05 fevereiro, 2022

LÁGRIMAS, MESMO SE MUITO CHORADAS, NÃO REFORÇAM ÁGUAS...


Chegámos ao limite. O drama já vem de longe, como recentemente tenho documentado. E as lágrimas, mesmo se muito choradas, não reforçam os rios, lagos, barragens, bacias hidrográficas. 

Mais recentemente, exactamente a 24 de Setembro de 2020, foi apresentado na Assembleia da República um "Plano Nacional para prevenir e combater os efeitos da Seca" votado em Plenário no dia seguinte. Do chumbo, então registado, dá-se nos dias que correm os efeitos dramáticos consequentes. 

Podeis chorar de angústia. Meu choro é de raiva. Chorem comigo!

04 fevereiro, 2022

QUE SERIA DOS RIOS, COM UMA SÓ GOTA


 UNIÃO*

Que seria dos rios
com uma só gota.

Que seria dos aplausos
com uma só mão.

Que seria do arco-íris
com uma só cor.

Que seria da árvore
com um só ramo.

Que seria da sementeira
com uma só semente.

Que seria da terra
com um só ser.

Que seria da luta
com uma só voz.

Que seria da força
sem a união.

Fátima Galia Mohamed Salem

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*Poema roubado ao Rei dos Leittões

03 fevereiro, 2022

QUEM SECOU O MEU ALENTEJO? QUEM ESTOIROU COM O MEU SONHO? - II [sobre os culpados]


Ontem, deixei duas perguntas: Quem, depois de alguém, veio estoirar de vez com o meu sonho? Quem semeou o pesadelo? Eis uma insuspeita resposta:
«Um artigo publicado na Der Spiegel, a mais prestigiada revista de informação alemã, sobre a desastrosa situação ambiental, social e económica que se vive no Sudoeste português à mercê da agricultura intensiva...
O texto sugere que a pobreza e desertificação do Alentejo torna a região um alvo fácil da atenção de empresas cujos escrúpulos ambientais e sociais são inversamente proporcionais aos números de facturação do sector, organizando-se em redes complexas «de corporações agrícolas multinacionais, grandes proprietários de terras locais e empresas comerciais europeias», operando à margem da inexistente fiscalização portuguesa...
(...)
Ao diagnóstico da Der Spiegel, o Juntos pelo Sudoeste acrescenta que «este ímpeto agrícola só é possível porque o Estado português abdicou de cuidar e vigiar partes muito significativas do seu território... 
Por fim, remata que este trabalho de investigação é «mais um passo na divulgação da situação insustentável dos concelhos de Odemira e Aljezur, como consequência do avanço imparável da agricultura intensiva focada na exportação, que compromete um Parque Natural, fractura o maior concelho do país, usa e abusa da água, factura 250 milhões de euros anuais, recebe benefícios fiscais, paga impostos não se sabe bem onde mas certamente não em Odemira, remunera a sua força laboral pelo mínimo, desresponsabiliza-se das suas condições miseráveis de vida e ainda acena a bandeira do “desenvolvimento económico”, quando o que de facto deixa no Sudoeste é a degradação ambiental e social que se vê a olho nu».
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02 fevereiro, 2022

QUEM SECOU O MEU ALENTEJO? QUEM ESTOIROU COM O MEU SONHO?

 

Sim, apesar da promoção ser o que estava sendo, eu acalentava o sonho. Sonhava, há dez anos atrás, ver o meu Alentejo de "celeiro da nação" passar a ser a região onde tudo se desse. Sonhava com a autonomia alimentar e com tudo aquilo que agora a realidade nega. E tenho o pesadelo como certo, o da fome. É que a terra, desnutrida e cansada não dará nada...

Quem, depois de alguém, veio estoirar de vez com o meu sonho? Quem semeou o pesadelo?