A nossa admirável poeta
A minha querida avó
Anda com forte maleita
Mas ainda canta, oiçam só
A nossa admirável poeta
A minha querida avó
Anda com forte maleita
Mas ainda canta, oiçam só
«A vida é demasiado curta para nos permitir interessar-nos por todas as coisas, mas é bom que nos interessemos por tantas quantas forem necessárias para preencher os nossos dias.» ou “O tempo que você gosta de perder não é tempo perdido.”
Bertrand Russel, dixit
Ao lado da falta de planeamento do território, de modo coincidente com a centralização dos poderes, assistia-se a tudo e mais alguma coisa...
Cerca de 28 anos depois de um referendo que recusou as regiões, com 19% a dizer que a questão não deve voltar a ser discutida, assistiu-se a novo inquérito e no estudo "O que pensam os portugueses 2025 -- Descentralização, Desconcentração e Regionalização", a que a Lusa teve acesso, revelou que 71% dos inquiridos defendem que a regionalização "deve ser discutida de novo".
Agora, com o País todo a tropeçar em inundações e abatimentos, não há outro caminho: Regionalização? É já!
Se já em 2009 se reconheciam vantagens, imagine agora!

Você é um homem?
Bah! Hoje você é palhaço!
Vista sua fantasia,
passe pó vermelho no rosto.
Aqui as pessoas pagam e querem rir.
E se Arlequim (a morte)
lhe roubou sua Colombina,
ria, palhaço, e todos vão aplaudir!
Mude para risos
esses seus espasmos e o choro,
vire o soluço e faça uma cara engraçada
Ah! Corra com a dor
Ria! Ria Palhaço,
no seu amor em pedaços.
Ria da dor que lhe envenena seu coração
Rogério Pereira - Fevereiro/2024
"I paglacci", letra adaptada
António José Seguro ganhou hoje a segunda volta das presidenciais em Alcácer do Sal, Arruda dos Vinhos e Golegã, os três concelhos que adiaram as eleições uma semana devido ao mau tempo. Foi elevadíssima a abstenção, o que significa que foram muitos os eleitores que não cumpriram o seu dever de cidadania.
Tal me faz lembrar isto, não há muito aqui deixado escrito
O discurso pronunciado por José Saramago na cerimónia de entrega dos Prémios Nobel, a 10 de dezembro de 1998, data em que se celebrava o 50.o aniversário da Declaração Universal de Direitos Humanos, teve consequências: a Universidade Autónoma do México e a Fundação José Saramago assumiram a proposta do escritor para elaborar, a partir da sociedade civil, uma simetria da Declaração de Direitos. Assim nasceu a Declaração de Deveres Humanos, documento cívico que reivindica a importância dos cidadãos na construção da sociedade melhor defendida pela Declaração Universal de Direitos Humanos. Juristas, activistas e políticos de vários países, reunidos na Cidade do México, deram vida a um documento de responsabilidade cívica que posteriormente, em 2018, foi entregue à Comissão de Direitos Humanos da ONU e ao seu Secretário-Geral, António Guterres. Trata-se de um contributo mais porque, como escreveu José Saramago, «Somos a memória que temos e a responsabilidade que assumimos. Sem memória não existimos, sem responsabilidade talvez não mereçamos existir.»
... e é este o texto do documento:
preâmbulo
Atendendo às crescentes desigualdades e violações de direitos humanos e às dificuldades em realizar os objectivos desenhados para o desenvolvimento harmonioso da humanidade na sua globalidade;
Entendendo que a Declaração Universal de Direitos Humanos afirma no seu artigo 29 que todas as pessoas devem assumir os seus deveres jurídicos com respeito às suas comunidades;
Aceitando que as possibilidades de alcançar o desenvolvimento pleno das pessoas não se esgotam no cumprimento dos deveres jurídicos, sendo as obrigações éticas igualmente indispensáveis para a sustentabilidade do Estado de Direito;
Reconhecendo que, pelo seu poder, capacidade ou função social, as pessoas e os diversos actores sociais possam ter graus diferentes de responsabilidade na sua contribuição para o desfrute de direitos por parte de todos.
declaramos:
um
Todas as pessoas têm o dever de cumprir e exigir o cumprimento dos direitos reconhecidos na Declaração Universal de Direitos Humanos e nos restantes instrumentos nacionais e internacionais assim como das obrigações necessárias à sua efectiva realização.
dois
Todas as pessoas têm o dever e a obrigação de um exercício solidário e não abusivo dos direitos e de desfrutar responsavelmente dos bens e serviços.
três
Todas as pessoas, e especialmente as organizações sociais, económicas e culturais, têm o dever e a obrigação de não discriminar e de exigir o combate à discriminação por motivo de raça, cor, sexo, idade, género, identidade, orientação sexual, língua, religião, opinião política, ideologia, origem nacional, étnica ou social, deficiência, propriedade, nascimento ou qualquer outro motivo.
