20 fevereiro, 2015

Poesia (uma por dia) - 75

SONETO SEM SAÍDA
(Em decassílabo heróico)
Há sempre um beco escuro e sem saída
Na estrada em que esta vida se percorre,
Um espaço onde mais nada se descobre
E aonde, finalmente, é revivida

Essa que, então, foi sendo percorrida,
Mas que, em chegando ali, onde não sobre
Nem sombra desse mais que nos socorre
Antes de a descobrirmos tão traída

Que mais nenhum poema nos ocorre
Pois, diante de nós, tudo é tão pobre
E tão dura a parcela percorrida

Que sabemos, então; “Nada é mais nobre
Do que acabarmos já, sem que nos dobre
Ninguém, nem coisa alguma, a própria vida...”

Maria João Brito de Sousa – in "Pequenas Utopias"

8 comentários:

Uva Passa disse...

Só conheço uma pessoa que gosta tanto de rimas como tu. O meu pai! Eu também gosto de rimar.

Majo disse...

~
~ ~ Eu digo: há sempre uma solução mesmo num beco escuro que parece não sem saída.

~ ~ Recuar, por vezes, é a melhor estratégia e perder uma batalha, não significa perder uma guerra.
~ ~ ~

Elvira Carvalho disse...

Não conhecia a autora. Mas gostei imenso do poema.
Um abraço e bom fim de semana

Janita disse...

Um soneto muito bem estruturado do qual gostei bastante.
Há uma mensagem implícita no terceto final que, se bem a entendi, exorta a antes "quebrar do que torcer"!

Parabéns à autora e obrigada a ambos por este belo momento poético.

Um abraço.

O Puma disse...

Um beco escuro

pois claro

Majo disse...

.
~ ~ Congratulo-me com os guerreiros que afirmam que ganharam a batalha
~ e que estão dispostos a vencer a guerra. ~ ~
~ ~ ~

Lídia Borges disse...


"Pequenas utopias", grande escrita!


Bj.

Fernanda Maria disse...

Uma poesia que não é uma utopia.

Parabéns à autora e a si por a partilhar.

beijinho