Nunca li nada dele, mas neste meu espaço fui escrevendo sobre o que parecia ser sua alma. Não vou, por respeito à sua partida, fazer rol de tudo aquilo que me afastava da sua escrita. Limito-me a dois apontamentos, citando-o:
"Na minha família os animais domésticos não eram cães nem gatos nem pássaros; na minha família os animais domésticos eram pobres. Cada uma das minhas tias tinha o seu pobre, pessoal e intransmissível, que vinha a casa dos meus avós uma vez por semana buscar, com um sorriso agradecido, a ração de roupa e comida. (...)"
Extrato de "OS POBREZINHOS "
«O livro do não sei o quê [Livro do Desassossego] aborrece-me até à morte. A poesia do heterónimo Álvaro de Campos é uma cópia de Walt Whitman; a de Ricardo Reis, de Virgílio. Pergunto-me se um homem que nunca fodeu pode ser um bom escritor.»
In "OBSERVADOR - Set. 2015"

Vais ao encontro da minha opiniao.
ResponderEliminarEu sei que não estou sózinho, na minha náusea ao vómito...
EliminarNão foi necessariamente o quis dizer, Rogério. Não sou dada a sentimentos tão drásticos ou a expressar-me por meio de émesis. : ))
EliminarCompreendo-te, amigo Rogerio.
Talvez a minha opinião se aproxime mais da opinião da nossa amiga, ex-professora de português do ensino secundário, que aqui comentou.
Na verdade, nem sempre o seu estilo narrativo é fácil de acompanhar, o que, naturalmente, pode prejudicar a fluidez da leitura.
As metáforas de Os Cus de Judas são demasiado brutais para o meu gosto. Mas não minimizo o seu talento, a sua genialidade. Nem toda a gente gosta dos mesmos “génios”. A paixão pela leitura poderá ser a mesma, mas os gostos poderão ser diferentes.
Sempre me pareceu ser relativamente obscuro no mundo anglófono. Talvez eu esteja errada.
De qualquer forma, deveria ter tido mais projeção a nível mundial.
“Parece que ainda estou a ver um homem de sumptuosos farrapos, parecido com o Tolstoi até na barba, responder, ofendido e soberbo, a uma prima distraída que insistia em oferecer-lhe uma camisola que nenhum de nós queria:
ResponderEliminar— Eu não sou o seu pobre; eu sou o pobre da minha Teresinha.”
Extrato de “Os pobrezinhos”
Tu repetes constantemente o que António Lobo Antunes escreveu sobre o Fernando Pessoa. Lê a poesia de Walt Whitman e compara-a com a poesia de Álvaro de Campos. Se ainda tiveres tempo compara a poesia de Virgílio com a de Ricardo Reis. Quanto à foda, somente sei que Fernando Pessoa era homossexual.
A morte do meu escritor de eleição deixou-me muitíssimo triste.
Nunca perdoei à Academia Sueca não lhe dar o Nobel que ele tanto merecia.
«Acabei de viver no Rosário uma experiência extremamente desagradável: almoçar na mesa contígua de António Lobo Antunes e ter que ouvir as suas apreciações negativas abrangendo tudo, desde o empregado de mesa até ao traseiro das senhoras...»
EliminarSão Banza, não sei se em tom de lamento ou de indignação deixou no facebook esse desabafo, logo seguido de uma tonelada de comentários.
https://www.facebook.com/sao.banza/posts/1785045324917238
Lê o que a tua amiga e “madrinha” escreveu sobre ANTÓNIO LOBO ANTUNES na SEARA de VERSOS.
ResponderEliminarSim! Lí
EliminarMas ela, também diz assim
"Às vezes ouço passar o vento; e só de ouvir o vento passar, vale a pena ter nascido."
Fernando Pessoa
Uma frase de Fernando Pessoa que fala sempre comigo no dia 31 de Maio. Gosto tanto da obra literária do António como a do Fernando.
EliminarGosto muito das suas crónicas, mas sempre tive alguma dificuldade na leitura dos seus romances por serem tão labirínticos, complexos, cheios de avanços e recuos.
ResponderEliminarComo ele disse numa entrevista era preciso ter uma chave especial para ler a sua obra.
Era um escritor muito marcado pela guerra colonial que sofreu na pele e transpôs para muitos dos seus romances.
Abraço
Ò meu Deus!
EliminarO quanto criativo ele era
quando escreveu sobre a guerra
(não me parece que tenha sofrido... nem na pele, nem na alma!)
Abraço
Provavelmente, ANTÓNIO LOBO ANTUNES sofreu na pele e na alma mais do que tu, Rogério. A sua escrita magistral é a prova disso.
EliminarConfesso, Rogério, que esta tua publicação me irritou demais, porque a morte do ANTÓNIO LOBO ANTUNES deixou uma profunda ferida no meu coração ♥️
ResponderEliminarCompreendo, que é legitimo que tu vomites tudo aquilo que te faz feliz no teu blogue e eu não tenho nada que me intrometer
António Lobo Antunes foi, possivelmente, um homem irritante para alguns porque dizia o que pensava sem vacilar, e que venha o que atire a primeira pedra como se algum de nós fosse impoluto. Tirando esse aspecto mais comum a todos nós, humanos, António Lobo Antunes foi um génio da nossa literatura, inventou uma nova forma de dizer um romance.
ResponderEliminarAcrescento uma sugestão de boa vontade, impossível eu sei, era bom que fosse possível que cada um de nós todos, pudesse dar um ou dois dias da nossa vida e por aí fora de geração em geração, para que António Lobo Antunes continuasse a viver... para sempre.
ResponderEliminarLer é um ato difícil que exige o conhecimento de certos códigos linguísticos próprios do texto literário. Por exemplo: é preciso ter em conta um conjunto de figuras de estilo: ironia, humor, sátira ou crítica social/política e entender as entrelinhas e o contexto, subvertendo, por vezes, o plano real.
ResponderEliminarA crónica de António Lobo Antunes que aqui é referida – “Os Pobrezinhos” - foi dedicada a Isabel Jonet (Presidente do Banco Alimentar Contra a Fome), aqui “vista” como uma das “tias” da caridadezinha.
- "Na minha família os animais domésticos não eram cães nem gatos nem pássaros; na minha família os animais domésticos eram pobres" - Trata-se de uma metáfora que tem por objetivo “animalizar” a Pobreza. Denuncia a forma como as classes abastadas viam e tratavam os mais desfavorecidos “bichos de estimação”.
Está implícita, no texto, uma crítica mordaz à caridade hipócrita, à desigualdade social, à fragilidade humana e às relações de poder disfarçadas de bondade.
Não é de bom tom descontextualizar citações que por falta de unidade textual podem levar os leitores a interpretações desfasadas, erradas até e a julgamentos injustos. António Lobo Antunes tem uma obra belíssima e é antes de tudo o mais um Humanista.
E, já agora, seria bom que esse - "Nunca li nada dele" fosse revertido, de algum modo.
Muito oportuno este seu comentário. A maior parte dos que emitem opinião nunca leram António Lobo Antunes. É ver o link que nos envia para o Facebook onde as pessoas fazem os comentários mais rasteiros e revelam as suas pequenas raivas pessoais sem conhecerem a obra genial António Lobo Antunes, chegam a dizer que ele não é um escritor... que pobreza de espírito. Aliás, o Facebook tornou-se um saguão de maledicência, um lugar decadente.
EliminarLi durante muito tempo as suas crónicas na "Visão ", porque gostava da sua maneira de as escrever.
ResponderEliminarLi uns quantos romances dele e nenhum me agradou.
Como pessoa, as duas únicas vezes que estive perto foram desagradáveis, em especial a primeira.
Que tenha Luz !
Abraço , bom fim de semana.
Errar, é humano
ResponderEliminarmas não reconhecer o erro é... estúpido!
E como não sou estúpido reconheço o erro em enveredar por pôr em causa a obra sem nada ter lido. Retrato-me.
Tenho, a atenuar, o ter ido desinquietar a "madrinha da minha escrita" para vir aqui dizer da sua justiça. Ela veio e eu lhe prometo ir ler Lobo Antunes.
Como declaração final deixo dito, em forma de moral desta história:
"Nunca digas do outro, coisas que não gostarias que o outro dissesse de ti"
Estou desculpado?
António Lobo Antunes foi um grande escritor. Difícil de ler em muitos dos seus livros, principalmente os últimos. Que descanse em paz.
ResponderEliminarTudo de bom meu Amigo Rogério.
Um beijo.