10 dezembro, 2010

Entrevista a um poeta meu (e de todos nós...)



Jorge de Sena

Vale a pena ouvir esta entrevista de Jorge de Sena concedida a Leite de Vasconcelos em 19 de Julho de 1972 e "passada" na Antena 2 em Novembro passado.

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Lamento do Poeta Objectivo

Anda-me o amor tomando a própria vida,
como se, amando, eu existisse mais.
E leva-me o Destino em voz traída,
como se houvera encontros desiguais.

A multidão me cerca, e, renascida,
já dela terei fome de sinais.
E, mal a noite se demora ardida,
o medo e a solidão me esfriam tais

as cinzas desse amor que sacrifico.
Não é futura a só miséria. A queixa
também não é: e apenas acontece

no vácuo imenso que este amor me deixa,
quando maior, quando de si mais rico,
se dá de mundo em mundo, e lá me esquece.

Jorge de Sena, in 'Post-Scriptum'

09 dezembro, 2010

O DN financia o candidato Cavaco Silva?


"O Diário de Notícias dispensa apresentações. Com mais de 140 anos de história, continua nos dias de hoje um importante título na imprensa nacional. Tem mantido ao longo dos tempos a capacidade de se reinventar e adaptar a novas realidades e exigências dos leitores, sem nunca perder o carisma e o seu lugar como o jornal de referência dos grandes temas económicos e políticos da vida nacional e internacional. Os seus conteúdos são ricos e diversificados, fazendo do DN um jornal completo, abrangente e de confiança."


Texto do site da Controlinveste, proprietária do Diário de Notícias


Tabela de publicidade do DN (ver aqui)


Peguei no DN de hoje e logo percebi porque razão a sua proprietária, no texto acima, não refere o qualificativo "isenção" nos conteúdos do jornal limitando-se a referir que estes "são ricos e diversificados". Honestidade e coerência tem tal escrito. De facto as notícias e textos que publica sobre as eleições presidenciais, de isenção nada possuem. Contudo percebe-se que por motivos financeiros não possa dar tratamento equitativo a todos. Vejamos só o que o DN perdeu por deixar de vender publicidade no espaço que dedicou a cada um dos candidatos: - Cavaco Silva, 1/4 da sua página 3, mais 1/4 da página 11 Tudo somado dá meia página, em lugar ímpar ao alto e soma 5 100 euros. As fotos são risonhas (apesar das tristes fronhas). - Manuel Alegre e Fernando Nobre, ocupam ambos um 1/8 da página 10 ao baixo. Somados roubam ao DN 960 euros de boa publicidade (480 € cada). Destes, não há fotos para ninguém pois é pressuposto que os leitores os conhecem bem. - Francisco Lopes está fora da tabela mostrada, mas não significa que não tenha dado um pequeno prejuízo (certamente na proporção do valor que o DN atribui à sua candidatura). Pelo espaço por ele ocupado, cerca de 1/32 de página terá implicado uma verba de 120 euros (ele não merece mais). Deste também não há imagem pois se alguém mais o conhecer tudo pode acontecer... Poderá entender-se e mesmo dizer-se que Cavaco Silva está a ser financiado. Mas o Sr. Presidente iria ficar irritado e a Controlinveste também. Acho eu!


Para os restantes candidatos não houve espaço algum...


NOTA: Se as contas estiverem mal feitas, aceitam-se reclamações. Contudo, seria interessante que fosse o DN a aceitá-las

07 dezembro, 2010

Propostas de redução de custos...


Recomenda-se a leitura deste post ao som desta sinfonia:

Consultor preocupado e diligente, contratado por quem deve e pode, recebeu carta branca para propor medidas de redução de custos. -lo em todos os domínios da actividade e até noutros, tal era sua gana. Perante tão numeroso número de propostas, caiu-me os olhos nesta por inusitadamente incidir sobre a obra de Schubert, aqui mesmo a ser tocada. Diz o relatório:

Depois de exautiva análise e tendo em conta as melhores práticas de gestão , deixo à consideração da Ex.ª Administração, as seguintes medidas de racionalização de custos nesta peça:

1. Os oboés estiveram desocupados durante largo tempo. Deverá reduzir-se o seu número e distribuir o trabalho por toda a orquestra evitando-se assim picos de inactividade
2. Os doze violinos tocavam notas idênticas. Parece ser uma duplicação desnecessária e o pessoal deste sector deve ser drasticamente reduzido. Se for realmente necessário um grande volume de som poderá usar-se um amplificador.
3. Foi dispendido um esforço considerável a tocar fusas. Parecer ser um requinte desnecessário pelo que se recomenda que todas as notas sejam arredondadas para a semi-colcheia mais próxima. Assim será possível utilizar estagiários em vez de profissionais especializados.
4. Não se vê qualquer utilidade na repetição pelas trompas de passagens já tocadas pelos violinos. Se todo todas essas passagens redundantes forem eliminadas poderão estes metais serem dispensados com evidentes economias.
5. Propõe-se a aplicação destas medidas a todas as orquestras do mundo inteiro com ordens severas que assegurem o respeito da sua introdução de que resultarão, não só economias monumentais, como se evita a produção de Sinfonias Inacabadas e a sua entrega fora de prazo…

A bem da cultura autosustentada

Texto arranjado a partir de várias versões, nomeadamente desta