05 fevereiro, 2015

Diário de um eleito - 15 (O PS não nos ajuda nem pouco nem muito a mudar o Mundo)



Disse no outro dia ao miúdo que mudar o Mundo não custa muito e com tal dito não o enganava pois acrescentava que o problema era o tempo que levava. Era um incentivo. Digo hoje que o tempo necessário para mudar tende para infinito. É que o PS não ajuda nem pouco muito nem muito a mudar o Mundo. Eu explico. Na escala de um município podemos representar o todo nacional. Falemos de Oeiras. Por cá, no Poder Local, vão estando os partidos do tal "arco do poder", por cá estão os "independentes" umbilicalmente ligados ao "isaltínico" caudilho, por cá estão os processos embrulhados e as trapalhadas, por cá estão as parceria público privadas.
Isto é, por cá está tudo o que se passa no resto do Mundo. Embora sabendo isso, não desisto.
Em Assembleia recente (Dezembro do ano passado), perante uma proposta de deliberação apresentada pela bancada socialista, eu carrego no botão da aparelhagem que me amplia a voz e anuncio: "a CDU sobrescreve a proposta do PS". A discussão foi acalorada mas a proposta não passou, foi chumbada. O texto rezava, entre outros pontos:
1.Lamentar a falta de confiança que o município de Oeiras tem nas freguesias e nos eleitos das freguesias do concelho;
...
4.Recomendar à Assembleia Municipal de Oeiras que exija da Câmara Municipal o cumprimento da lei e o consequente aprofundamento do quadro de Delegação de Competências e de Contratos Interadministrativos propostos, fazendo-o acompanhar dos recursos humanos e financeiros necessários à assunção das competências a transferir;
Entretanto e porque esta coisa da delegação de competências é mesmo coisa que mexe com o bemestar de quem nos elege, fez a CDU contas que ninguém contesta. Algumas estão no quadro aí ao lado. Compara Oeiras com outros lados e ilustra razões da concordância anterior. A Câmara transfere para as freguesias valores que as deveriam envergonhar se vergonha tivessem as maiorias que as gerem.
Ontem, do outro lado, no extremo do concelho, numa Assembleia (em Algés) a bancada do PS agarrou-se ao quadro e despendeu argumentos de  porque assim, de porque assado, e que a verba a transferir era um enxovalho. Chegado o momento da votação, pimba, PS vota abstenção!!! 
Em telefonema esta manhã, um camarada e amigo desabafaria: "Outra abstenção violenta, tanta incoerência não se aguenta!"