04 setembro, 2015

"E qual é o vosso modelo?" - pergunta com malícia o jornalista


A pergunta é insistente. "E qual o vosso modelo?" E, por ser tão insistente, até eu não escapo: "Qual é o vosso modelo? E... dá lá um exemplo!"
A resposta saí-me pronta "Modelo? Podes viver na representação que te mostramos, logo e durante mais dois dias. Podes até experimentá-lo, senti-lo! O nosso modelo é aquilo!"
O nosso modelo é isto!

03 setembro, 2015

«Quem fornece armas ao "Estado Islâmico"? e quem lhe compra o petróleo que este produz nos vastos territórios ocupados?»


Há um cinismo presente nestas primeiras páginas. Quem colheu a imagem que percorreu hoje a imprensa de toda a Europa e mesmo do mundo, terá tido bom pecúlio. O horror rende. Amanhã estará banalizada e o filão também vai estando pois todos os dias serão generosos em fornecer imagens semelhantes. O terror continua... 

De lágrima fácil e com a alma à flor da pele emocionamo-nos com as consequências sem que nos ocorra a inquirição das causas. Jerónimo de Sousa, há pouco na RTP1, pôs o dedo na ferida: 
 «Quem desestabilizou toda aquela região? Quem fornece armas ao "Estado Islâmico"? e quem lhe compra o petróleo que este produz nos vastos territórios ocupados?»
Quem?

02 setembro, 2015

A rã

Escolheu a avó a melhor alface do mundo. Limpou-a de folhas velhas e meteu-a no frigorífico, bem acondicionada. Passaram-se uma, duas, três ou mais horas, quando chegou a hora da salada a avó foi busca-la. Cortou-a à mão, como mandam as boa regras e a tradição. Tirou uma folha, duas, três ou mais que foram, quando deu por ela. E disse "olha!", olhando a a folha.
Lá, especada, talvez temendo pela sorte, talvez sem temer coisa nenhuma, estava ela. A rã!
Era tão pequena, tão pequena, tão pequena, que caberia numa só garfada, de salada. Mas não, foi salva!, pois a avó era meticulosa na culinária. Sabendo como o neto gosta e adora todo o bicho que me mexa, logo o chamou. E o neto adorou. Pegou nela. Primeiro com toda a cautela e depois nem tanto. A pequenina rã saltou como um saltimbanco e deu um pulo, e outro, e outro, e outro, daqueles que todas as rãs sabem dar, mesmo que não fujam de quem não lhes sabe pegar. O neto gostou. Gostou, muito mais do que qualquer outro bicho que apanhou. A rã, nem tanto.
Veio o avô, sisudo, com o ar mais severo deste mundo, e sentenciou: "esta rã se aqui fica, estica". E depois explicou o que entendia por esticar. Porque assim, porque assado, porque a rã precisa de um amigo ou de uma irmã, precisa do corpo sempre molhado e dum habitat a preceito, de um ambiente a seu jeito.
O neto, que entretanto diria "este é o melhor dia da minha vida", ficou convencido. Ele, que normalmente teima uma vez, duas, três, aceitou à primeira que a pequena rã tinha que levar outro caminho. E levou. No outro dia, cedinho, avó, avô, neto e rã, procuraram um sitio, com todo o afã: "Ponha naquele lago grande, lá em cima. onde há nenúfares e peixes", aconselhou o chefe dos cantoneiros e jardineiros daquelas paragens. Esta opinião confirmara outra, que na véspera tinha o avô recolhido numa reunião politica, colocando o problema daquele destino, antes da ordem do dia. Assim fizeram, e lá foram avó, avô, neto e rã a caminho do destino indicado e até confirmado.
Chegados lá, o neto pegou na rã e logo que esta viu a água, os nenúfares e o resto, pimba! mergulhou nisso e, de pronto, perdeu-se-lhe o sumiço.
Inquieto, o neto, perguntava "onde está?" Triste, a avó, em coro com o avô, perguntou "onde foi parar?" E ficaram os três a olhar, a olhar, a olhar.
 "Vô, amanhã passas por cá a ver se ela está cá?"
"Claro!" (e vou mesmo passar)

01 setembro, 2015

A 400 000ª visita que por aqui passou não me comentou! (acho eu)


Dizia o Marcelo, no domingo passado, que Jerónimo de Sousa terá tido, na sua entrevista à TVI, uma audição ao mesmo nível da do Passos Coelho e superior à do António Costa. É um indicador interessante! Mais interessante que o seu elogio... Contudo, é indiscutível que a importância da coisa será avaliada nas urnas, pois nem sempre tudo é o que parece ser...

Mas falando de mim (que também cresci), estou até desolado: nunca os comentários foram tão escassos...
(a blogosfera já não é aquilo que era)