21 setembro, 2015

Poesia (uma por dia) - 81

Coisas da terra, coisas do mundo

primeiro, o poeta
busca o absoluto. Não tenham dúvida:
o poeta busca o absoluto.


mas depressa o absoluto
suplica remedição

e o que era a alegria de viver
transforma-se na luta por estar vivo
em alegria

isto pensa o poeta
descendo uma calçada de maio
até ao âmago da comoção

estar ali
ouvir a paz rosada das rosas
as voltas ansiosas das abelhas
pela doçura do pólen
carregado de mel

sentir em êxtase
o tremular da claridade
a subir, de folha em folha
até aos topo destas coisas
que nos vêm da terra

das outras coisas
das que nos chegam do mundo
um arrepio profundo

um fio de sangue
um grito aflito
uma sirene em contramão
a rasgar a noite, a paz, o coração...

e o poeta tropeça
na mansidão
dos ecos de maio
que em desmaio
lhe fogem da mão.

4 comentários:

Fê blue bird disse...

Os desassossegos de uma poeta atenta e autêntica.

Um beijinho grato amigo Rogério

Mar Arável disse...

A Lídia no mastro mais alto

a voejar

Abraço

São disse...

E o que é o absoluto?

De qualquer modo, gostei do poema



Tudo de bom, amigo

Lídia Borges disse...


Grata Rogério.

Meus (des)maios em tempos de invernia.

Lídia