21 março, 2026

HOJE, ASSUMO, MINHA ALMA É ÁRVORE QUE DÁ FRUTO...

 


A pereira no quintal escolheu o dia, hoje,
para se encher de flor.
Ou terão sido os meus olhos, hoje,
mais atentos aos passos da Poesia?
Ela não sabe, mas encheu-me de alegria,
uma alegria miudinha e boa
que veio falar-me de paz.
Sonhar a paz no aconchego
das coisas da terra, quantas vezes?
Deslocámos um grão de areia do deserto,
um caulezinho na montanha
para mover a montanha,
para mudar o deserto.
Eis a Poesia,
essa fé capaz de fertilizar desertos,
de mover montanhas
ou simplesmente
de tornar mais fácil a convivência
com o que nos atormenta.
Lídia Borges

19 março, 2026

REDACÇÕES DO ROGERITO - 53 (Dia do Pai)


Hoje é dia do pai e a stora pediu que eu fizesse uma escrita em que reflicta porque é que eu acho que esta data é tão bonita e ela sugeriu que escrevesse sobre o significado do dia e é disso que eu vou escrever prometendo não divagar sobre o que pensaria e os palavrões que diria o senhor Anacleto lá da loja da esquina se o dia do pai não der para facturar aquelas bujigangas todas e mais os cartõezinhos cheios de desenhinhos de pais e de meninos mas também de pais com meninas pois ele sabe escolher a mercadoria em conformidade com a sua freguesia e se assim não fosse o senhor Anacleto seria apontado por não respeitar a igualdade de género.

Eu gosto muito do dia do pai pois se não houvesse dia do pai também não podia haver dia da mãe nem do avô nem da avó o que era muito mau para todas as crianças que assim teriam de ser todas institucionalizadas.

Mas o que eu gostava muito é que juntassem o dia da mãe com o dia do pai porque assim podia acontecer que ao festejarem pudesse haver mais meninos a nascer coisa que não vai acontecer se continuarem a separar os pais das mães e é por isso que há muitos divorciados.

Rogérito


16 março, 2026

E, SOBRE A FAMIGERADA ENTREVISTA, VOLTO À CARGA


E volto à carga porque o que está em causa é a memória que mantenho de quem tanto amei (mais do que a minha veia poética)... 
Por outro lado, não me resigno a ter tido quase duzentas visualizações e apenas e só um comentário...

 

14 março, 2026

E... CÁ ESTÁ A TAL ENTREVISTA, DIREITINHA (ao vivo e a cores)


Ultrapassadas as dificuldades técnicas, cá está. E não posso deixar de agradecer à Editora AUTOGRAFIA e, muito em particular a Renato Moreira, a quem deixo um reconhecido abraço.

Ah!, e se querem comprar já o meu livrinho, podem fazê-lo aqui.

12 março, 2026

ONTEM, NA MINHA ENTREVISTA EM DIRECTO, O QUE PODIA CORRER MAL... CORREU PIOR

 


Ontem aconteceu mais um dia histórico. O segundo consecutivo, pois na terça-feira a representação da minha peça de teatro, apresentada a mais de 90 crianças das escolas cá do meu sítio, encheu-me o ego...

Mas este dia histórico, foi-o pelas piores razões:

  • A primeira, o meu atraso na chegada à sala. Quem tiver a paciência (veja a publicação acima) de aguentar no escuro a minha espera, verá o que aconteceu, ao vivo;
  • A segunda, dá para perceber os engasgues sucessivos expressos por um rosto, meio-nervoso e de como, de facto, sou melhor na escrita do que a falar sobre ela;
  • Por último, escolhi ler (mal) um poema que não seria o mais indicado para ser lido ali. O poema que devia ter escolhido devia ser o que deu nome ao livro. Este:
O MELHOR DE MIM, SOMOS NÓS
Quem não esquece o passado e não desiste,
Com orgulho mal disfarçado, persiste
Em procurar a utopia que num sonho conheceu?
Eu!

Quem vê uma lágrima, não importa por que dor
Junta outra sua, se necessário for,
pois de ser solidário nunca se esqueceu?
Eu!

Quem em mil metamorfoses e em festa
Aceitou ser árvore escondendo em si a floresta
Para que todos os pássaros pousassem num ramo seu?
Eu!

Quem comigo fez tal caminho
Aceitando valores, defeitos e carinho
Partilhando ausências, frustrações e alegrias, por tabela?
Ela!

Falar de mim é falar de nós...

 Em breve anunciarei o lançamento do meu livro.

10 março, 2026

HOJE, QUASE UMA CENTENA DE CRIANÇAS APLAUDINDO, FEZ-ME SAÍR DE LÁ COM O EGO CHEIO

 Foi esta manhã, num teatro perto de mim (Teatro NOVA MORADA), a primeira de três sessões programadas para as escolas. No salão auditório, cerca de 100 crianças seguiram atentas e, de quando em quando, soltando exclamações ou curtas gargalhadas. No fim, muitas, muitas palmas. Ainda com os aplausos a decorrer, fui chamado ao palco. 

Fiz breve conversa com o "Sr. Futuro", com a sala ouvindo atentamente.

Fiz breve conversa com as crianças, do palco para a plateia. 


