31 julho, 2015

Mesa Redonda (6) - Tema: "... o que não muda..."


Eu (abrindo a sessão) - Hoje o tema é a "mudança". Vamos falar como mudar...
Meu Contrário (contrariado) - Preferia falar sobre o que não muda
Minha Alma (admirada) - E não é a mesma coisa?
Meu Contrário (sentencioso, entre o sério e o gozo) - Não, não é! Se percebermos bem o que não muda, estamos mais habilitados a perceber o que é necessário mudar...
Minha Alma (interessada) - Não percebo!, podes exemplificar?
Meu Contrário (persuasivo) - Se seguiste o alarido em torno do que se passou naquele partido... percebes que agora nada gira em torno do que há a fazer mas sim à volta de quem é melhor para o fazer?...
Minha Alma (completando a ideia) - ... e todos esquecem discutir o que deve ser feito...
Meu Contrário (afirmativo) - Isso mesmo. Tal como tem vindo sempre a acontecer... os militantes são confrontados com pessoas... porque são as pessoas que operam as mudanças, mas não discutem o que é necessário mudar...
Eu (que até aqui tinha ficado calado) - A melhor maneira de não mudar coisa nenhuma é ir mudando... pessoas. O resto vai ficando igual... mudará só o estilo e a intensidade desse fazer ...
Minha Alma (desanimada) - ...não poderemos esperar resultados diferentes... Então, só podemos esperar pessoas diferentes para fazerem coisas... iguais!
Eu e Meu Contrário (em coro) - Nem mais!
reeditado, com pequenos ajustamentos
 - original em 30 jan, 2013

30 julho, 2015

Aposto que não figuram nas listas de candidatos... estão fartos!

Sei que estas imagens, de repetidas, estão gastas. Mas não está gasto o percurso percorrido. Antes, ele continua aberto para quem se apronta, aprontando-se como o vídeo (irónicamente) nos mostra: 

29 julho, 2015

«Porque o PCP não quer ser poder?», perguntou-me ele


Não me passa pela cabeça falar da intimidade de um almoço, mais a mais tratando-se de um jovem quadro de um partido do governo, desalentado por o projecto em que se empenhara (e empenha) ter emperrado. Emperra, estrangulado pela burocracia e por mais um montão de dificuldades. 
O convite partiu dele, como resposta minha ao seu expressivo lamento: "o investimento é tratado com oportunismo, e os oportunistas são tratados como investidores"... A conversa, diversa e dispersa, aflorou um pouco de tudo. Os filhos dele, e as filhas minhas. Os avós. A educação e os valores. Os referenciais das crianças e como sabemos se as educámos mal ou bem. Depois, e porque as palavras são como as cerejas, falámos das motivações profissionais e as opções que temos de fazer na vida e o custo que isso tem. De vez em quando fazia um ó de espanto, mas acreditando no que me ouvia. Entretanto eu acreditava no que ele me dizia. 
Quanto ao que falámos de política, Jerónimo hoje fez um excelente resumo, em 19 minutos, do que eu lhe disse. Depois de me declarar, sem que lhe tivesse perguntado, qual ia ser o seu voto, lançou-me a pergunta sacramental:
Porque o PCP não quer ser poder?
Será, quando o povo quiser! 
(despedi-mo-nos sem que lhe dissesse que votar em branco nem será um grito de alma e combinamos novo almoço lá para Outubro)

28 julho, 2015

Janela de oportunidade, com grade...


A janela, e a grade que puseram nela
Entre o espaço dali
E o de lá
Havia um pequena fresta
E a luz da manhã
Vinha todos os dias beijar-lhe o rosto
E os sons da manhã
Vinham todos os dias acordar-lhe o sono
E os odores da manhã
Vinham todos os dias dar-lhe conforto 
Hoje, a fresta é uma gradeada janela
E nada lhe entra ou sai por ela

Como é que se sai disto?
Rogério Pereira, 11.Set.2012 (reeditado)