(reeditado)
Já tinha, há uns anos atrás, realizado profundas reflexões em torno das atracções entre almas. Nos meus
laboratórios das almas e da física fui pesquisando e encontrando o mesmo
tipo de resultado: Almas de sinal diferente é que se atraem. Um, sem
muito procurar, encontra no outro coisas de espantar. Uma qualquer surpresa ou
pequeno segredo revelado são de mútuo agrado. O que uma alma não faz,
faz a outra e vice-versa.
Completam-se. A atração é permanente e a relação duradoura, pela vida
fora. Discutem, discutem, discutem. Quase sempre não há acordo mas
aceitam-se um ao outro (caso se respeitem, sendo o respeito uma regra
básica e exterior à própria física das almas). Fiz ensaios e experiências com almas de sinais iguais e se quer saber os resultados vá lá espreitar.
Contudo, porque na vida todas as certezas devem ser sujeitas à confirmação, procurei nos laboratórios da química a validação sobre se as almas gémeas mantém relações eternas e se as que não são mantém maior e mais longa união. Dizem, que no amor, a química explica tudo. Assim, rodeei-me de balões de ensaio, pipetas, buretas, bicos de bunsen e de uma boa dúzia de lamelas e coloquei as amostras recolhidas em cada uma delas. Amostras de hormonas e neurotransmissores, minhas e dela, para tentar perceber se, pela via da ciência, explicava o que nos vai na alma, aquele magnetismo
incontrolável, o desejo irrefreável, a vertigem sentimental que nos liga.
Deu tudo certo, como aliás já tinha dado.
Preparava-me para simular o que se passaria entre almas gémeas, com as químicas delas, quando um texto me desviou do intento e desisto.
Essa história das almas gémeas não passa de um mito. Mito giro: