09 julho, 2012

Geração sentada, conversando na esplanada - 7 (a insurgente)

(ver conversa anterior)
"Aprendi a não tentar convencer ninguém. O trabalho de convencer é uma falta de respeito, é uma tentativa de colonização do outro." ;José Saramago
"A aceitação do outro e da sua essência enriquece e fortifica a nossa identidade, ao contrário do que mentes obscuras defendem." Lídia Borges, do blogue Searas de Versos

A Gaby destinou a manhã a explorar todas as funcionalidades do novo brinquedo...

O Julho começava ventoso e, assim, aliando-se o vento a temperaturas tão baixas ninguém desertara da esplanada, onde era melhor o estar do que a ida para a praia. Todos apareceram: a Teresa, a Rita, a Ana, o senhor engenheiro, o seu inseparável cão rafeiro. Também, e por outras razões por ali estavam o pombo e o negro melro, agora já acompanhado de outros melritos, por os filhos crescem e aparecem...
- "Olha para isto!, nem acredito... mais oito pedidos de amizade.. por este caminho chego aos 4000 amigos antes de Agosto!" A explosão de alegria partia da Gaby, que encantada com o seu tablet tivera a ideia de alargar essa explosão à multiplicação de cliques dados em muitos "gostos" e pequenos ditos, tais como: "que lindo", "és o máximo" e mais um ou outro truque de multiplicar amigos no facebook. E continuava - "A esta parva não digo nada, é uma pirosa com manias"...
- "Já  deixaste de vez o teu blogue?", perguntou inesperadamente a Teresa, do outro lado da mesa.
- "Não... mas vou lá colocar qualquer coisa muito raramente... mas conheces?, que desse por isso, não me segues...", e sem esperar por resposta entrou no blogger. "Pois é, não estás cá"
- "Pois, sigo vários, mas não me exponho... visito, leio e saio. Há gente interessante..."
- "Olha-me esta... Esta que era engraçada, falava sobre moda e coisas com piada agora vem com a politica... a  sonsa... eu acho é que ela ia chamando as incautas  e agora entra numa de lavagem ao cérebro. Que nojo..."
- "O que é que ela diz?", perguntou a Teresa com um ar aparentemente distante.
- "Vou-te ler só uma parte, depois, se quiseres vais ler o resto lá no teu computador", e começou a ler:
"Passado um ano dos queridos homens de negro terem chegado a Portugal não se vêm melhorias, antes pelo contrário. Não há crescimento económico, não há mais emprego, basicamente não existe nada. Só mais dividas e dividas aos alemães que devem esfregar as mãos de contentes com os juros que JÁ estão a receber (nada é de borla meus caros, e esta 'união' europeia não é excepção). Quanto a Portugal, se me perguntarem se está a fazer um bom ou mau trabalho, se já me conhecerem um bocadinho sabem que, na minha opinião está a fazer um péssimo trabalho. (...)
- "Dá-me lá o endereço dela..." e a Gaby lho deu. No meu canto, sem que dessem por isso, também eu registei:: "Meu mundo cor de rosa". Quando chegasse a casa iria conhecer o texto dessa insurgente e tentar perceber como se emerge de um mundo assim para o mundo real, com uma linguagem tão clara e consciente... O senhor engenheiro trocou comigo um olhar. Conivente, pareceu-me...