28 setembro, 2011

O livro que estou a escrever está muito atrasado...

O Diogo não me larga. Eu não largo o Diogo. O sol me põe mole. O dia-a-dia tem pressão que não alivia. E os amigos me requerem.  As palavras e as páginas não me saem. Tenho que pôr mão nisto: vou ter que ser mais disciplinado e, entre outras coisas, estar menos aqui e menos a passear para comentar. Tem de ser... Vou ligar à editora, a comunicar que o rascunho do meu livro vai ter entrega adiada... Sobre nova data? Por enquanto, não digo nada.
PELAS RAZÕES DITAS VIREI AQUI DE VEZ EM QUANDO.- VÁ ESPREITADO

26 setembro, 2011

Pai à distância, sonhando com Maria Montessori...

...uma minha carta (pequenina parte), escrita em 26 de Junho de 1971.
Depois de a escrever, acho que sonhei com Maria Montessori (*)

118– “Pai à distância, sonhando com Maria Montessori” – As cartas para casa, as minhas e a de outros certamente, evitavam falar de qualquer acontecimento operacional. Nas cartas, a guerra pura e simplesmente não existia apesar de a sentirmos crescer. Para evitar qualquer deslize, as cartas deixaram até de referirem o dia-a-dia, mesmo nos dias em que os cheiros do planalto do Bié nos tomavam os sentidos e o sossego fosse promessa de paraísos. Eu e o Alma Atenta, passávamos nas cartas a falar, não de nós, mas daqueles a quem nossas cartas se dirigiam. Ele escrevia sobre a mulher e o filho, eu falava da mulher à minha mulher e das minhas filhas também a ela. Maridos e pais à distância, fazíamos por estar perto escrevendo como se estivéssemos logo ali, conversando. Não sabia do que Alma Atenta falava a não ser quando comentava comigo as respostas que ia tendo ao que ia escrevendo. Eu, no que escrevia, ia interrogando e adivinhando a resposta de como ia ela no emprego e elas na escola. A carta que depois vinha confirmava umas vezes e outras não o que pensara ao escrever. Sobre minhas filhas, repetia-me e dissertava longamente sobre as vantagens do ensino pré-primário e também dos riscos de um ensino desfasado do desenvolvimento da criança, daquele ensino que passa o tempo enchendo as suas cabecitas com conhecimentos antecipados e saberes fora da capacidade da experiência e uso, com o sacrifício do ensino das artes, do treino dos sentidos, do gosto pelos sons, pelas formas e pelos tons. Fazia frases sofisticadas e pretensiosas, umas bem construídas outras até ridículas, sobre tudo o me ocorria serem bons ou maus saberes e sobre pedagogias recomendáveis para nossas filhas. Nesse dia, depois de escrever, peguei num livro que tinha comprado já com ideia de o ler e comentar numa oportuna carta. Li-o de uma só rajada e, sem interromper os pensamentos que me suscitou, reiniciei outra carta. Seguiria no mesmo correio daquela outra que acabara de fechar? Minha Alma me aconselhou escrever e mandá-las separadas e espaçadas, podia nos dias seguintes me faltar o que dizer. E assim resolvi fazer. Escrevi “As nossas filhas… Sabes que a minha maneira de as amar, assim à distancia, se consubstancia no fervor e entusiasmo que agora ponho na leitura de um livro (que achado!) chamado “A Criança”, de Maria Montessori? (Eu e os livros, não é amor?)” e explicava-lhe a obra da autora, do seu método de ensino(*) dirigido a crianças da pré-primária, do seu sentido social e da criação de escolas – “Casas de crianças” – que institucionalizaram o seu uso referindo os países do Mundo onde tal aconteceu. E citava-lhe a frase transcrita: “O homem degeneraria sem a criança que o ajuda a renovar-se”. Não fechei a carta, prevenindo o poder acrescentar-lhe mais alguma coisa. Deitei-me e o Alma Atenta ainda escrevia. Com os olhos no teto, Minha Alma ia-me dizendo sem quebrar o silêncio “Vês?, não tens que te preocupar, tuas filhas farão de ti um homem novo”. Sorri e acho que foi sorrindo que adormeci. Nessa noite terei sonhado com Maria Montessori e as suas “Casas de Crianças”…
Página, ainda não numerada, do livro que estou a escrever
"Almas que não foram fardadas"

25 setembro, 2011

Homilias dominicais (citando Saramago) - 50

Ontem fui parco em palavras mas contava já com este espaço para equilibrar o que então me faltou falar e que não pode ser diluído no alinhamento irónico-poético da canção de Sérgio Godinho: "A vida é feita de pequenos nadas.".  Dois assuntos incontornáveis, mas ligados: O Alberto João e o "enriquecimento ilícito". Sobre o primeiro, "um pequeno nada" a outros igual só que excessivamente bronco e boçal. Filho da degeneração de Abril, faz percurso sustentado por perdões de dívida, reacções intempestivas bem apoiadas por interesses  (offshore da Madeira) que os sucessivos governos  não  afrontam, antes protegem. O homem até ficou (acho que terá ficado) admirado com eloquentes (e inesperados)elogios partidos da segunda figura do Estado. E porque as mesmas causas geram os mesmos efeitos, será eleito.
Sobre o segundo, foi preciso esperar (pelo menos) quatro anos para ver ser aprovada uma lei indispensável no combate à corrupção. Estranhamente pertence ao único partido que votou contra essa lei quem afirmou que Jardim já tinha acabado se o enriquecimento ilícito tivesse sido aprovado. O que é que a homilia de hoje tem a ver com estes pequenos nadas de que a vida é feita? Um "nada", certamente:
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HOMILIA DE HOJE
"Mas a realidade é esta: não temos um projecto de país. Vivemos ao deus-dará, conforme o lado de que o vento sopra. As pessoas já não pensam só no dia-a-dia, pensam no minuto a minuto. Estamos endividados até às orelhas e fazemos uma falsa vida de prosperidade. Aparência, aparência, aparência - e nada por trás. Onde estão as ideias? Onde está uma ideia de futuro para Portugal? Como vamos viver quando se acabarem os dinheiros da Europa? Os governos todos navegam à vista da costa e parece que ninguém quer pensar nisto, ninguém ousa ir mais além."
"(...) A tineta vem de longe. Quando informaram o rei D. João V do preço do carrilhão que iria ser instalado em Mafra, ele não se conteve e, com a sua ridícula prosápia de nouveau-riche, disse: “Acho barato. Comprem dois”. E, não há muitos anos, quando Portugal foi encarregado de organizar o campeonato europeu de futebol, que logo desgraçadamente não ganhou, alguém terá dito que precisaríamos de construir uns quantos estádios porque estávamos muito em baixo de instalações desportivas. Imagino o diálogo: “Quantos?”, perguntou o manda-chuva da modalidade, “Aí uns três ou quatro devem bastar”, respondeu o técnico, “Quais três? Quais quatro?” indignou-se o figurão, “Dez, doze é que hão-de ser, seríamos uns bons idiotas se não aproveitássemos os fundos europeus até lhe vermos o fundo ao saco”. Também neste caso alguém se enganou nas contas ou com elas nos enganou.
Onde as contas parece que batem certo é no número de pobres em Portugal. São dois milhões, segundo as últimas informações. Quer dizer, uma expressão mais da nossa histórica mania das grandezas…"
Mania das Grandezas In "Outros Cadernos de Saramago" - Abril de 2009

24 setembro, 2011

Sábado... Foi assim, a semana que hoje finda (9)

Aconteceram coisas importantes na semana? Sim, claro...  destaco que aprendi à minha custa que não devo comentar com a razão o que foi escrito com palavras de paixão... O resto? O Sérgio conta:



A vida é (mesmo) feita de pequenos nadas?