02 abril, 2013

AZUL (dia de todas as causas)

Esperei, como fez alguém, que o Tribunal Constitucional se pudesse lembrar de hoje a usar. Em dia do seu 37º aniversário era de esperar e eu esperei. Mas, reconheço, há causas que não se devem prender por datas, mesmo num dia assim... azul até ao fim.

AZUL (por todas as nossas causas e ainda por aquela)


***
CHOVE!

Chove...

Mas isso que importa!,
se estou aqui abrigado nesta porta
a ouvir a chuva que cai do céu
uma melodia de silêncio
que ninguém mais ouve
senão eu?

Chove...

Mas é do destino
de quem ama
ouvir um violino
até na lama.
José Gomes Ferreira

AZUL (por uma causa)

Picasso "La sopa" 1903, Toronto, colecção privada

Prometi um post azul, por uma causa 
Tinha prometido um azul do tom da sua asa, 
o que consegui foi o tom do seu voo...
***
O Meu Olhar Azul como o Céu

O meu olhar azul como o céu

É calmo como a água ao sol.
É assim, azul e calmo,
Porque não interroga nem se espanta ...
Se eu interrogasse e me espantasse
Não nasciam flores novas nos prados
Nem mudaria qualquer cousa no sol de modo a ele ficar mais belo...
(Mesmo se nascessem flores novas no prado
E se o sol mudasse para mais belo,
Eu sentiria menos flores no prado
E achava mais feio o sol ...
Porque tudo é como é e assim é que é,
E eu aceito, e nem agradeço,
Para não parecer que penso nisso...)
Alberto Caeiro, in "O Guardador de Rebanhos

01 abril, 2013

Euro, o "DEBATE INADIÁVEL"

Antes da tão badalada entrevista eu escrevia, neste espaço, «Sócrates não é um facto isolado.»


«Marcelo dizia que "o que a televisão não mostra, não existe". Se substituirmos o "que a televisão não mostra" por "quem a televisão não mostra" o juízo permanece com a mesma mensagem, (...) O regresso de Sócrates será uma forma de impor a sua imagem e o seu discurso, e acontece em simultâneo com o regresso das imagens e dos discursos de Marques Mendes, de Jorge Coelho, de Ângelo Correia, de Bagão Félix, de Medeiros Ferreira, de Morais Sarmento, de Santana Lopes e de Francisco Louçã.»

Passado este tempo em que os comentadores comentaram até as virgulas, não me espanta que não tenham comentado a rejeição liminar que Sócrates fez, quer da saída do euro quer da renegociação da dívida. Eram exactamente 22 horas e 3 minutos, quando o afirmou. Irá como comentador voltar ao tema? Claro! e haverá coro a secundar o que disser sem, no essencial, o contradizer.

O "que" e "quem" a televisão não mostra, fará do "DEBATE INADIÁVEL" um debate quase clandestino: tal como, antes, a guerra colonial era tema proibido, hoje, a saída do euro é um debate ostracizado.... Mas há quem o vai fazendo e continuando por todo o lado: