20 fevereiro, 2015

Poesia (uma por dia) - 75

SONETO SEM SAÍDA
(Em decassílabo heróico)
Há sempre um beco escuro e sem saída
Na estrada em que esta vida se percorre,
Um espaço onde mais nada se descobre
E aonde, finalmente, é revivida

Essa que, então, foi sendo percorrida,
Mas que, em chegando ali, onde não sobre
Nem sombra desse mais que nos socorre
Antes de a descobrirmos tão traída

Que mais nenhum poema nos ocorre
Pois, diante de nós, tudo é tão pobre
E tão dura a parcela percorrida

Que sabemos, então; “Nada é mais nobre
Do que acabarmos já, sem que nos dobre
Ninguém, nem coisa alguma, a própria vida...”

Maria João Brito de Sousa – in "Pequenas Utopias"