27 julho, 2010

Um apelo ou, se quiserem, uma sugestão (caso não sintam fazê-lo por imperativos de consciência)...

“O sineiro não está aqui, eu é que toquei o sino”, foi a resposta do camponês. “Mas então não morreu ninguém?”, tornaram os vizinhos, e o camponês respondeu: “Ninguém que tivesse nome e figura de gente, toquei a finados pela Justiça, porque a Justiça está morta.”
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Carta de José Saramago, ao FSM - 2003
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Hoje li e reli o DN. Normalmente passeio os olhos pelos grandes títulos, não na esperança de voltar a ler a alegria estampada em algum deles, mas sim na esperança de ainda sentir o odor à tinta de impressão ou que esta me suje os dedos. Em tempos idos, quando havia jornalistas e linotipistas era assim e eu recordo esse tempo tentando relembrar esse cheiro a verdade escrita nos laboratórios das entrelinhas, das indirectas ou dos textos mais ousados e desafiadores do lápis azul. Ainda há jornalistas, mas é tão reduzida a sua produção que qualquer jornal não prende mais do que 10 ou 15 minutos da minha atenção. Hoje, excepcionalmente, usei o "pente fino" e li tudo no DN. Senti-me garimpeiro procurando qualquer pepita de ouro esquecida... e encontrei. Encontrei, num discreto suplemento, a carta que Saramago enviou e que foi lida no encerramento do II Fórum Social Mundial, em 2003. Dessa carta extraí a parte com que abro este post.
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Apelo, sugestão ou imperativo de consciência?
A carta, embora de conteúdo urgente, perdeu-se por aí nas páginas do jornal em formato papel. Desesperado, procurei no google as palavras mágicas me conduziriam ao formato adequado. Encontrei. Bloguistas brasileiros, deram-lhe a devida projecção. Nem uma referência nacional, nem uma. Dai que vos faça um apelo ou, se quiserem, uma mera sugestão (caso não sintam dever fazê-lo por imperativos de consciência): difundam este texto. Encontram-no aqui. Podem seguir qualquer formato, desde a sua publicação integral à simples selecção de um parágrafo ou pequeno exctrato. Mas façam-no para que a memória não se perca... Multipliquemos a mensagem que Saramago deixou ...