13 julho, 2012

O Estado da Nação e o futuro nacional... (4)


No prédio do Rogérito, a Dª Esmeralda e a vizinha do 4º andar, a conversar..

Vizinha do 4º andar (muito nervosa) - Sabe lá, ontem foi a minha filha a pedir-me para vir para cá, que a escola não tem lugar para ela e o marido... olhe nem percebo. O que sei e que os dois estão sem trabalho... e hoje, ainda agora... (e desata a chorar)
Dona Esmeralda - Ó vizinha tem de se acalmar!
Vizinha do 4º andar - Acalmar, acalmar... como me posso acalmar se o parvo do meu marido acabou de dizer ao meu cunhado que o vai ajudar a pagar o IVA, lá daquilo, que ele abriu... e que o que ganha nem dá para mandar cantar um cego...  Eu bem disse que aquela coisa, lá do turismo, lá no meio do mato, só iria ter procura de gente humilde e sem poder dar o dinheirão que eles estão a pedir...
Dona Esmeralda (para a consolar) - Deixe lá... isto tem de mudar. Isto vai mudar!
Vizinha do 4º andar (parando de chorar) - A sério? Acha mesmo? Mas como? Mesmo que o governo acerte as contas eu fico com uma casa cheia de gente desempregada, sem pé-de-meia, só com dívidas...
Dona Esmeralda (agora com voz convicta) - Isto vai levar uma volta. A dívida vai ser renegociada. Vai ser renegociada nos montantes, nos prazos e nas condições... vamos pagando um valor que não se ultrapasse o valor de uma determinada percentagem das exportações. Isso já foi feito quando a Alemanha, depois da guerra, estava de tampanas. Só assim será possível evitar o descalabro da sua vida, da dos seus filhos e da dos seus netos. É que só assim é possível libertar os recursos necessários ao crescimento do país, à criação de emprego, ao desenvolvimento.
Vizinha do 4º andar (pensativa) - Quem disse?  Isso de ir pagando à medida do que formos produzindo, faz sentido. Quem disse isso?
Rogérito (gritando da janela) - Quer ouvir? Quer ouvir? Então oiça... oiça até ao fim (e pôs o computador à janela, para que o som chegasse até ela)