13 junho, 2014

Nenhum dos Antónios lhes vale, acho que para eles é até igual...


Em dia de Santo António é discutível a oportunidade, entre quadras e sardinhas assadas, vir com temas pesados e dramáticos. Mas porque não me parece que as 160 famílias atingidas não mereçam palavras solidárias em vez de sardinhas festas e quadras, não resisto ao tema. Quem mais se solidarizou? Os mesmos de sempre (no protesto estiveram jornalistas de outros órgãos de informação e ainda representantes do PCP e do Bloco de Esquerda). De quem não se ouve uma palavra? Dos outros, aqueles mesmos de sempre! Acho até que quem se cala, não só consente, como apoia. Apoia pois que ver as redacções reduzidas aos textos pré-elaborados dos spin-doctors* é algo que satisfaz ao tal chamado arco do poder. É que além destes, os respectivos partidos terão assegurados os espaços aos seus colunistas e opinadores, que a título gratuito, continuarão a inundar as páginas dos jornais...
"... somos fundamentais para a democracia. Mas poderemos sê-lo, com o que isso implica de independência, de segurança, de intrepidez e resistência, se formos tratados, nós que somos supostos averiguar sobre tudo, investigar sobre tudo, ter uma perspectiva sobre tudo, uma narrativa sobre tudo, afrontar tudo e todos, como se não tivéssemos capacidade de perceber o que nos acontece e porquê, riscar uma palavra sequer sobre isso?
E, o que é mais, se nos deixarmos assim tratar. Será assim tão impossivelmente heróico cumprir os nossos deveres e exigir os nossos direitos? Com que cara pediremos amanhã a alguém que dê a cara no nosso jornal, se não damos a cara por ele, pelo jornalismo, por nós? Com que cara continuaremos como se nada se tivesse passado, à espera de cair de vez?"

Percebo Fernanda Câncio, pena que ela não me perceba.