PROVOCAÇÃOLevantei-meBarbei-meE fiz o que sempre façoMascarei-me de palhaçoDesci à ruaAndeiDepois atravesseiSegui em frentePassando por muita genteGentePassando indiferenteSubi a ruaAndeiRegresseiTanta, tanta gentePassando indiferenteSó então repareiTinham todos a mesma máscaraFazemos parteda mesma palhaçadaAh, o que teria ridoFosse eu, palhaço ricoRogério Pereira, reeditado (c/alterações)
Ah!, e se são contos de amor?São, sim senhor!DE AMOR SENTIDODE AMOR VIVIDO...
... A DOIS
• de Sonho - O impossível é tão só e apenas aquilo que ainda não aconteceu;• de Utopia - Quem antes via apenas a árvore / pode agora ver / através de mim / a floresta;• de Esperança - Havemos de emendar o rumo errado.
E, então, a Poesia…
E é dela esta linda "TELA", ora deliciem-se:
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| Imagem roubada à Olívia Marques, no FB |
E como tudo o que é coisa que promete
A gente vê é como uma chiclete
Que se prova, mastiga e deita fora, se demora
Como esta música é produto acabado
Da sociedade do consumo imediato
Como tudo o que se promete nesta vida, chiclete
Chiclete. Chiclete
E nesta altura e com muita inquietação
Faço um reparo e quero abrir uma excepção
Um cassetete nunca será não, chiclete
Pra que tudo continue sem parar
Fundamental levar a vida a dançar
Nesta vida que tanto promete, chiclete
Chiclete. Chiclete
E como tudo o que é coisa que promete
A gente vê como uma chiclete
Que se prova, mastiga e deita fora, se demora
Como esta música é produto acabado
Da sociedade de consumo imediato
Como tudo o que se promete nesta vida, chiclete
É um candidato sustentado num partido apoiado e financiado pelos grupos económicos do sistema capitalista, que vota a favor da especulação e dos lucros dos grupos económicos e financeiros que dominam o País. O Chega votou a favor da baixa dos impostos sobre os lucros das grandes empresas, mas votou contra a fixação do preço da botija de gás, que favoreceria milhões de famílias.
O Chega acompanha e tem aprovado o fundamental da política do Governo e desdobra-se em apelos à convergência com o Governo. A maioria dos principais dirigentes do Chega vêm do PSD e do CDS, incluindo o próprio André Ventura. O Chega só não votou favoravelmente o Orçamento do Estado de 2026 porque o PS o desobrigou, salvando ele a política de direita. A posição de suposta neutralidade quanto ao voto em Ventura de PSD e CDS pretende tornar essa opção de voto aceitável.
André Ventura foi membro do PSD e apoiou sucessivos governos, incluindo o governo PSD/CDS de Passos Coelho e Paulo Portas (2011/2015). Apoiou e aplaudiu o corte nos salários e nas pensões, a eliminação dos feriados, o aumento dos horários de trabalho e a sua desregulação, a degradação dos serviços públicos, as privatizações e entrega de empresas estratégicas ao capital estrangeiro (Telecom, CTT, TAP, Ana- Aeroportos, EDP, REN, etc) a alteração das leis da habitação que promoveram a especulação imobiliária e que criaram a mais difícil situação de acesso à habitação desde o regime fascista. Mas não só apoiou essa política de retrocesso, empobrecimento e tragédia nacional como se opôs à reposição de direitos cortados que foi possível conseguir com a luta dos trabalhadores a partir de 2015.
