21 junho, 2015

Homilias dominicais (citando Saramago) - 105 [Posfácio 1]

Depois de há muito ter escrito "fim", dou o escrito por não dito e regresso a textos de Saramago. Dispenso razões para tal. Apenas constato: depois de decorridos 5 anos sobre a sua partida (18 de Junho de 2010), ele continua aí. Intervindo. Mais vivo que os que estando vivos parecem que há muito mais tempo terão morrido. Só por isso, não desejo paz à alma dos que por aí andam.


«...Em princípio, a nenhuma comunidade mentalmente sã lhe passaria pela cabeça a ideia de eleger traficantes de armas e de drogas ou, em geral, indivíduos corruptos e corruptores para seus representantes nos parlamentos ou nos governos, porém, a amarga experiência de todos os dias mostra-nos que o exercício de amplas áreas do poder, tanto em âmbitos nacionais como internacionais, se encontra nas mãos desses e de outros criminosos, ou dos seus mandatários políticos directos e indirectos. Nenhum escrutínio, nenhum exame microscópico dos votos lançados numa urna seria capaz de tornar visíveis, por exemplo, os sinais denunciadores das relações de concubinato entre a maioria dos Estados e grupos económicos e financeiros internacionais cujas acções delituosas, incluindo aqui as bélicas, estão a levar à catástrofe o planeta em que vivemos...» 
José Saramago, texto no Expresso