07 fevereiro, 2017

Que merda é esta? Deixem sossegadas as crianças... III


Ontem, dia de aniversário, aconteceu o que sempre acontece: parecia que tinha reunido o conselho de família e a discussão foi intensa. Os genros repartiram-se, ao seu estilo, entre a veemência e a fala mais pousada e calma. Elas, seguiam atentamente os argumentos esgrimidos, intervindo onde sentiam que era preciso e os netos distraiam-se com o que lhes era possível e legítimo distrair-se.  O tema central começou com a manifesta falta de concentração do meu neto nas aulas, para depois tocar de tudo um pouco, desde a necessidade de introduzir nova pedagogia no ensino da matemática até à organização do transporte escolar, passando pela elevada carga horária em sala, compelindo à total exigência das imobilizações dos pequenos corpos, na postura de sentados e com a exigência de elevada concentração do olhar e da audição. 
Apagadas as velas e partilhado o bolo de aniversário, cada um foi para seu lado.

De manhã, cedo, em trabalho com o "meu" vereador (sem pelouro) para arrumarmos ideias, veio à baila a "municipalização da educação" e o tanto que me insurgia contra o que julgava eu ser a ingerência da autarquia nos conteúdos curriculares. E o vereador lá me foi dizendo que eu estava enganado e que aquela porra do "empreendedorismo" está mesmo contemplada, no 1º ciclo, como área temática.

Hoje, à noite, no telejornal foi atraído pelo titulo "Agravamento de indisciplina nas escolas causa preocupação" e concentrei aí toda a atenção. Findo o programa, comentei para mim próprio, a propósito da indisciplina: "Não há efeito nefasto, que não tenha uma estúpida causa"
E fui fazer uma comparação justificada.  
Viram? 
Fica agora a pergunta: Quantas participações disciplinares produzirão os directores das escolas finlandesas?




10 comentários:

Elvira Carvalho disse...

Eu vi. Obrigada pelo link.
Na Finlândia não há indisciplina. O ensino lá cumpre a sua missão. Ensina sem cansar.
Abraço

Edgar Pato disse...

Na Finlândia e duma maneira geral nos países nórdicos isso não acontece ,porque os governos tratam do bem estar das famílias .

Anónimo disse...

Acredites, ou não, tive aquilo que considero uma sorte imensa; aconteceu-me nascer entre gente que me pôde proporcionar uma "instrução primária" - era assim que se designava o ensino básico, naqueles tempos... - muito semelhante à que é praticada na Finlândia. Foi muito curto o período em que estive matriculada num colégio e foi o meu próprio pai quem me propôs aos exames da quarta classe e de admissão ao liceu.

Infelizmente não escapei à arrepiante tortura da memorização "a martelo" pois, para poder fazer esses exames, tive mesmo de decorar o raio das linhas férreas todas, mais as benditas paragens e apeadeiros...
À tabuada, no entanto, nunca a decorei sem que antes eu própria tivesse sentido a necessidade de a entender, raciocinando.

Abraço.

Maria João

Fernanda Maria disse...

Com disciplinas inúteis como pode haver disciplina ?

Custa assim tanto aprender com os melhores ?

Um beijinho

Rogerio G. V. Pereira disse...

Logo virei dizer um pouco mais que isso... é que as famílias têm "culpas no cartório"...

Rogerio G. V. Pereira disse...

Ensina a... brincar
e... haverá coisa mais séria do que a brincadeira de uma criança?

Rogerio G. V. Pereira disse...

Alguns de nós tiveram sorte... eu também fui um felizardo sem, contudo, passar pela obrigação de decorar
- as linha férreas, as serras, os rios e as suas nascentes
sorte a minha que só me enganava nos afluentes

Rogerio G. V. Pereira disse...

Desenvolvemos a cultura de apenas atribuir valor ao que resulta do esforço
Não é, de todo, um defeito
o que está é a ser aplicado sem sentido nem jeito

Contudo, não é apenas isso...

Anónimo disse...

Eu não me enganava, mas criei um "bloqueio" tão grande que, pouco tempo depois dos exames, não me recordava de rigorosamente nada...

Lídia Borges disse...

É que na Finlândia temos uma Escola que privilegia a formação respeitando as necessidades naturais das crianças e dos jovens. Aulas?! - 3horas por dia). Em Portugal temos uma escola para "guardar", uma espécie de reformatório onde os miúdos são bombardeadas com tarefas atrás de tarefas para que estejam sempre ocupados,(tipo trabalhos forçados). Há muito tempo que considero perverso o que se pede descaradamente às nossas crianças/jovens - que se mantenham concentradas durante seis, sete e até mais horas por dia em matérias/atividades curriculares e extra-curriculares (que de "extra" nada têm), ministradas, quantas vezes, através de métodos expositivos, repetitivos, cansativos... Não há cérebro que aguente.

Lídia