28 setembro, 2010

Qualificações, Desenvolvimento e Produtividade - 2

PROBLEMAS COM O DESENVOLVIMENTO
(texto devidamente avinagrado, conforme me foi solicitado)
Mais um quadro de António Tapadinhas.
Estão enganados se pensam que a parte tétrica são partes de gente. Ossadas de pessoas, não são. Sei disso, não que o pintor mo tenha dito ou eu me tenha posto para aqui a inventar e, sem querer, acertar. Não, não adivinhei a intenção de uma metáfora aqui representada em simbólico cemitério. O que ali jaz é a nossa economia. Reconheço em cada caveira humana o rosto de cada uma das empresas que eu condenei à morte lenta. Até identifiquei as minhas vítimas, como podem relembrar aqui , onde confessei: "Quase todos os projectos onde participei levaram ao encerramento de empresas de grande ou média dimensão ou a alterações profunda na sua missão. A lista é tremenda: Siderurgia Nacional; SAPEC; MAGUE; Companhia Portuguesa do Cobre; MJO; Fundição de Oeiras; A Reguladora; IPETEX; J.B. Corsino; Companhia Portuguesa de Trefilaria; Sociedade Portuguesa dos Sabões… Estas empresas tiveram o meu apoio em projectos inovadores visando replicar efeitos de produtividade e melhoria da qualidade em outras, por feitos de demonstração de boas práticas… As outras replicaram mesmo: ou já fecharam ou acabarão por encerrar." Os quadros seguintes dão a visão global dos efeitos da minha intervenção

O gráfico representa o Volume de Emprego ao longo dos anos em que os sucessivos governos foram governando.
A linha azul do sector primário, representa o número de pessoas em actividades da terra e do mar (agricultura, florestas e pescas) veio por aí abaixo Cavaco Silva bem me dizia "Eh pá olha o mar, olha o mar" mas eu não liguei. Fui parando o Alqueva, despedi os alentejanos e o mar... O mar servia para eu me banhar, passear e outras coisas terminadas em ar e cujas palavras me estão a faltar. Claro que com esses meus devaneios a linha verde tinha de crescer, crescer e engordar. Cresceu o volume de empregos organizadores de passeios, da hotelaria, do comércio de coisas que nos enchiam o olho e a alma de boas coisas de maravilhar e até do corpo alimentar. O sector financeiro cresceu, cresceu e quase toda a gente passou a ter um andar seu... Essa linha verde que representa o sector terciário batia bem com a educação que nos fabricava a ilusão de os fatos de macaco e as alfaias agricolas deverem ser adereços de museu. O responsável por esta cultura, claro que também fui eu... Falta falar do sector secundário da economia representado pela linha vermelha. Parece que cresceu. Não é engano seu. Cresceu mesmo. Vamos ver como...

Agora que já sabem ler quadros, a tarefa está simplificada para entender e até comentar o que eu fiz enquanto PS e PSD andavam a governar. Se o sector secundário cresceu em emprego no seu todo o crescimento não aconteceu nas suas partes.
A industria transformadora (linha azul), veio de trambolhão, quase a cair ao chão. A construção (linha verde)... oh, a construção... essa minha grande paixão.... do cimento e do alcatrão. Enquanto PS e PSD iam governando eu ia fazendo aparecer estradas, muitas estradas. É que o pessoal para sair e desertificar aldeias, vilas e montes precisa de vias para se deslocar. E como a coisa mais importante da vida tem a ver com um ditado popular "quem casa quer casa", o pessoal desatou a comprar casas, mesmo sem casar...

PS E PSD ANDAM NUMA GUERRA TRAMADA QUE NADA TEM A VER COM O DESENVOLVIMENTO DA ECONOMIA. EU ESTOU REFORMADO. ACHO QUE ISTO CORRE O RISCO DE CAIR PARA O LADO

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