21 junho, 2014

Sábado... Foi assim, a semana que hoje finda (14)


Não tinha Saramago que estar preocupado, eram os minutos iniciais de uma manifestação com a determinação conhecida por parte de quem sabe que nada que não deve durar durará sempre. E o desfile foi aquilo que se viu, dali até até ao Rossio (ah, como me é gostosa esta minha rima...)

A semana teve muito que se assinale: desde o tal banco a ficar manco até outras desavenças, contradições e manipulações. E a correlação de forças, inevitavelmente, vai mudando, embora imperceptivelmente, por enquanto. Do que sublinho e registo, vou buscar palavras de quem, normalmente, não está comigo:
«... o respeito pela legalidade, pelo formalismo e pelo institucionalismo de Estado é uma questão de honra no PCP – e de sobrevivência até, já que ao mesmo tempo protege-se de ser institucionalmente desrespeitado ou posto em causa como partido do sistema. Foi assim desde a legalização do PCP após o 25 de Abril e é esse formalismo e e institucionalismo que nunca permitiu que fosse sequer aflorada a possibilidade de questionar a sua legitimidade dentro do sistema democrático.
... o PCP fez na segunda-feira o que tinha de fazer. Agiu em consonância com os seus compromissos perante os seus apoiantes e no respeito estrito do formalismo institucional do sistema político português. Foi ao Palácio de Belém, dirigindo-se ao mais alto órgão de soberania da hierarquia do Estado, o Presidente da República, para transmitir aquilo em que se especializou e com que o seu eleitorado se identifica, a saber, que este Governo e esta política não servem.Assim, cumpriu a sua missão política no presente e marcou o território para o futuro.»
São José Almeida, in Público

«... dando outra vez nomes aos bois (salvo seja...): António Costa pode encher dez Tivolis, e ter cem vezes mais jeito e melhores características para ser secretário-geral do PS, mas isso não chega. Manterá o seu partido encostado à direita, e alinhará fatalmente com esta, se apenas propuser acções de maquilhagem para o Tratado Orçamental. E os que esperam dele a libertação deste governo austeritário sairão uma vez mais frustrados.»
Joana Lopes, in "Entre as brumas da memória"