04 agosto, 2011

A minha neta faz 15 anitos... às vezes sofisticados, às vezes simples... mas sempre bonitos

Entre mim e ela parece haver
um qualquer quê
que não se vê
Um dia vai acontecer
falarmos sem ser entre
----------------sorrisos
Não faço a mínima ideia
do que poderá ser
essa nossa conversa
--------------------séria
Talvez sobre a vida
Talvez sobre a sorte
Talvez sobre a morte
Talvez apenas (e só) sobre os pássaros
------------------------e os seus filhos
e os filhos dos filhos, os passaritos
Ou sobre este mundo
--------- de que fazemos parte
(Espero que nesse dia
um de nós
não tenha a cabeça em Marte)

Um beijo para ti Marta, e... não te estragues!

03 agosto, 2011

Intervalando, para falar de ânsias actuais... 1

É sabido que ando noutro lado, ocupado.
Contudo, não esqueço, nem por nada, as ânsias actuais.
Poupo o meu tempo, colocando palavras de quem confio...

Baptista-Bastos, com José Saramago

"Tenho para mim que o desfecho desta governação vai desembocar em algo de muito mau (...)

(...)as crispações neofascistas não são aparições momentâneas. A perseverança com que o Estado-previdência é atacado e minado, os termos com que o comunismo, o trabalhismo, a social-democracia e o socialismo democrático são execrados e embrulhados no mesmo saco leva a considerar que o plano visa mais longe.

Os termos político-económicos com que hoje somos instados a pensar obedecem a uma estratégia global, a qual contribui para agudizar a situação de extrema vulnerabilidade em que nos encontramos. Acresce o facto de, depois da queda do Muro de Berlim e da implosão das sociedades do Leste, o que sobrou da esquerda foram caricaturas mal-amanhadas, de que são exemplos funestos o sr. Tony Blair e a "terceira via". Em Portugal, esta extensão particular do assassínio da ideia socialista foi perpetrada não só por António Guterres e José Sócrates mas por outros mais. A bom entendedor...

Passos Coelho resulta dessas contradições, e a canonização dos banqueiros e dos "empresários", a que procede, com ilimitada subserviência e admiração, não é maior do que aquela, precedida por Sócrates, e, embora mais moderada, por Guterres. A capitulação de uns e a argúcia ascensional de outros; a abdicação da ideologia e das convicções e a sua substituição pelo "pragmatismo" permitiram e facilitaram a fé cega e suicida no "mercado", no qual o Estado tem uma interferência mínima.

(...) O fosso entre nós e os outros é cada vez mais sangrento. Creio que Passos Coelho abriu a caixa de Pandora, sem se aperceber muito bem da natureza e das consequências dos seus actos."

Baptista-bastos, no DN de hoje (ler integralm. aqui)

02 agosto, 2011

Lá no outro lado, fora da ânsia destes dias... vivendo outras - 2

Porqui tu, com esperto nus cabeça, bebe cigarro?”. A princípio, a estranha expressão levou-me a corrigir o que entendi ser confusão do seu mau português, sem atender à censura implícita na pergunta. “Não se diz bebe cigarro. Bebe, é beber bebida e cigarro é de fumar, não de beber” disse reforçando o que tinha dito acompanhando com os gestos de beber e de fumar, pois estava fazendo ambas as coisas. “Tu fazes os dois ao meismo tempo e eu dizer eras misturadas”.
(...)No dia seguinte o “Meia-Cuca” apareceu acompanhado de outro miúdo, mais pequeno e com ar assustado. Com o seu, sempre igual, interrogou-me se me importaria que ele ficasse por ali, adiantando ser aquele mais sossegado que ele próprio, e que até podia ajudar (...)


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Meia Cuca e seu amigo - Foto tirada e revelado por mim

01 agosto, 2011

Lá no outro lado, fora da ânsia destes dias... vivendo outras - 1



O “Meia-Cuca” veio buscar o que lhe era devido pelos recados, tantos, que me fizera nesse dia. Ele não fazia nunca o preço. Eu também não. Dava-lhe os trocos que tinha à mão e ele não regateava, talvez até por mal saber o valor do dinheiro. Acho que prezava mais os valores do trabalho remunerado e da sua digna ocupação de "recadista" - como gostava de ser tratado - na esperança de, quando crescer, talvez passar a haver condições para exigir o real valor do trabalho


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