Começou por manifestar a sua disponibilidade para aprovar com o Governo o pacote laboral, sugerindo a criação de um grupo de trabalho conjunto e referindo-se de forma crítica apenas em relação às alterações relativas ao direito à amamentação (em que o Governo aceitaria recuar). Qualificou a greve geral como um erro de “sindicatos desactualizados” e que já não representariam ninguém. Mas o impacto da greve geral, vista como justa por largos sectores da população, incluindo por muitos que votaram no Chega, fê-lo mudar de discurso, acabando a dizer que iria chumbar a proposta do Governo. Ventura fala em trabalhadores apenas para dividir e iludir que serve de muleta ao Governo e aos grupos económicos no aumento da exploração.
Apoia as privatizações, fonte de corrupção e de negócios ruinosos para o País, e está sempre na primeira linha no favorecimento da banca, da especulação imobiliária e da entrada e domínio dos grupos económicos nos sectores da saúde e da educação. Ventura fala na corrupção mas defende o regime mais corrupto que o País conheceu – o fascismo. Defende as privatizações, os benefícios fiscais para os mais ricos, a legalização do tráfico de influências e tem no seio do seu partido algumas das mais sinistras figuras ligadas ao crime económico.
Em menos de sete anos de existência são inúmeras as situações criminais e ilegais envolvendo o Chega. Das saídas de dirigentes e eleitos locais à desconformidade das contas partidárias; da ilegalidade dos estatutos e normas de funcionamento do partido, consecutivamente chumbadas pelo Tribunal Constitucional, à nomeação de familiares de dirigentes e eleitos para gabinetes e outros cargos; da profusão de arguidos e condenados por furto, fraude, fuga ao fisco, agressão, pedofilia, prostituição de menores, entre outros crimes, às evidentes ligações a grupos nazis, como o 1143, ou à inclusão de dirigentes de antigas redes bombistas, como o MDLP.
Propõe um desvio ainda maior de recursos públicos do SNS para os grupos económicos. O programa inicial do Chega, entretanto convenientemente apagado, previa acabar com o SNS e com a Escola Pública.
A extrema-direita tem o apoio de importantes sectores do poder económico, no financiamento, na presença sistemática nos grandes meios de comunicação social e no alinhamento desta com a agenda sensacionalista e demagógica. A exposição mediática, que já era forte quando era deputado único, criam uma ilusão de activismo e de denúncia de problemas, mas esconde a convergência com a política de direita que está na origem dos mesmos problemas que dizem denunciar.
É subserviente em relação à União Europeia, tem saudades da troika e de Passos Coelho e alinha com as imposições e projectos do imperialismo norte-americano e a agenda de Donald Trump, com os perigos que colocam à Humanidade.
O resultado das suas propostas é o aumento da imigração de trabalhadores sem direitos, tornando os imigrantes ainda mais vulneráveis à exploração por parte dos empresários que os contratam. Por outro lado, quanto maior for o número de imigrantes não regularizados maior é a pressão exercida para baixar os salários de todos os trabalhadores.
Uma das linhas políticas da extrema-direita é a criação de bodes expiatórios, instrumentalizando problemas reais e sentimentos de injustiça mas apontando para falsos “culpados”, escondendo quem são os verdadeiros responsáveis, a sua política e os que ganham com ela. Culpam imigrantes pelo aumento da criminalidade ou pelas dificuldades de acesso à saúde ou às creches e escolas. Estigmatizam a comunidade cigana, generalizando comportamentos individuais. Falam de subsídio-dependência num país onde sem prestações sociais a pobreza andaria perto dos 40% da população. Ventura fala das minorias e atira contra os mais pobres e excluídos da sociedade, para esconder o seu compromisso, esse sim, com uma minoria cada vez mais rica e poderosa que o financia e lhe dá cobertura nos principais órgãos de comunicação social, para que este continue a defender, como tem defendido, os seus interesses.
Assume uma agenda que vai para lá do comprometimento com a política de direita e de partilha de muitas das opções do actual Governo. Não se podem ignorar os perigos que resultariam de entregar a Presidência da República a alguém, como André Ventura, que tem como objectivo expresso liquidar o regime democrático, promover valores e concepções fascizantes, impor o retrocesso, o agravamento da exploração, a violência e o desprezo pelas liberdades democráticas.
