"O grande mal que pode acontecer às democracias — e penso que todas elas sofrem em maior ou menor grau dessa doença — é viverem da aparência. Isto é, desde que funcionem os partidos, a liberdade de expressão, no seu sentido mais directo e imediato, o Governo, os tribunais, a chefia do Estado, desde que tudo isto pareça funcionar harmonicamente, e haja eleições e toda a gente vote, as pessoas preocupam-se pouco com procedimentos gravemente antidemocráticos. " José Saramago, in "Democracia aparente/Outros Cadernos"
03 abril, 2011
Homilias dominicais (citando Saramago) - 34
02 abril, 2011
Abertura antecipada: Hoje é Dia da Maior Flor do Mundo - II
Não se pense que o mundo que cerca a árvore e a pequena flor é apenas o deserto de ideias, um terreno inóspito de onde não se vislumbra um outro mínimo assomo de verde esperança ou que tal é a natureza das coisas. Não, não é apenas isso. No quadro, o gesto humano é ambíguo. Tanto dá para o interpretar como um sobrevivente a cuidar da sobrevivência do sonho, como o de um mandatário vindo de longe para acabar o que resta da árvore plantada em Abril e que ainda protege a frágil flor. Poucos falam temendo que esse falar acorde o povo à volta. Não se fala desta ambiguidade, temendo que se desfaça. Muitos omitem este e outros factos, nomeadamente que por detrás dos montes secos e da terra nua os sonhadores saíram à rua. Diz o conto que o menino salvou a flor e que esta se tornou A Maior Flor do Mundo, ainda que a árvore tenha sido arrancada por uma mão malvada. A metáfora cumprir-se-á. Assim, ou de outro modo. A árvore que protege a flor irá ser mais uma vez maltratada. Mas resistirá!Imagem retirada do video "A Maior Flor do Mundo"Constituição de 1976 – Preâmbulo
A 25 de Abril de 1974, o Movimento das Forças Armadas, coroando a longa resistência do povo português e interpretando os seus sentimentos profundos, derrubou o regime fascista. Libertar Portugal da ditadura, da opressão e do colonialismo representou uma transformação revolucionária e o início de uma viragem histórica da sociedade portuguesa. A Revolução restituiu aos Portugueses os direitos e liberdades fundamentais. No exercício destes direitos e liberdades, os legítimos representantes do povo reúnem-se para elaborar uma Constituição que corresponde às aspirações do País. A Assembleia Constituinte afirma a decisão do povo português de defender a independência nacional, de garantir os direitos fundamentais dos cidadãos, de estabelecer os princípios basilares da democracia, de assegurar o primado do Estado de Direito democrático e de abrir caminho para uma sociedade socialista, no respeito da vontade do povo português, tendo em vista a construção de um país mais livre, mais justo e mais fraterno.
Texto aprovado pela Assembleia Constituinte em 2 de Abril de 1976, (apenas com os votos contra do CDS)
Abertura antecipada: Hoje é Dia da Maior Flor do Mundo - I
Serão 55 dias a escrever, sem perder de vista a beleza do gesto que salvou o sonho e o fez crescer à dimensão que o escritor lhe deu... (o video manter-se-á presente na galeria)

