Ela (a próstata) - Fico desesperada só de olhar o material... e aquela agulha a penetrar-me. E dizes tu que não vai doer. Dói só de ler e ver.
Eu (pensativo) - Não leias, não olhes. O urologista afiança que nos porá a dormir. Quando acordares, estarás bem. Eu... eu... eu é que não sei!
Ela (a próstata) - Não sabes? Como assim?
Eu (com ar desolado) - O médico falou-me em posterior desconforto, que não poderia conduzir e que não fizesse esforços. Já avisei os camaradas do secretariado, os do executivo, os da concelhia e os da organização da freguesia, que não contassem comigo. Alertei também a associação de idosos e aquela outra de que, durante uns tempos, não haverá nada de mim para ninguém. Tenho dito por aí, que se não me vissem... Ah, e os exames hoje de manhã... tiraram-me tanto sangue, tanto, que a imagem dos barbeiros sangradores não me saía da mente...
Ele (Meu Ânimo, interrompendo) - Atão o qu´é qu´é isso? Calem-se, c´um raio. Quem sofre antes de ser necessário, sofre mais que o necessário!...
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PS: o acto médico está já confirmado para daqui a 10 dias