06 fevereiro, 2026

EM DIA DE REFLEXÃO PENSEM NAS 12 RAZÕES PARA NÃO VOTAR NO CANDIDATO EM QUE NÃO VOTO

 


1. 
Ven­tura é a pior face do “sis­tema”.

É um can­di­dato sus­ten­tado num par­tido apoiado e fi­nan­ciado pelos grupos eco­nó­micos do sis­tema ca­pi­ta­lista, que vota a favor da es­pe­cu­lação e dos lu­cros dos grupos eco­nó­micos e fi­nan­ceiros que do­minam o País. O Chega votou a favor da baixa dos im­postos sobre os lu­cros das grandes em­presas, mas votou contra a fi­xação do preço da bo­tija de gás, que fa­vo­re­ceria mi­lhões de fa­mí­lias.

2. 
Ven­tura con­verge com o Go­verno PSD/​CDS e quer apro­fundar essa con­ver­gência.

O Chega acom­panha e tem apro­vado o fun­da­mental da po­lí­tica do Go­verno e des­dobra-se em apelos à con­ver­gência com o Go­verno. A mai­oria dos prin­ci­pais di­ri­gentes do Chega vêm do PSD e do CDS, in­cluindo o pró­prio André Ven­tura. O Chega só não votou fa­vo­ra­vel­mente o Or­ça­mento do Es­tado de 2026 porque o PS o de­so­brigou, sal­vando ele a po­lí­tica de di­reita. A po­sição de su­posta neu­tra­li­dade quanto ao voto em Ven­tura de PSD e CDS pre­tende tornar essa opção de voto acei­tável.

3. 
Ven­tura é res­pon­sável pela po­lí­tica de di­reita, in­cluindo du­rante a troika.

André Ven­tura foi membro do PSD e apoiou su­ces­sivos go­vernos, in­cluindo o go­verno PSD/​CDS de Passos Co­elho e Paulo Portas (2011/​2015). Apoiou e aplaudiu o corte nos sa­lá­rios e nas pen­sões, a eli­mi­nação dos fe­ri­ados, o au­mento dos ho­rá­rios de tra­balho e a sua des­re­gu­lação, a de­gra­dação dos ser­viços pú­blicos, as pri­va­ti­za­ções e en­trega de em­presas es­tra­té­gicas ao ca­pital es­tran­geiro (Te­lecom, CTT, TAP, Ana- Ae­ro­portos, EDP, REN, etc) a al­te­ração das leis da ha­bi­tação que pro­mo­veram a es­pe­cu­lação imo­bi­liária e que cri­aram a mais di­fícil si­tu­ação de acesso à ha­bi­tação desde o re­gime fas­cista. Mas não só apoiou essa po­lí­tica de re­tro­cesso, em­po­bre­ci­mento e tra­gédia na­ci­onal como se opôs à re­po­sição de di­reitos cor­tados que foi pos­sível con­se­guir com a luta dos tra­ba­lha­dores a partir de 2015.

4. 
Ven­tura mudou de dis­curso sobre o pa­cote la­boral, mas não mudou de po­sição. 

Co­meçou por ma­ni­festar a sua dis­po­ni­bi­li­dade para aprovar com o Go­verno o pa­cote la­boral, su­ge­rindo a cri­ação de um grupo de tra­balho con­junto e re­fe­rindo-se de forma crí­tica apenas em re­lação às al­te­ra­ções re­la­tivas ao di­reito à ama­men­tação (em que o Go­verno acei­taria re­cuar). Qua­li­ficou a greve geral como um erro de “sin­di­catos de­sac­tu­a­li­zados” e que já não re­pre­sen­ta­riam nin­guém. Mas o im­pacto da greve geral, vista como justa por largos sec­tores da po­pu­lação, in­cluindo por muitos que vo­taram no Chega, fê-lo mudar de dis­curso, aca­bando a dizer que iria chumbar a pro­posta do Go­verno. Ven­tura fala em tra­ba­lha­dores apenas para di­vidir e iludir que serve de mu­leta ao Go­verno e aos grupos eco­nó­micos no au­mento da ex­plo­ração.

