15 abril, 2017

Páscoas e opções da alma e da razão

(reeditado, com alterações)

Todos nós (ou quase todos) temos uma quinta a onde ir na Páscoa.
Se não temos já tivemos.
Eu tive. Tive duas, ambas no Ribatejo, das minhas avós.
Eram diferentes as quintas e as chegadas. Mas em ambas não havia chaves debaixo dos tapetes, nem sei mesmo se havia tapetes ou se eram estrados plantados nas entradas sempre de portas encostadas ou fechadas no trinco...
Uma avó adormecia contando as contas de um rosário e murmurava orações.
Outra, contava os montes por onde passara e murmurava canções.
Cresci passando Pascoas entre uma avó e outra amando as duas e com as duas aprendendo a enfrentar a deslocação dos medos... foi a alma que fez a opção, eu não, de ficar mais marcado por aquela que abraçava flores vermelhas. Nem me lembro se eram papoilas, mas talvez fossem... cravos. 

(deixei este texto, num comentário,
 em 2013, num sítio muito bonito)
***
Abandonei a cruz desde sexta feira
Não quis tirar protagonismo a Cristo
pois eu não ressuscito 
Regressarei aonde estava
até à ressurreição da esperança, da vontade
das bandeiras e dos hinos
Abril é já agora. Boa Páscoa

4 comentários:

Anónimo disse...

Boa Páscoa, Rogério. Que Abril renasça de uma qualquer outra madrugada.

Maria João

Rogerio G. V. Pereira disse...

Ámen

Janita disse...

Não há Alma sem Razão nem a Razão pode existir sem Alma.
Digo-lhe eu, Rogério.
Murmurar canções, é como rezar cantando, baixinho, orações.
Ambas as Avós estavam certas no seu modo de acreditar.

Gosto destes seus textos poéticos, mesmo com uma segunda intenção, escondidinha, lá no meio, entre a Alma e a Razão...

Bom Domingo de Páscoa, para si e toda a sua simpática Família.

Rogerio G. V. Pereira disse...

Murmurava canções
sobre os montes por onde passara...
À minha avó Mariana, agnóstica
nunca lhe ouvi um "valha-me Deus"
nem lhe vi um olhar dirigido aos céus

(ainda um dia falarei da minha avó Zulmira)