Estamos no porão de um Vera Cruz, submissos perante um destino negro sem ar, sem espaço, sem luz queixando-nos sem agir, por ter medo ou por ignorância e falta de sentido da nossa gravidade (*), aquela que, em algumas circunstâncias, nos leva à superação ou à revolta
(*) A escritora Lídia Jorge disse (cito de cor) em sessão realizada na véspera da Greve Geral, que o povo português se afirma com um comportamento grave perante outros contextos, dando como exemplo a situação do imigrante que se assume com enorme gravidade quando confrontado com a adversidade de encarar e sobreviver noutras sociedades. Quando regressa, perde essa gravidade com que encarava a vida.