29 setembro, 2010

Qualificações, Desenvolvimento e Produtividade - 3

PROBLEMAS COM A PRODUTIVIDADE
(texto devidamente avinagrado, conforme me foi solicitado)

Ana Paula Fitas, do blogue "A Nossa Candeia", editou um excelente post com este mesmo título "Qualificações, Desenvolvimento e Produtividade". Por inveja dessa sua iniciativa, não vos quis endereçar para a sua leitura sem que, primeiro, eu dissesse o que tenho vindo a dizer e mais isto que acabei de escrever. Mas os meus defeitos não se esgotam na inveja, também sou ladrão. Roubei-lhe esse cartoon, aí ao lado, para vos dizer que essa história da produtividade também foi invenção minha, na minha genialidade criativa de consultor, posta ao serviço de quem tem dinheiro e o quer multiplicar rapidamente. A produtividade é um conceito difícil de explicar. Por isso não vou por aí. Digo apenas que nunca me importei por ela não acontecer nos sectores produtivos. Para o sector terciário, o dos serviços, isso sim, vale a pena. Nomeadamente por, tendo-se alargado a classe média, os "proletas" ficarem isolados na pobreza, enquanto esses outros assalariados ficam felizes e contentes com as novas tecnologias e outras magias...
Claro que peguei naquele cartoon roubado e, com preguiça de fazer um de raiz (outro meu defeito, a calanzisse) limitei-me a fazer uma montagem. Uma caixa multibanco ocupa agora o lugar dos que se deixaram atrasar. O progresso social de uma pequena burguesia contente apagou-se de repente. A freguesia procurou facilidades menos dependentes do factor humano. E agora? Agora é do catano. Os processos passam a ter maior componente de tecnologia, tornam-se capital-intensivo quanto eram da mão-de-obra-intensiva. "Porreiro pá" (onde é que eu já ouvi isto?). Assim, o Homem progride. Deixa de sofrer a trabalhar e o cofre de alguns engorda, engorda, engorda...
Não era isso que a pequena burguesia queria? Tempos de ócio, viajar, olhar a natureza e sorrir sem pensar que o sistema tinha que evoluir e tinha defeitos. Não esteve nos últimos anos tão contente? E agora? Agora aguente, que eu ainda não parei. A crise chegar chegou para ficar, serão os bonecos do cartoon a pagar.

CONCLUSÃO

Palavras de Ana Paula Fitas: “não podemos esperar que a produtividade e a competitividade cresçam, num país onde o aparelho produtivo decaiu drasticamente sem ter sido reformado ou renovado e onde as qualificações nem sequer o equacionam como objectivo primeiro...”
Palavras minhas: Não podemos esperar que os ganhos resultantes da produtividade revertam em beneficio dos trabalhadores numa parte ínfima que seja. Na lógica do sistema, o trabalho é um factor de custo a reduzir, tanto quanto for possível e em equilíbrio com o potencial que o trabalho apresenta para pagar as crises financeiras do sistema, como aliás está a acontecer...