22 julho, 2010

Metamorfose - I

METAMORFOSE - I
(autocritica levemente avinagrada)

Tirei este sorriso que trago
entre o nariz e o pescoço
e meti-o no bolso
Rodei o coração
para outra posição
Sem saber onde pôr a alma,
metia-a numa gaveta
ao lado da utopia
que a abraçou
num gesto que há muito não via
(por certo já desesperada
de não ver ninguém,
e aí estar abandonada
ainda me lembra por quem)
Então, pus as mãos sobre o teclado
e, em dois cliques, passei-me para o outro lado.
Deixei coisas por fazer, outras por iniciar
e, sem sorriso, sem coração nem alma
(só eu e o meu cérebro)
começo a navegar

--
Postei
comentei,
naveguei,
sem qualquer mar,
sem ver nem temer,
por onde navegar...
Encontro poetas,
comento coisas belas,
(outras nem tanto),
embalo em canções,
enxugo este
e aquele pranto...
Quando acabo e a alma me volta,
lá fica a utopia,
na gaveta,
quase morta...
Do meu intimo, bem lá do fundo,
sussurra-me a consciência:
"Seu tonto, não é assim que se muda o Mundo"