11 agosto, 2015

Noticiários pirómanos e editoriais enganosos...


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Temos, além do mar, uma outra riqueza imensa. O mar não arde. A outra, sim. E deixa a paisagem assim.  Podiam os noticiários diários remeter-se apenas a mostrar o que servia para revoltar, mas opta pela alternativa e mostra a chama alterosa, viva. Todo o desastre tem a sua inabalável estética. Portinári usava-a  para denunciar a geopolítica da fome e Picasso para pintar a Guernica. Nem um nem outro deixavam margem para se apreciar ou motivar as forças que causaram o horror...
As televisões bem podiam dar o impacto do facto e denunciá-lo. Bem podiam dar o bilhete de identidade do ardido e da propriedade depois de ardida. Os caminhos de acesso não estão abertos, quem os não abriu? O material lenhoso e o mato seco são o pasto para as labaredas, quem os não limpou e recolheu? A incúria e o desleixo são adjectivos aplicáveis a nomes. Quais? Quem? Que instituições?
Hoje o "Público" dava importância ao assunto, trazendo-o para o seu editorial. Lá se lia : "O que afinal está em causa é uma estratégia errada, que coloca os bombeiros e não os silvicultores no centro da discussão sobre os perigos para a floresta." Nada mais errado, há quem não deixe arder um só metro quadrado enquanto outros a deixam arder por todo o lado. 
E também nós vamos ardendo, mas... em fogo lento.