06 dezembro, 2014

O que me choca é desvalorização do reforço da esquerda parlamentar em nome de uma eleição inexistente. "Candidato a primeiro ministro"? Sinisto, isto!


Na imprensa, o que me choca não é o chavão, o soundbite, a frase feita. O que me choca é a frase curta, recém adoptada e que, se tivesse o povo o devido cuidado, a desdenharia por falta de significado. O que me choca é a ilusão da óptica. "Candidato a primeiro ministro". Sinistro, isto. Sinistro porque mistifica e desvaloriza o modelo constitucional, sinistro porque desvaloriza a composição parlamentar e induz a crença que todo o poder legitimamente se concentra numa só cabeça e esta só pode ser encontrada de entre os "partidos do arco do poder", essa outra frase sinistra.

04 dezembro, 2014

Olhemos para além dos rostos


Ah, se tudo se pudesse reduzir a uma questão de caras... olhemos, então, para além delas.
Para um, o congresso é um enorme colectivo que discute e assume ideias, compromissos, destinos, sob a forma de orientações e de programa. Para outro, o congresso é uma prova, que aglutina, funde, entrona, e onde as crenças substituem as ideias, dispensam  programas, omitem os compromissos. 
Os rituais, aos olhares menos atentos, quase se assemelham, mas na realidade são muito mais diferentes que as diferenças ostentadas nos sorrisos.
De um, dizem ser "a esquerda radical", do outro "ser do arco do poder". São dizeres que, de tanto repetidos, entram no ouvido e subjacente fica o medo e a ideia subliminarmente inculcada de que ao primeiro corresponde "um partido de protesto", como se o seu congresso se limitasse a um acto de luta e resistência. Para o outro, ser "do arco da governabilidade" é um estatuto independente de valores, pois outros, de valores supostamente inversos, também o são. A imprensa vende a expressão como marca, como garantia da qualidade afiançada e manutenção do paradigma, não como estigma, não como denúncia de continuação da ruína.
Podiam entender-se? Olhando-os, até parece meter raiva que o não tenham feito já. Mas tal é impossível. Pelos interesses que defendem, pelo funcionamento das suas "máquinas partidárias", pela coerência entre os discursos e as práticas. 
Resta ao povo a sabedoria das escolhas...

03 dezembro, 2014

A Municipalização da Educação, o PS de Oeiras e as orientações de António Costa

Marcados para a mesma data, ontem, dois eventos que relacionei, o do PS Oeiras, por iniciativa da organismo local para a educação, com um outro, convocado pelo sindicato dos professores, e que reuniu numa escola em Paço de Arcos. A relação que estabeleci parecia-me inevitável e lógica, estando Oeiras na calha para ser cobaia, natural seria que os professores do PS tratassem o tema, o colocasse à discussão e emitissem opinião. Ledo engano. Caladinhos que nem ratos, que isto de se guardar segredo é mesmo para levar a sério.
Mas passo a alguns detalhes:
Quando uma cara conhecida me viu, comentou admirada: "O Rogério aqui? Mas isto é uma iniciativa do PS!...", lá lhe disse o que me ocorreu dizer, pensando que podia ter sido pouco simpático confrontá-la com as orientações de António Costa e que a surpresa deveria ser minha ao saber que David Justino, consultor de Cavaco, era a estrela da noite. Mas como antes do que vai acontecer toda a esperança não é vã, calei-me. Quem sabe se a Odete João, ou a frugal Joana ou a Luísa Carrilho questionasse Justino?... Ledo engano, apenas a deputada, quadro da FAUL, confrontou Justino com uma afirmação sua - "Se é verdade que um professor nunca deve desistir de um mau aluno, dever-se-ia exigir que isso mesmo começasse pelo Estado". Ao ouvir, disse para Minha Alma, "boa malha!" e aplaudi. Verdade, eu um comunista "ortodoxo" a aplaudir uma socialista... quem diria? E se é verdade que, forçado por uma pergunta oportuna vinda da plateia, ficámos a saber o que Justino pensava da nomeação de professores por parte da autarquia, do PS nem uma palavra sobre tão momentoso tema. Talvez por pressão aconteça mais tarde. Quem sabe? E dizia um socialista desencantado por ver goradas as suas expectativas na conferência: "Vim, à espera de se gerarem conclusões de forma a contrariar o paradigma neoliberal imposto pelo actual ministro. Infelizmente não foi isso que aconteceu!"
O mesmo digo eu, que esperava que me fossem respondidas todas as questões!
Ai se não forem os professores...


Extrato da moção aprovada no plenário do Sindicato doa Professores da Grande Lisboa

NOTA: Todas as citações são de memória

01 dezembro, 2014

Restauração? Qual Restauração?



No 1º de Dezembro de 2009 entrou em vigor o Tratado de Lisboa. Depois de um propalado "porreiro pá", foi o que se viu e sentiu e o que se continua a ver e a sentir. Num futuro próximo (e que seja já amanhã) quero dois feriados, um para cada Restauração.
(acho que António Costa não se referiu a nada disto, o que é um mau indício).