09 setembro, 2010

Coisas que me fazem recordar meu avô, Joaquim Bento e Guerreiro (como eu)

Naquela festa que não há outra como ela, na Quinta da Atalaia, ouvi este poema entre acordes e vozes. Vozes do Alentejo. Recordei meu avô, meu mestre e uma outra quinta (que podem também relembrar aqui)

MESTRE BENTO

Mestre Bento, não encontro explicação
para a falta que me faz a cotovia
Não há canto que me fale ao coração
“Antes de se acabar ainda havia”

Mestre Bento, dou a mão à palmatória
não me lembro onde a águia pôs a cria
Será falta de pão para a memória
“Antes de se acabar ainda havia”

Quando falo aos meus botões
dos nossos tempos passados
o céu leva as orações
e a terra os nossos pecados

Mestre Bento, que é feito do gato bravo
que assustava os rapazes e fugia
Nem da toca eu encontro um alinhavo
“Antes de se acabar ainda havia”

Mestre Bento, a ribeira não tem peixe
onde havia para o “caldo” em demasia
Onde param, Mestre Bento, não me deixe
“Antes de se acabar ainda havia”

Quando falo aos meus botões
dos nossos tempos passados
o céu leva as orações
e a terra os nossos pecados


Música: João Gil (in Baile Popular - tá quase...)
Publicada por j. monge