17 setembro, 2015

Poesia (uma por dia) - 80



No labirinto
Quando tudo começou
Os caminhos eram dados por largos e floridos
Pareciam floridos os caminhos
Teriam veredas
E rotundas belas
Os espaços desenhavam-se abertos
Não se davam por incertos
E iam-se abrindo as saídas
Sem se perceber que davam
Para um mesmo lado
Apenas invertendo
O sentido
Uns iam indo
Outros vindo
Um velho cruzava-se com outro velho
E um ao outro dizia
Não tem saída
Um jovem cruzava-se com outro jovem
E um ao outro dizia
Não tem saída
Um homem cruzava-se com outro homem
E um ao outro dizia
Não tem saída
Um homem cruzava-se com uma mulher
Enamoraram-se e seguiam por um caminho
Que parecia alternativo
Mas que também não tinha destino
Tiveram filhos que, distraídos
Lhes seguiram os trilhos

No labirinto, hoje, fervilha vida
Que não encontra saída
Nem ouvem, surdos
Quão vulneráveis são os muros

E continuam
Indo e vindo
No labirinto
Rogério Pereira

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Poema reeditado, profundamente retocado