Estive no lançamento e, claro, comprei o livro. Se quer saber um pouco mais aconselho a que oiça/leia (aqui) a TSF...
E, já agora, leia esta passagem de uma das intervenções:
"... nada disto é uma obsessão contra os grupos económicos, isto é a realidade já vivida e experimentada por milhares de utentes, desde logo na Linha de Cascais.
Uma linha que já foi privada e que quando foi nacionalizada estava completamente degradada e falida.
A linha foi modernizada e requalificada já depois da Revolução de Abril.
Mas os comboios foram envelhecendo e o Estado nunca deu autorização à CP para comprar material novo.
Ou melhor, deu antes das eleições de 2009 e retirou logo a seguir às eleições.
Sem comboios novos, sem as obras de alteração da tensão, a linha só podia definhar.
Mesmo com os operários das oficinas de Oeiras a fazerem milagres, aquele material não dava para mais (há literalmente partes de comboio com mais de 100 anos a circular em Cascais).
Mas agora que a CP vai finalmente ter comboios novos para colocar em Cascais, agora que a linha foi modernizada a partir de recursos públicos, o Governo quer voltar a privatizar a linha para que sejam os capitalistas a tirar o lucro do investimento público.
Os utentes de Cascais e Oeiras precisam é de comboios, precisam que o investimento público seja direccionado para o serviço e benefício público e não para que grupos económicos privados ganhem dinheiro com os comboios de todos.
Foi aliás o que aconteceu de forma trágica no Reino Unido, cujo processo de liberalização e privatização da ferrovia está bem demonstrado neste livro, num anexo bem desenvolvido.
Um desastre autêntico, que desorganizou completamente aquele que já foi apontado como o serviço ferroviário modelo e criou um buraco gigantesco nas contas públicas britânicas superior a vinte mil milhões de euros por ano.
Um processo que lá, como cá, foi desenvolvido pelos governos trabalhistas e conservadores, os mesmos que se viram forçados à renacionalização da ferrovia.
Sabendo hoje o que sabemos, precisamos mesmo de travar mais este ataque."
Extrato da intervenção de Vasco Cardoso, ontem na Estação da CP, no Rossio
Sem comentários:
Enviar um comentário