06 agosto, 2015

Hiroshima, ele perguntou «porquê» e saiu sem que a resposta lhe fosse dada...

O Diogo jantou connosco o que acontece com frequência. A televisão ligada, coisa mais rara. Um documentário lembrava a data assinalada. E ele seguia o que ouvia, e perguntava, e perguntava: "foi uma bomba?", "Morreram mais de oitenta mil?","Era a maior bomba do mundo e era pesada?", "Morreram mais de oitenta mil?", "Aquilo era uma cidade?", "Morreram mais de oitenta mil?"... saiu sem saber a resposta a uma pergunta que o documentário não deu: "Porquê?"... e saiu sem ter visto os corpos queimados e estropiados.
Às respostas não dadas relembro um texto de Saramago sem eu mesmo ter a certeza da resposta:
“…Gosto da luz do dia, da claridade, do aperto de mão de um amigo, de uma boa palavra reconfortante, gosto da esperança, amo o amor, amo a beleza das coisas e das pessoas (que todas são belas) – mas tudo isto me pode ser tirado de um momento para o outro. Em todo o mundo há mísseis apontados para todo o mundo, por cima do mundo cruzam-se aviões com bombas nucleares capazes de derreter o mundo, em certos sítios do mundo estão guardadas bactérias suficientes para exterminar a vida em todo o mundo."
José Saramago, in "Planeta dos Horrores"