21 março, 2017

O meu armário, ao longo do tempo nunca teve esqueletos dentro

As Portas do Armário, Porfírio Pires,Óleo sobre tela
O Meu Armário

O meu armário
não é nem alto
nem largo
nem fundo
mas onde me vai cabendo tudo

Lá, fui guardando
cidades, aldeias, vilas
e todos os lugares por onde fui passando

Dentro do meu armário correm os rios
da minha infância
Dentro do meu armário
fui guardando afectos, angustias e medos
à medida que fui crescendo

O meu armário tem gente dentro
Muita gente, mesmo
Nos dias mais cinzentos
ou no decurso das lutas que vou travando
abro-lhe as portas de par em par
e tiro de lá uma espada, ou um pássaro
ou um sol
ou um grito
ou um sorriso
O meu armário, ao longo do tempo
nunca teve esqueletos dentro
Rogério Pereira