09 junho, 2015

O latim, o grego, o acordo ortográfico e o ministro Crato

Quando há tempos escolhi ser Viriato, por razões que agora não vêm à baila, não fazia a mínima ideia de que o chefe lusitano nem falava português, que a sua linguagem era  proto-celta e que o latim viera a ser imposto na península pelo invasor como politica colonial associada à romanização dos povos. Nem sei detalhes sobre as origens do português, nem mesmo se D. Afonso Henriques o usava ou se era a língua materna (de sua mãe), já que essa seria a base da conversa doméstica. Presumo, sem ter ido confirmar, que as universidades terão sido sempre (e são) as instituições onde a história e a cultura se arruma e, assim, teremos de agradecer a D. Dinis (Estudos Gerais) a consolidação do português enquanto língua que Camões, mais tarde, iria (tão bem) cantar...
Quando há tempos decidi, entre Sólon e Clistenes, escolher este para intervir em actos de cidadania neste espaço, não foi para me alargar na vasta cultura helénica nem para ir mergulhar na densa (e bela) e variada mitologia grega. Foi ao pensamento grego a que me apeguei e apego.
Por isso, pela língua latina e pelo que julgo fazer parte da minha identidade, não podia discordar da decisão de Crato em introduzir, já no próximo ano lectivo, no ensino básico, uma nova disciplina de cultura e línguas clássicas. Por tudo o escrito não me contradigo: estou de acordo e até saúdo. O problema é outro. E esse repito-o no que disse quando o soube: «Drª, esta gente está louca? Os meus netos 5 e 6 anos precisam de começar já? Se sim para quê e em prejuízo de quê? Com que esclarecimento se opta?». O ministro não responde, é surdo que nem uma porta.
Mas... não é apenas esse o problema. 
Não é o acordo ortográfico uma facada no clássico? O quadro não engana. Será que a escola pública resiste a tanta trapalhada?