10 setembro, 2014

E assim se pode vir dizer nada em horário nobre, enquanto a realidade enegrece...

É curioso, neste segundo debate fica a impressão de que eles fizeram um pacto de não agressão... entre eles e esta Europa, entre eles e o neoliberalismo...
Lembro que, no inicio de Junho, recebia de uma amiga, via e-mail, um zangado texto depois do meu Partido vir insistir na demissão do Governo, na sequência das eleições Europeias. Dizia-me ela assim:
«eleições antecipadas agora? com o PS no estado em que está?
então gostam de Passos. só posso concluir isto. Passos  por mais quatro anos?
desejam o quê? a política da terra queimada ou seja quanto pior melhor? discordo inteiramente
haja juízo»
Respondi-lhe com cenários, que a realidade vem comprovando. Não sei se ela se mantém simpatizante e vai votar nas "primárias", é provável. Entretanto, em horário nobre, o discurso quanto ao essencial é pobre, enquanto a nossa empobrecida terra vai ardendo na fogueira da cedência e da complacência perante as imposições que não param (e da qual eles delas não falam). Na disputa, não se vislumbram diferenças substanciais, o que confirma o cenário mais provável: não será com este PS que a dura realidade mudará. Uma realidade cínica. Uma realidade em que os empobrecidos beijam a mão aos empobrecedores. Uma realidade em que Europa exige ver novos cortes das pensões "até ao final de 2014". Uma realidade que empurra Portugal para uma ainda maior liberalização na formação dos salários e para a suspensão dos acordos colectivos mutuamente acordados. Essa a verdadeira política de terra queimada! Sobre isso, disseram nada!

...mas sobre o nada que disseram, aconselho alguém que descortinou mais que eu!