A propósito do "Dia Mundial da Criança"
O mundo está destruído
e eu descobri os culpados.
Os culpados são vocês
sim vocês
poetas
ou pior ainda, leitores de poesia
não me olhem com esses olhos de raiva
já há demasiada raiva no mundo
sejam por um momento compreensivos
ponham de lado essa excelsa vaidade de artistas.
Vocês escreveram tantas palavras de amor
criaram tantos verdes campos inundados de flores
extasiados de sóis inumeráveis
que o mundo tornou-se cinzento
fumegante de morte e metralha
descomposto de poder e ambição.
Vamos poetas,
confessemos a nossa parte
enquanto eles
com esmero e sem parar
construíam a maquinaria infernal
para destruir o mundo.
Aldo Luis Novelli
21 comentários:
Talvez não haja poetas que cheguem para tanto mundo ameaçado.
"Vocês escreveram tantas palavras de amor
criaram tantos verdes campos inundados de flores
extasiados de sóis inumeráveis
que o mundo tornou-se cinzento
..." ???
O mundo acinzentou-se sim, mas não por não serem os poemas tão cinzentos quanto a vida. Talvez porque é, e sempre foi, cinzenta, a massa encefálica dos homens.
Bj.
Teu comentário
desculpa os poetas
e os leitores
de poemas.
Remete o drama
para a natureza humana...
Até que seja, mas não me convenço
Sabes? Conheci tantos homens bons...
Natureza humana (?)
Se assim o quer ler...
Não conhecia o poema. Obrigado pela partilha.
Abraço
Há outro entendimento possível?
Que mais relevante podemos apontar, para definir a natureza humana, do que a alusão à massa encefálica que habita a cabeça dos homens?
Adorei o poema. Triste, mas belo. Ou seja, porém de vez. Sou uma romântica incorrigível. Devo ser culpada.
Este poema foi-me trazido
por um amigo
Somos todos culpados
Os que escrevemos
Os que lemos
Inocentes?
Só as crianças!
~~~
Seremos, mesmo, culpados?! O que poderemos fazer?
Por mais escarcéus que façam os manifestantes, os senhores da guerra
fazem o que lhes apetece...
A foto é comovente de mais!
Uma homenagem inteligente.
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Respondo-te em defesa da poesia e dos poetas, embora reconheça um pedacinho de culpa, num ou noutro dia menos combativo...
ESPADA DE POETA
(Soneto em verso eneassilábico)
Cá estou eu, decidida a vender
Muito cara a provável derrota,
Com poemas e rimas por frota,
Na batalha ao Rigor do Poder!
Não sei bem se esta luta me quer,
Se enfeitada com elmo e com cota
Chego a ver a mudança da rota,
Ou consigo, sequer, combater
Mas, se luto, é por grandes anseios
E se avanço, enfrentando os receios,
Uma gota – não mais! – lhe acrescento
Porque o faço negando os recreios
De que os palcos de guerra estão cheios
E, por espada, uso o simples talento…
Maria João Brito de Sousa – 02.04.2013 – 18.52h
Muitas criancas podiam ter morrido hoje em Düsseldorf, se as autoridades alemães não tivessem evitado o atentado. E a culpa não
era dos poetas, mas sim, dos fanáticos terroristas.
A maior parte das crianças seriam estrangeiras, muitas delas do país dos terroristas, por isso, não me digam que os terroristas só querem destruir a Europa e os europeus.
Inocentes, só as crianças!
"Porque o faço negando os recreios"
Os leitores de poemas
limitam-se a dar prazer lúdico
à alma
Tu desassossegas!
Teresa
Chegado
o Mundo
a tal estado
a culpa, já se diluiu no tempo
Nunca um poeta foi instrumento directo
Também tu poeta?
Sobretudo eu
leitor de poemas
Chocante o momento que se vive no mundo. Mas não culpemos os poetas!!
Temos, sim, a nossa parte...todos.
Beijo
Só as crianças estão inocentes!
O reconhecimento
é meio caminho andado
para o perdão
(desde que se emende a mão)
"A poesia é uma arma", não podemos esquecer isso.
Lutemos !
Beijinho
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