26 julho, 2010

Pactuar com a estratégia de Pedro Passos Coelho é entrar num labirinto de onde dificilmente se sairá. Deprecia-la, também não é caminho....

Quando se define, como Pedro Passos Coelho fez, uma estratégia labirintica muitos se apressam a dizer que ela não leva a lado nenhum. Cuidado, PPC tem todo o percurso na mão, conhece os atalhos sem saída e, como foi ele que a desenhou, sabe que a única saída é a que conduz a uma consolidação dos interesses da classe que defende, dos ricos e dos poderosos...

É, contrariamente ao que se diz, um momento único para extremar posições e apresentar a "sua" proposta de aniquilação da progressiva da Constituição. Não precisa ter um discurso eleitoralista, pois não é suposto haver outras eleições que não sejam as "presidenciais". Mas há sondagens. PPC resolve submeter o seu projecto ao "escrutínio" das sondagens. Isto é, sonda as sondagens e estas são-lhe favoráveis. Hoje mesmo a TVI/Intercampus dá destaque a resultados que PPC não deixará de aferir, oportunamente: "Se as eleições legislativas fossem hoje, o PSD de Pedro Passos Coelho era o grande vencedor, com 39,2 por cento..."

Algumas pessoas que prezo, apressaram-se ou a evidenciar lacunas e imprecisões ou a depreciar as medidas e o seu autor. No primeiro caso, e a titulo de exemplo, André Freire faz um excelente artigo de opinião no jornal Público de hoje (ver aqui) onde afirma "O PSD pegou em algumas boas ideias e operacionalizou-as de forma deficiente e contraditória, prejudicando-as por isso...". Isto é, o meu querido amigo(*) aceitou entrar no labirinto de PPC ao silenciar-se sobre qualquer das propostas nos aspectos sociais e económicos. No segundo caso, Ana Paula Fitas, na "A nossa candeia", faz juízo depreciativo, escrevendo: "Passos Coelho começou por passear na avenida, distraiu-se numa rotunda, avançou em alta velocidade por uma auto-estrada sem portagens e foi parar a um descampado sem saída?". A imagem é interessante, mas infelizmente não corresponde à verdade. Passos Coelho definiu as regras do jogo e, depois das presidenciais, prestar-se-á a guiar o PS no caminho de saída do SEU labirinto e irá ter a uma nova Constituíção, naturalmente sob a batuta de um presidente... conveniente:

«Objectivamente, Portugal está num limiar da insustentabilidade e parece-me importante que o Presidente possa chamar a atenção de todos os intervenientes políticos para encontrar um caminho alternativo àquele que tem vindo a ser seguido»

Palavras de PPC, ontem, aqui

(*) Considero-me amigo de André Freire mesmo ignorando se me considera assim. Esclareço que, se decidi iniciar este blogue, também é "por causa dele", como aliás dou prova disso aqui e aqui.