27 novembro, 2011

Homilias dominicais (citando Saramago) - 59

A candidatura do Fado a Património Imaterial da Humanidade é um trabalho sério, limpo e belo. O meu amigo Rodrigo (Folha Seca) sobre isso postou e é recomendável conhecer (eu não conhecia...)
HOMILIA DOMINICAL
Hoje não cito Saramago, ou não o faço directamente. Não acho abusivo falar por palavras de quem o acompanhou e amou: Pilar del Rio deu voz à Fundação José Saramago no apoio à candidatura do Fado a Património Imaterial da Humanidade. 
Acredito profundamente que Saramago, se estivesse connosco, o faria com palavras suas. Atrevo-me a imaginar que seriam palavras de destino nosso, ligado a esse nosso cantar. Imagino (sonho) que daria à expressão do fado aquilo que lhe está destinado e para tanto estamos fadados: Novas sonoridades, novas palavras e vozes espalhadas por todas as partes que guardam o povo português no seu coração. Acho que o Mundo nos estima, mais do que nos estimamos nós
Beijo de Saudade
"Ondas sagradas do Tejo
Deixa-me beijar as tuas águas
Deixa-me dar-te um beijo
Um beijo de mágoa
Um beijo de saudade
Para levar ao mar e o mar à minha terra
Nas tuas ondas cristalinas
Deixa-me dar-te um beijo
Na tua boca de menina
Deixa-me dar-te um beijo, óh Tejo
Um beijo de mágoa
Um beijo de saudade
Para levar ao mar e o mar à minha terra..."
..............................................................Mariza/Tito Paris (ver letra)



Fado Tropical
.
“... Com avencas na caatinga, alecrins no canavial
Licores na moringa, um vinho tropical
E a linda mulata com rendas de Além-Tejo
De quem numa bravata arrebata um beijo

"..."

Guitarras e sanfonas, jasmins, coqueiros fontes
Sardinhas mandioca num suave azulejo
E o rio Amazonas que corre Trás-os-Montes
E numa pororoca desagua no Tejo
Ai esta terra ainda vai cumprir seu ideal
Ainda vai tornar-se um império colonial”

..............................................................Chico Buarque (ver letra)

24 novembro, 2011

Estive lá...

Três notas de resposta à intervenção da PSP:
  • A firmeza, calma e argumentada
  • A presença da juventude
  • De 11 carros saíram três, pelo portão do fundo, porque a vida é dura e a alma sempre fura... (não sei que pensarão aqueles motoristas e restante tripulação) 
Esta imagem, sendo real, é abusiva: Pretende fazer passar o que ficou longe de ser o dia

Para o dia depois da Greve


"Bandeiras Vermelhas" -  Maria Helena Vieira da Silva

Elogio da Dialéctica
A injustiça avança hoje a passo firme
Os tiranos fazem planos para dez mil anos
O poder apregoa: as coisas continuarão a ser como são
Nenhuma voz além da dos que mandam
E em todos os mercados proclama a exploração;
isto é apenas o meu começo

Mas entre os oprimidos muitos há que agora dizem
Aquilo que nòs queremos nunca mais o alcançaremos

Quem ainda está vivo não diga: nunca
O que é seguro não é seguro
As coisas não continuarão a ser como são
Depois de falarem os dominantes
Falarão os dominados
Quem pois ousa dizer: nunca
De quem depende que a opressão prossiga? De nòs
De quem depende que ela acabe? Também de nòs
O que é esmagado que se levante!
O que está perdido, lute!
O que sabe ao que se chegou, que há aì que o retenha
E nunca será: ainda hoje
Porque os vencidos de hoje são os vencedores de amanhã
 Bertold Brecht