam o homenageado aos que ali apareceram. Muitos e diversos, havia certamente motivações de estar bem diferenciadas. Mas estavam ali muitos que se uniram em tempos tão difíceis como aqueles que estamos a atravessar. Diria, citando Saramago "se o mundo alguma vez conseguir ser melhor, só o terá sido por nós e connosco." e quem quiser que se exclua... Aconteceu, de seguida, o cruzar-se a memória desse momento com o lugar de diálogo que durante tanto tempo juntou gente diversa num combate comum. Memórias do próprio Tengarrinha... na "Seara Nova" 

Continua

07 outubro, 2012

Mesa Redonda (5) - Tema: "A Unidade Necessária"

Nem Eu sou uma unidade perfeita... (estátua de Rodin, imagem retirada da net)

Eu (comentando o que aconteceu) - O 5 de Outubro foi um dia em cheio... Foi um dia de torpeza, de maltratar a Res Pública, de amesquinhar o povo e de lhe retirar grandeza... Mas também foi um dia de sinais muito belos e necessários. Foi um dia...
Minha Alma (interrompendo, com ar de censurar) - Devias era estar calado. Se falas desse Congresso, devias era lá ter estado...
Meu Contrário (filosofando, como o faz, de vez em quando) - Há muitas formas de estar, mesmo não estando...
Minha Alma (veemente) - Desculpas... a unidade é hoje mais que nunca  necessária. E não se faz unidade ficando à margem daquela oportunidade.
Meu Contrário - A unidade não acontece num momento. A unidade é um processo, não um acontecimento. Por vezes é preciso saber não estar. Por vezes é preciso saber esperar que o consenso aconteça entre aqueles que sabem poder contar connosco...   
Eu  (provocando o consenso naquilo que eu próprio penso) - O Congresso teve um encerramento saramaguiano... e há pouca diferença entre o que ouvi num outro lado e o texto que lá foi votado! (*)
Minha Alma e Meu Contrário (em coro) - Apoiado!

(*) O texto linkado ainda não é o definitivo 

05 fevereiro, 2025

CONVITE (SE VOÇÊ NÃO FOR, VERÁ DEPOIS... É QUE IREI FILMAR...)

 CONVITE

CONVIDA-SE TODA A COMUNIDADE EDUCATIVA, BEM COMO TODAS AS ORGANIZAÇÕES PARCEIRAS, A ASSISTIR A ESTE ESPECTÁCULO.


 

Sinopse: O tema da peça liga-se com a crescente dependência do uso do telemóvel. No decurso da representação são lançados teatrais alertas, ao som de uma conhecida composição de António Variações, sobre os efeitos de tais dependências e, também, sobre a necessidade de se incrementarem hábitos de leitura. Sobre este relevante aspeto, serão lidos em palco extratos de um livro de contos para crianças (da autoria, também, de Rogério Pereira) e do conto “A Maior Flor do Mundo” de José Saramago (Prémio Nobel da Literatura).

A peça, de curta duração, desenvolve-se, num primeiro ato, no pátio de recreio entre crianças, sendo estas representadas por fantoches e, num segundo ato, no decorrer de uma refeição em família, representada por atores amadores que fazem parte do elenco do GTNM.

No final da peça, haverá “mesa-redonda” reunindo convidados, com formação em psicologia e neurociências, que deixarão alertas sobre os efeitos da dependência, não deixando produzir as suas próprias recomendações sobre cuidados a ter.

A peça irá ter várias representações dirigidas às escolas de Oeiras, cujo agendamento está a cargo do Departamento OEIRAS ENSINA.

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Ficha Técnica

Encenação de Nuno Loureiro

Com Fátima Apolinário, Maria João Vieira, Mário Santos e Nuno Loureiro

Luz e sonoplastia de Armando Vieira

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Dia 1 de Março, 21h no Auditório do GTNM, 

Av. Fundadores 59A, 2770-072 Paço de Arcos:

MARCAÇÕES: teatro.novamorada@gmail.pt

24 fevereiro, 2025

MESA REDONDA 16 - TEMA: O MEU 80º ANIVERSÁRIO

Apresentação, a contar da esquerda: Eu, Meu Contrário e Minha Alma

Eu (com ar feliz) - Hoje, atendendo à data, nem seria necessário a convocatória, pois... 

Minha Alma (antecipando-se, cortando a palavra) - Pois é um dia histórico. Passar de septu a octo é passar uma fasquia que só nos pode dar alegria...

Meu Contrário (desafiando Minha Alma) - Cantemos, então!

Meu Contrário e Minha Alma (em coro) - Parabéns a você! / Nesta data querida/ Muitas felicidades/ Muitos anos de vida

Eu (esticando o polegar direito) - Então vamos a isto! Chegar a nona, todos juntos, vai ser com uma perna às costas.

(ao som de fortes aplausos de toda a família, cai o pano)


21 agosto, 2012

Mesa Redonda (4) - Tema: Martirizada terra.


Eu, Meu Contrário e Minha Alma, reunidos. Pensativos. 

Eu (dissertando sobre o foto) - Se ninguém faz nada, isto vai ficar... (e falou, falou, sem se calar)
Meu Contrário (com voz horrorizada) - Mas isso é.... a Terra martirizada... nem sei porque procuram Marte... se aqui a desertificação se espalha por toda a parte!
Minha Alma (com um humor deslocado) - Julguei que era a foto de um pormenor da pele de um elefante gigante...  
Eu (irritado) - Um deixa-se abalar, a outra goza. O pessimismo é um pensamento reaccionário. Fazer humor é  pior que olhar para o lado... Baixar os braços é fazer o jogo contrário...
Minha Alma (atrapalhada por ser repreendida) - Tens razão, não nos deixemos abalar. Mas que fazer?, a solução só pode ser... fazer chover. O Homem pode fazer chover?
Meu Contrário (pensativo) - O Homem pode é criar condições para reduzir a seca, mas faz exactamente o contrário.
Minha Alma (pensativa) - Florestando?  Evitando incêndios?... 
Meu Contrário (completando) - ...Controlando o abate criminoso de árvores... utilizando racionalmente a água e fazendo-a chegar onde for necessário regar...
Minha Alma (sem humor, mas com ironia) - O relvado de um campo de golfe bem regado, certamente que não chega... devia ser pecado e punir-se o pecador.

E os três continuaram a falar, sobre o tema, sobre o desaproveitamento do Alqueva, sobre para que serve uma maior consciência ecológica se os povos permanecem amorfos... e sobre a incerteza de a fome os despertar.