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| O Júlio e eu |
Creio que será mesmo desta. A porta abriu-se há exactamente dois anos, mas não se terá fechado. Sobe-o num reencontro inesperado em contexto triste (o velório de um comum amigo). Pediu-me que me sentasse com ele e, estendendo-me a aparelhagem, pediu-me que o escutasse. Assim fiz... e gostei. Gostei da sua voz. Gostei do ritmo hip-hop. Gostei do que ouvi. E depois de lho ter dito, foi a vez de ele me dizer que iria para a frente com o projecto...
Recordo então o texto que anunciava a abertura da porta:
"Lembram-se que todos vós me "empurraram" para que aceitasse o desafio? E que teríamos que iniciar um caminho, de "trabalho, a quatro mãos"?
O primeiro passo foi dado, enviando-lhe trabalho meu, um tal livrinho "O melhor de mim somos nós - e outros poemas" que o terá atingindo, em cheio, na alma. De pronto marcámos encontro, que decorreu esta manhã na "minha esplanada". Trocámos ideias sobre os passos seguintes, depois do Júlio me dar conta da sua escolha. Disse-me ele "o poema que mexe comigo está na página 13!"
E o que antes era um poema, passou agora a ler letra. Esperemos a canção do Júlio.
PEDRA, DEPOIS PÓ
E FINALMENTE VIDA
Olhei a pedra
Fria, Estúpida, Parada
Calada
De tanto a olhar, julguei-a bela
Transformei-me nela
Frio, Estúpido, Parado
Calado
Sem destino sequer
de pedrada no charco
Sujeito à degradação do relento
e à erosão do vento
em breve serei póNão olhes para mim, assim
Mexe-te, ao menosA pouco e pouco se mexeram
e num repente
o Mundo assistiu
ao despertar das pedras
Rogério Pereira



