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06 junho, 2018

A póstuma vitória do PREC e o venerado defunto (para memória futura)

«O PREC acaba de obter uma vitória, ainda que póstuma, e na secretaria. O Sr. Carlucci já está a fazer tijolo.
É verdade, o ex-embaixador norte-americano em Lisboa (um dos pais da nossa democracia – um dos outros foi, como todos sabem, Mário Soares) deslocou-se em definitivo, e de forma natural, para a terra dos seus antepassados, onde certamente continuará a dedicar-se aos negócios, a jogar tennis enquanto espera pelo seu parceiro Otelo (outro especialista de terra batida) e claro, a conspirar pla democracia.
Já antes, em 1960 - e sempre, naturalmente, pla democracia - tinha conspirado com o sr. Mobutu Sese Seko, no Kongo, contra o governo de Patrice Lumumba. E, em 1964, também tinha supervisionado o estabelecimento da democracia no Brasil (municiando os esquadrões da morte e providenciando a eliminação física de dirigentes da oposição), depois do derrube do presidente João Goulart.»
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Ontem, dia 5, PSD, CDS e PS apresentaram na AR votos de pesar, todos eles aprovados pelos votos de uns e de outros, com pequenas diferenças. Segue-se o texto do voto apresentado pelo CDS
«Morreu no passado dia 3 de Junho, o Embaixador norte-americano Frank Charles Carlucci III.

Nascido em 1930, serviu por mais de duas décadas nos mais altos escalões da Administração norte-americana e trabalhou sob a égide de quatro presidências distintas, tendo chegado a ocupar o cargo de Secretário da Defesa, entre 1987 e 1989.

Diplomata de carreira, representou sucessivamente os EUA, ao longo de 12 anos, entre 1956 e 1968, em Pretória, Leopoldville (atual Quinxassa), Zanzibar e Brasília. Só em 1975 é que o diplomata norte-americano seria nomeado para liderar a missão diplomática em Lisboa, o seu último posto, cujo mandato ficaria marcado inexoravelmente pela sua intervenção política em favor das forças democrática contra o PREC durante o Verão Quente desse ano e na aproximação política e estratégica entre os dois Estados.

De todos os momentos da carreira de Frank Carlucci é à frente do posto em Lisboa que viria a revelar-se politicamente mais determinante. Firme na ideia de que o processo de transição e consolidação democrática não estava perdido, contrariamente à opinião de membros da própria Administração norte-americana, Carlucci bateu-se pela restauração da normalidade do processo democrático em Portugal, ao lado dos principais protagonistas políticos da resistência, Mário Soares, de quem era amigo pessoal, Francisco Sá Carneiro e Diogo Freitas do Amaral.

A persistência com que Carlucci se bateu, ao lado das forças democráticas, valeu-lhe, em 2004, a condecoração pelo Estado português com a grã-cruz da Ordem do Infante D. Henrique e a medalha da Defesa Nacional.

Assim, a Assembleia da República expressa o seu profundo pesar pela morte do Embaixador Frank C. Carlucci, apresenta as suas condolências às família e amigos, recorda a sua intervenção política na consolidação democrática do regime.

Palácio de S. Bento, 5 de junho de 2018,
O Grupo Parlamentar do CDS-PP»
Votação
Favor – PSD, PS e CDS - PP
Contra – BE, PCP e PEV 
Abstenção – PAN e 8 Deputados do PS 

04 outubro, 2019

Freitas, as exéquias e a memória...


Morreu Freitas de Amaral. Facto que, se bem que esperado, não tinha data anunciada. Aconteceu em final de campanha e não tendo a certeza de que poderá influenciar quem quer que seja, não posso deixar de lembrar que foi uma figura que vem trazer à memória de como terá, no seu percurso, fornecido a todos os partidos (do até aqui chamado arco da governação) razões para sentidas homenagens. 

Curiosamente, Francisco Louçã junta-se às exéquias

Eu, por meu lado, sobre Freitas, terei neste espaço escrito pouco. Mas do pouco escrito, registo esta passagem extraída de um voto de pesar, aprovado na AR, em Junho de 2018:
«De todos os momentos da carreira de Frank Carlucci é à frente do posto em Lisboa que viria a revelar-se politicamente mais determinante. Firme na ideia de que o processo de transição e consolidação democrática não estava perdido, contrariamente à opinião de membros da própria Administração norte-americana, Carlucci bateu-se pela restauração da normalidade do processo democrático em Portugal, ao lado dos principais protagonistas políticos da resistência, Mário Soares, de quem era amigo pessoal, Francisco Sá Carneiro e Diogo Freitas do Amaral.»
Votação do voto de pesar, de onde é extraído este elogio fúnebre
apresentado pelo CDS
Favor – PSD, PS e CDS - PP
Contra – BE, PCP e PEV 
Abstenção – PAN e 8 Deputados do PS