Esta conversa começou com a minha pergunta: "Gostaram?" e a resposta, em coro, foi um prolongado "Siiiiim!". Seguiu-se uma segunda pergunta: "E já perguntaram aos vossos professores quais os efeitos de um prolongado uso do telemóvel?" e a resposta, mais uma vez em coro, foi um prolongado "Nãããão!

Seguiu-se as mais que óbvias recomendações, pois "Quando a cabeça não tem juízo, o futuro é que paga!"

09 março, 2026

HOJE, NA ASSEMBLEIA, CRAVOS VERMELHOS? NEM VÊ-LOS


Nem um só cravo! Nem nas lapelas, nem na mesa... mas foi um discurso aberto à esperança! A ver vamos, já dizia o cego!


"No discurso de tomada de posse, entre outros aspectos, o novo Presidente passou em revista a situação internacional e nacional e o papel de Portugal nas diversas instituições internacionais que integra. Depois de saudar os capitães de Abril, António José Seguro chamou a atenção para o quadro político internacional, para a força da lei que foi «substituída pela lei dos mais fortes» e para uma paz que «é hoje mais frágil do que ontem».

No que respeita a Portugal, o novo Presidente da República falou de uma «economia baseada em baixos salários», da pobreza constante, das «dificuldades no acesso à saúde e à habitação» e da desconfiança dos portugueses nas instituições e na política.

Dirigindo-se aos partidos políticos com representação parlamentar, abordou a necessidade de um compromisso político claro, de diálogo, de entendimentos e de «estabilidade democrática», reafirmando o seu «entendimento de que a rejeição da proposta de Orçamento do Estado não implica automaticamente a dissolução da Assembleia da República».

António José Seguro prometeu envolver-se na concretização de um compromisso interpartidário que garanta o acesso dos portugueses à saúde, alertando também para a «discriminação salarial das mulheres portuguesas».

O novo Presidente da República, o sexto após o 25 de Abril, foi eleito para o cargo a 8 de Fevereiro. António José Seguro, que saiu das últimas filas da grelha de partida das eleições presidenciais, perante a hesitação inicial do PS e a oposição de algumas personalidades socialistas, acabou por vencer a primeira volta e derrotar André Ventura na segunda, obtendo 67% dos votos.

No discurso de consagração, na noite da vitória eleitoral, Seguro sublinhou então que, no exercício do cargo de Presidente da República, «os interesses ficam à porta» do Palácio de Belém, porque vê a transparência e a ética como «inegociáveis»."
                                                                                        In "AbrilAbril"




08 março, 2026

EU, RECONHECENDO O ERRO, RETRATEI-ME (CURIOSAMENTE, LOBO ANTUNES NUNCA O TERÁ FEITO)

 

Há três dias atrás, sobre Lobo Antunes, escrevia o que nunca devia ter escrito. Foi assim: "Nunca li nada dele, mas neste meu espaço fui escrevendo sobre o que parecia ser sua alma. Não vou, por respeito à sua partida, fazer rol de tudo aquilo que me afastava da sua escrita. Limito-me a dois apontamentos" e citei-o.  Ao afirmar que nunca lera nada dele, justamente, levei na cabeça... e, reconhecendo ter metido a minha pata na poça, prometi ir ler obra sua. Estou indo a caminho da promessa e tropeço nesta crónica publicada ontem:

"... Carlos Vaz Marques foi depois entrevistar José Saramago, para o número do mês seguinte da revista Ler, e procurou esclarecer o episódio relatado por Lobo Antunes. Começou então por perguntar ao prémio Nobel de 1998 se, ao contrário de Lobo Antunes que dizia não ler obras de Saramago, ele lia os romances do outro escritor.

Saramago disse que “ao princípio, sim”, até que os lia e, depois de um pausa, afirmou: “Pois, para quem nunca leu um romance meu, ele desdobrou-se em opiniões a meu respeito, como escritor. Tem todo o direito a não ter lido e a continuar a não ler, até ao fim da vida, uma só linha minha. Mas, em princípio, isso retira-lhe o direito de julgar”.

Saramago não se ficou por aqui na apreciação e rematou: “E há uma outra coisa, em toda esta história lamentável: eu nunca me comportei, em relação ao Lobo Antunes, como ele em relação a mim”. 

Conclusão: eu, retratei-me; Lobo Antunes, ao que parece, não!

 

05 março, 2026

IN MEMORIAM: ANTÓNIO LOBO ANTUNES ( 1942 - 2026)


 Nunca li nada dele, mas neste meu espaço fui escrevendo sobre o que parecia ser sua alma. Não vou, por respeito à sua partida, fazer rol de tudo aquilo que me afastava da sua escrita. Limito-me a dois apontamentos, citando-o:

"Na minha família os animais domésticos não eram cães nem gatos nem pássaros; na minha família os animais domésticos eram pobres. Cada uma das minhas tias tinha o seu pobre, pessoal e intransmissível, que vinha a casa dos meus avós uma vez por semana buscar, com um sorriso agradecido, a ração de roupa e comida. (...)"

«O livro do não sei o quê [Livro do Desassossego] aborrece-me até à morte. A poesia do heterónimo Álvaro de Campos é uma cópia de Walt Whitman; a de Ricardo Reis, de Virgílio. Pergunto-me se um homem que nunca fodeu pode ser um bom escritor.»

In "OBSERVADOR - Set. 2015"