Votar contra André Ventura não significa apoiar António José Seguro nem o seu posicionamento político, que aliás fala por si. Um posicionamento que tem tido a firme oposição e denúncia por parte dos comunistas ao longo dos anos, incluindo nesta campanha eleitoral. Estas eleições não são um confronto entre esquerda e direita, como alguns dizem por aí. No entanto, com Ventura na Presidência da República, tudo o que está mau, ficaria ainda pior. A mudança que Ventura quer é a de um regresso a um passado de pobreza, exploração, negação de direitos e violência sobre os trabalhadores, as mulheres, os jovens, os democratas e patriotas. As suas propostas atacam os fundamentos do regime democrático, as liberdades e garantias, o que é evidente na proposta de revisão constitucional do Chega, de destruição da Constituição e dos direitos e liberdades que esta consagra.
Para impedir que André Ventura seja eleito Presidente da República é necessário derrotar a sua candidatura. O único voto possível para a derrotar é o voto na candidatura de António José Seguro. Opção que, repetimos, não significa apoio a este candidato nem ao seu posicionamento político.
in jornal Avante, de 5/02/2026
Disse-lhe um diaLogo, ao jantar,não haverá o que sempre houve,não haverá à volta da mesa:a alegria costumadanão cantarás
não cantareinão cantarãonão cantaremosNão haverá velas num bolo,troca de olhares
e flashes(os miúdos não vão poder apagaras velas, nem também cantar)Depois,depois não fará sentido voltar a dizerAh, quanto te quero bem...Ou, saudoso, talvez ainda digaaquela frase batidaassimSe não fosses tunão sei o que seria de mim
da vida que me resta
Rogério Pereira/6Fev2026
Avancemos, até que o Sol nos apareça
Uns dizem palavras de desalento
Outros que esperam ter esperança em Maio
A maior parte, não fala e quando saio
Oiço queixas veementes de tão mau tempo
Resguardo-me dos estados de alma
E do silêncio resignado e mudo
Avanço chuva adentro, que não se acalma
Sem esperar que lave os males deste mundo
Meu irmão falou-me de relâmpagos, na escarpa
A nuvem falou-me de trovões e do vento
Um raio que parta tudo isto, ouvi neste momento
Desabafo da impotência que daquela voz se escapa
Avancemos, chuva adentro
Chuva adentro
Até que o Sol nos apareça, e brilhe
como se fosse AbrilRogério Pereira - Fevereiro/2016
(transcrições de um trabalho do economista Eugénio Rosa)
POR QUE RAZÃO A EXTREMA-DIREITA ESTÁ A CRESCER EM PORTUGAL ? – Os muitos ricos estão a ficar cada vez mais ricos e a maioria da população pobre está cada vez mais pobre.Muitos portugueses, nomeadamente aqueles que têm acesso fácil aos órgãos de comunicação social e que, dessa forma, condicionam a opinião pública, espantam-se, não compreendem e insurgem-se mesmo pelo facto de tantos portugueses serem atraídos e votarem nos partidos da extrema-direita. A ascensão da extrema-direita é um facto que está a acontecer em todos os países da U.E., e em outros países como a Inglaterra e os EUA e na América Latina. Esse espanto e incompreensão resulta, a nosso ver, de se esquecerem que é o “ser que determina a consciência” , e não o contrário, ou seja, as condições materiais da vida influenciam de forma decisiva as opções da maioria dos indivíduos” . A deterioração das condições de vida da maioria da população, o aumento das desigualdades e a incerteza em relação ao seu futuro, tudo isto agravado por guerras e sanções, e agora pela corrida ao rearmamento da U.E. e os consequentes cortes nas despesas sociais (o SNS é já uma vítima), pela desagregação da globalização capitalista, pela fragmentação das cadeias de abastecimento, pela politica de Trump na tentativa de tornar os EUA, em claro declínio, “novamente grande”; tudo isto combinado com a incapacidade dos governos para inverter esta situação (as suas medidas só a têm agravado, ex. SNS, escola pública, pensões, etc.) estão a contribuir para toda esta grave crise politica e social. Neste artigo procuramos mostrar, com base em dados oficiais, como o agravamento das desigualdades e das condições de vida em Portugal constitui um contributo importante para tornar o discurso populista da extrema-direita mais apelativo, incluindo junto de jovens que não conseguem vislumbrar um futuro com perspetivas e levar muitos portugueses a votarem neles.AS DESIGUALDADES ENORMES NA DISTRIBUIÇÃO DA RIQUEZA EM PORTUGAL NÃO PARARAM DE AUMENTAR ENTRE 2011 E 2024: os ricos estão cada vez mais ricos (+200400 M€), e metade da população pobre continuou na pobreza (+13437 M€)
Para aceder ao estudo integral, ver aqui