17 agosto, 2016

Ela é que merece uma medalha...


Era o tempo em que olhávamos os jogos com outros olhos, sem termos a verdadeira medida do esforço necessário para se ultrapassar os limites do corpo, para se atingir o inatingível já que este, ao longo dos tempos, foi sendo sempre atingido e até ultrapassado. Hoje o que se diz e escreve sobre Simone Biles não lhe incute, a ela, saudade dos tempos em que harmonia da ginástica artística a motivava ao treino, ao trabalho disciplinado, num prazer lúdico que era reconhecido, ele também, pelo aplauso publico. Publico pouco avesso à observação das pequenas ou grandes falhas e incorrecções, que a alta competição não desculpa. Publico frequentador de um clube de bairro em Campolide, no inicio dos anos sessenta (e tantos assim havia).

Com isto diminuo o ouro de Simone Biles? 
Nem pensar! Tenho tanta admiração e espanto como o da comunidade cientifica que lhe estuda a flexibilidade, a energia, a velocidade, a força e a anatomia. 
Simone é de um outro  mundo. Ela é deste. 
Não me sai da memória a forma delicada de como que fazia a espargata... 
E tenho bem presente como ainda hoje se desdobra, com idêntica harmonia, na ginástica da vida.

Não tenho dúvidas, a medalha merece-a ela!