5. 
Ven­tura grita contra cor­rupção, mas as suas pro­postas fa­vo­recem-na.

Apoia as pri­va­ti­za­ções, fonte de cor­rupção e de ne­gó­cios rui­nosos para o País, e está sempre na pri­meira linha no fa­vo­re­ci­mento da banca, da es­pe­cu­lação imo­bi­liária e da en­trada e do­mínio dos grupos eco­nó­micos nos sec­tores da saúde e da edu­cação. Ven­tura fala na cor­rupção mas de­fende o re­gime mais cor­rupto que o País co­nheceu – o fas­cismo. De­fende as pri­va­ti­za­ções, os be­ne­fí­cios fis­cais para os mais ricos, a le­ga­li­zação do trá­fico de in­fluên­cias e tem no seio do seu par­tido al­gumas das mais si­nis­tras fi­guras li­gadas ao crime eco­nó­mico.

6. 
Ven­tura grita contra a cri­mi­na­li­dade, mas con­vive bem com ela.

Em menos de sete anos de exis­tência são inú­meras as si­tu­a­ções cri­mi­nais e ile­gais en­vol­vendo o Chega. Das saídas de di­ri­gentes e eleitos lo­cais à des­con­for­mi­dade das contas par­ti­dá­rias; da ile­ga­li­dade dos es­ta­tutos e normas de fun­ci­o­na­mento do par­tido, con­se­cu­ti­va­mente chum­badas pelo Tri­bunal Cons­ti­tu­ci­onal, à no­me­ação de fa­mi­li­ares de di­ri­gentes e eleitos para ga­bi­netes e ou­tros cargos; da pro­fusão de ar­guidos e con­de­nados por furto, fraude, fuga ao fisco, agressão, pe­do­filia, pros­ti­tuição de me­nores, entre ou­tros crimes, às evi­dentes li­ga­ções a grupos nazis, como o 1143, ou à in­clusão de di­ri­gentes de an­tigas redes bom­bistas, como o MDLP.

7. 
Ven­tura fala na saúde, mas quer des­truir o Ser­viço Na­ci­onal de Saúde e pro­mover o ne­gócio da do­ença.

Propõe um desvio ainda maior de re­cursos pú­blicos do SNS para os grupos eco­nó­micos. O pro­grama ini­cial do Chega, en­tre­tanto con­ve­ni­en­te­mente apa­gado, previa acabar com o SNS e com a Es­cola Pú­blica.

8. 
Ven­tura grita contra a co­mu­ni­cação so­cial, mas foi en­tre­vis­tado na te­le­visão uma vez por se­mana em 2025, em média.

A ex­trema-di­reita tem o apoio de im­por­tantes sec­tores do poder eco­nó­mico, no fi­nan­ci­a­mento, na pre­sença sis­te­má­tica nos grandes meios de co­mu­ni­cação so­cial e no ali­nha­mento desta com a agenda sen­sa­ci­o­na­lista e de­ma­gó­gica. A ex­po­sição me­diá­tica, que já era forte quando era de­pu­tado único, criam uma ilusão de ac­ti­vismo e de de­núncia de pro­blemas, mas es­conde a con­ver­gência com a po­lí­tica de di­reita que está na origem dos mesmos pro­blemas que dizem de­nun­ciar.

9. 
Ven­tura fala de amor à pá­tria, mas cala-se pe­rante o cres­cente do­mínio pelo grande ca­pital es­tran­geiro sobre as nossas em­presas es­tra­té­gicas e a eco­nomia na­ci­onal.

É sub­ser­vi­ente em re­lação à União Eu­ro­peia, tem sau­dades da troike de Passos Co­elho e alinha com as im­po­si­ções e pro­jectos do im­pe­ri­a­lismo norte-ame­ri­cano e a agenda de Do­nald Trump, com os pe­rigos que co­locam à Hu­ma­ni­dade.

10. 
Ven­tura grita contra a imi­gração porque quer tra­ba­lha­dores sem di­reitos.

O re­sul­tado das suas pro­postas é o au­mento da imi­gração de tra­ba­lha­dores sem di­reitos, tor­nando os imi­grantes ainda mais vul­ne­rá­veis à ex­plo­ração por parte dos em­pre­sá­rios que os con­tratam. Por outro lado, quanto maior for o nú­mero de imi­grantes não re­gu­la­ri­zados maior é a pressão exer­cida para baixar os sa­lá­rios de todos os tra­ba­lha­dores.