Ah, e convém não esquecer:

29 dezembro, 2016

Mário Soares e o apelo de Manuel Alegre


Leio o apelo, certamente sentido, do poeta "“Não se pode mutilar a biografia de Mário Soares nem adaptá-la às conveniências”. Neste momento nem entendo o que que seriam as (minhas) conveniências em distorcer, enviesar ou omitir passagens de uma biografia daquele a que podemos considerar o pai (desta) democracia. Aqui ficam os meus contributos ao longo dos tempos, para que nada falte ao biógrafo:

22 novembro, 2025

O 25 DE NOVEMBRO, O SEU CONTEXTO E ALGUMAS DAS SUAS CONSEQUÊNCIAS

Da contra-revolução ao resgate...

As celebrações do 25 de Novembro estão na ordem do dia, nestes dias próximos da data. E não faltam, por aí, intervenções opinativas e até artigos e livros. Contudo são focados em lutas entre militares e, nem marginalmente, se refere a analisa nem o contexto nem o efeito.

E como há imagens que falam melhor que mil palavras deixo estes desafios, imagem a imagem:
  • Foto 1: Frank Carlucci e Mário Soares, que terão dito um ao outro? E, depois desse dito, qual teria sido o compromisso?
  • Foto 2: PPD em tempos idos, sustentou sua posição até à confusão render frutos e isso aconteceu quando?
  • Foto 3: Será que a assinatura de adesão à CEE (hoje UE) cilindrou, de vez, o terceiro "D" do MFA, condicionando o desenvolvimento da economia?
  • Foto 3: Será que a "troika" foi mesmo embora ou terá deixado marcas irreversíveis da sua presença?
Como não sou de intrigas, investigue!

10 novembro, 2023

QUE PENSAR DO MOMENTO QUE A NOSSA DEMOCRACIA ESTÁ VIVENDO? GOLPE DE ESTADO MASCARADO?


A imagem ilustra quatro momentos históricos que estão no caminho ao hoje, como ponto de chegada mas em trânsito que lhe aprofunda o sentido. Ao cimo, à esquerda Mário Soares saúda agradecido o trabalho subterrâneo de Frank Carlucci; à direita, um título bem expressivo da manipulação oportunista do então PPD (PSD); em baixo, uma assinatura que determina a venda da nossa independência em cerimónia que deixaria uma frase que não me sai da memória ("Porreiro, pá!") e, por fim, a equipa da "troika" que impõe medidas que ainda marcam as nossas vidas. E hoje? 

Talvez para ajudar à reflexão seja útil divulgar um texto que levanta a ponta de um novelo que ninguém sabe ao certo o que tem dentro:
"(...) o maior risco deste salto, o de que os portugueses sejam chamados a fazer as suas escolhas no escuro, sem poder aferir devidamente das suspeitas levantadas sobre a governação de um dos maiores partidos da democracia portuguesa. Os protagonistas do PS vão mudar, há muitos outros assuntos importantes para o país, mas os eleitores, com grande probabilidade, vão fazer as suas escolhas sob o signo deste caso, sem que ele esteja devidamente aclarado. O Presidente quer devolver “a palavra ao povo sem temores”, mas é preciso sublinhar que, estando a democracia a funcionar, não está a operar nas melhores condições.

Entende-se por isso mal que o Presidente não tenha tido no seu discurso uma palavra de exigência em relação à actuação do poder judicial. O país precisava, neste momento, de saber que o poder político, sem que isso signifique uma interferência, não está paralisado na sua capacidade crítica de avaliar a conduta do Ministério Público e da Procuradoria-Geral da República (...) 

David Pontes, in "Entre as Brumas da Memória"
 

25 novembro, 2019

O 25 de Novembro contado com todo o descaramento...

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Já ambos bateram a bota, mas deixaram semente. Na semana passada a saudação do CDS sobre 25 de Novembro de 1975 foi aprovada com a abstenção e apoio de sete deputados do PS
Votação esta quase igual àquela outra, o ano passado, quando com votos do CDS, do PS e do PSD, a Assembleia da República expressou o seu profundo pesar pela morte do Embaixador Frank C. Carlucci e recordou a sua intervenção política naquilo que o texto do CDS considerava a "consolidação democrática do regime".

Fica, para que não se perca a memória,
o descaramento
patente neste momento...