05 março, 2016

Sábado... Foi assim, a semana que hoje finda (16)



Segunda-feira foi um dia em que percebi que tinha mesmo de cumprir um compromisso há já algum tempo assumido. Escrever um livro, que, aliás já tem título: "O Caracol Mole e o Escaravelho Seu Conselheiro". Essa percepção surgiu enquanto intervalava o que se passava no Auditório da Biblioteca Municipal do Barreiro e me desloquei ali ao lado, a beber um cafezito. Enquanto o sorvia ia olhando em volta. Ali, alguém folheava  o jornal do dia. Acolá, um jovem tomava apontamentos com vários livros abertos. Lá ao fundo, lá estavam eles, de bicos de pés a procurar um livro que ainda não está escrito...

Terça e quarta-feira (e, depois, durante a semana inteira) toda a imprensa carregava as tintas da disputa de protagonismos, transformando as diferenças em guerras e em discórdias insanáveis. Em duas entrevistas, eles colocaram as coisas no lugar em que as coisas marginais devem ser arrumadas: 
«Eu compreendo que essa componente de encenação na política se tenha tornado uma coisa tão marcante que as pessoas já não consigam viver sem ela, mas nós prescindimos da encenação toda em favor da substância das coisas».(João Oliveira)
«É engraçado ver como no início, em Novembro, cada vez que Bloco, PCP, Os Verdes, ou o PS diziam alguma coisa divergente, havia logo um nervosismo imenso, “ai, ai, ai que isto vai tudo cair, porque é tão instável”. Hoje em dia começa a haver a percepção que este acordo é estável, sólido e, independentemente de haver diferentes posições, não está sempre tudo em causa, a cada momento, mesmo que pensemos de forma diferente.» (Mariana Mortágua

Quinta e sexta-feira, prolongaram os "actos de cidadania" a que me obrigo (folgas, nem ao domingo)  mas que (por enquanto) me dispenso de os trazer aqui.

Hoje, sábado, estava calmamente a ler o jornal, quando um pequeno escaravelho me veio interpelar sobre o meu compromisso. "Quero ser eu a personagem do teu livro". Depois de o tranquilizar e de o pôr a salvo de qualquer gesto incauto, retornei ao artigo do dia, onde o Pacheco Pereira escrevia, sob aquele cabeçalho (onde o escaravelho antes tinha estado) com título significativo: «Quem veja nestes dias um noticiário da televisão sem som parece que o tempo andou para trás. Passos Coelho passeia-se por feiras e encontros de empresários, “inaugura” escolas em autarquias do PSD, tratado como primeiro-ministro, com a postura oficial de um primeiro-ministro, com a bandeira da lapela usada pelos membros do seu Governo e que continua a usar para não deixar dúvidas que se considera ele próprio o primeiro-ministro com direito ao cargo, que outros usurparam numa espécie de golpe de Estado.» (continuar a ler

Não há dúvida que é esta imprensa que suporta e aguenta este “primeiro-ministro no exílio”. E para a semana há mais...