15 agosto, 2016

A Europa e o círculo vicioso da guerra


Ver de que forma evoluíram as fronteiras desta "velha Europa" é trazer à memória o que tantos querem apagar... Pensa-se hoje que já não há mais lugar a tomadas de fronteiras e a invasões territoriais. Que engano. Se é verdade que a soberania é posta em causa por directórios que dominam, impõem e dispõem a seu belo prazer do destino dos povos, não é menos verdade que a constante corrida aos armamentos são uma ameaça...
«(...) Na realidade são precisamente os maiores exportadores de armas europeus que obtêm contratos milionários para a segurança das fronteiras. Ou seja, por um lado alimentam os conflitos que põem as populações em fuga, por outro lado vendem equipamentos e sistemas de vigilância para impedir a entrada de refugiados no espaço europeu. Parece um paradoxo mas não é. (...)
Vendedores de canhões
As exportações mundiais de armas para o Médio Oriente aumentaram 61 por cento entre os períodos de 2006-2010 e 2011-2015. Entre 2005 e 2014, os estados-membros da UE concederam licenças de exportação de armamentos para o Médio Oriente e Norte de África no valor de 82 mil milhões de euros.
Ao mesmo tempo, o «mercado» das fronteiras está em plena ascensão. Se em 2015 representou cerca de 15 mil milhões de euros, em 2022 este valor deverá quase duplicar para 29 mil milhões de euros.
Este aumento exponencial é visível no crescimento do orçamento do Frontex, que passou de 6,3 milhões de euros em 2005 para 238,7 milhões de euros em 2016.
O complexo industrial-militar não tem mãos a medir com as sucessivas operações militarizadas no Mediterrâneo, bem como em várias fronteiras de estados-membros, caso da Hungria, Croácia, Macedónia ou Eslovénia.
Os líderes do «mercado»
A fatia de leão deste «mercado» cabe a apenas cinco empresas do complexo industrial militar europeu: as francesas Airbus, Thales e Safran, a italiana Finmeccanica e a espanhola Indra.
Segundo os investigadores, a Airbus e Finmeccanica lideram o segmento da segurança e controlo das fronteiras, sendo que a primeira recebeu quase 9,8 mil milhões de euros de financiamento da UE para projectos de investigação e desenvolvimento nesta área.
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Para além destes gigantes, em torno dos quais existem muitas outras empresas de menor dimensão, os únicos beneficiários não europeus dos financiamentos comunitários para investigação são as empresas israelitas, que também estiveram presentes na fortificação das fronteiras da Bulgária e da Hungria. (...)
O lobbying político
Outra conclusão relevante do relatório é o facto de a indústria de armamento e segurança participar na definição da política europeia de segurança das fronteiras.
Fá-lo principalmente através da Organização Europeia para a Segurança (EOS), que integra a Thales, Finmeccanica e Airbus, da Associação Europeia de Indústrias Aearoespaciais e de Defesa (ASD) e do Centro de Estudos Friends of Europe (Amigos da Europa).(...)»
 Extractos do relatório do Transnational Institute, de 4 de Julho, ler tudo aqui