11. 
Ven­tura é forte com os fracos e fraco com os fortes.

Uma das li­nhas po­lí­ticas da ex­trema-di­reita é a cri­ação de bodes ex­pi­a­tó­rios, ins­tru­men­ta­li­zando pro­blemas reais e sen­ti­mentos de in­jus­tiça mas apon­tando para falsos “cul­pados”, es­con­dendo quem são os ver­da­deiros res­pon­sá­veis, a sua po­lí­tica e os que ga­nham com ela. Culpam imi­grantes pelo au­mento da cri­mi­na­li­dade ou pelas di­fi­cul­dades de acesso à saúde ou às cre­ches e es­colas. Es­tig­ma­tizam a co­mu­ni­dade ci­gana, ge­ne­ra­li­zando com­por­ta­mentos in­di­vi­duais. Falam de sub­sídio-de­pen­dência num país onde sem pres­ta­ções so­ciais a po­breza an­daria perto dos 40% da po­pu­lação. Ven­tura fala das mi­no­rias e atira contra os mais po­bres e ex­cluídos da so­ci­e­dade, para es­conder o seu com­pro­misso, esse sim, com uma mi­noria cada vez mais rica e po­de­rosa que o fi­nancia e lhe dá co­ber­tura nos prin­ci­pais ór­gãos de co­mu­ni­cação so­cial, para que este con­tinue a de­fender, como tem de­fen­dido, os seus in­te­resses.

12. 
Ven­tura tem cri­té­rios e con­cep­ções re­ac­ci­o­ná­rias, re­tró­gradas e an­ti­de­mo­crá­ticas, de con­fronto com a Cons­ti­tuição da Re­pú­blica. 

As­sume uma agenda que vai para lá do com­pro­me­ti­mento com a po­lí­tica de di­reita e de par­tilha de muitas das op­ções do ac­tual Go­verno. Não se podem ig­norar os pe­rigos que re­sul­ta­riam de en­tregar a Pre­si­dência da Re­pú­blica a al­guém, como André Ven­tura, que tem como ob­jec­tivo ex­presso li­quidar o re­gime de­mo­crá­tico, pro­mover va­lores e con­cep­ções fas­ci­zantes, impor o re­tro­cesso, o agra­va­mento da ex­plo­ração, a vi­o­lência e o des­prezo pelas li­ber­dades de­mo­crá­ticas.

Votar contra André Ven­tura não sig­ni­fica apoiar An­tónio José Se­guro nem o seu po­si­ci­o­na­mento po­lí­tico, que aliás fala por si. Um po­si­ci­o­na­mento que tem tido a firme opo­sição e de­núncia por parte dos co­mu­nistas ao longo dos anos, in­cluindo nesta cam­panha elei­toral. Estas elei­ções não são um con­fronto entre es­querda e di­reita, como al­guns dizem por aí. No en­tanto, com Ven­tura na Pre­si­dência da Re­pú­blica, tudo o que está mau, fi­caria ainda pior. A mu­dança que Ven­tura quer é a de um re­gresso a um pas­sado de po­breza, ex­plo­ração, ne­gação de di­reitos e vi­o­lência sobre os tra­ba­lha­dores, as mu­lheres, os jo­vens, os de­mo­cratas e pa­tri­otas. As suas pro­postas atacam os fun­da­mentos do re­gime de­mo­crá­tico, as li­ber­dades e ga­ran­tias, o que é evi­dente na pro­posta de re­visão cons­ti­tu­ci­onal do Chega, de des­truição da Cons­ti­tuição e dos di­reitos e li­ber­dades que esta con­sagra.

Para im­pedir que André Ven­tura seja eleito Pre­si­dente da Re­pú­blica é ne­ces­sário der­rotar a sua can­di­da­tura. O único voto pos­sível para a der­rotar é o voto na can­di­da­tura de An­tónio José Se­guro. Opção que, re­pe­timos, não sig­ni­fica apoio a este can­di­dato nem ao seu po­si­ci­o­na­mento po­lí­tico.

in jornal Avante, de 5/02/2026



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